quarta-feira, agosto 16, 2006

Poema ...

poema

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco


Mário Cesariny

(é um dos meus poemas favoritos de um dos meus poetas adorados, a quem presto homenagem)

( a foto foi gentilmente cedida por um amigo )

DESAPONTAMENTOS…

O pessoal juntou-se novamente para mais uma saída só de gajas. É sempre divertido estar com elas se bem que não as vejo tantas vezes como desejava.
O grupo é ruidoso, alegre, inteligente e bonito. Somos todas diferentes umas das outras na forma de estar e pensar, nas vidas profissionais que escolhemos, nas nossas opcções amorosas, mas como mulheres, sabemos muito bem que tudo tem um preço nesta vida pois algumas, apesar de belas, inteligentes e bem sucedidas, ao longo dos anos têm passado por desapontamentos vários que nos marcaram e, de alguma forma, fazem de nós aquilo que somos.
É sempre uma aventura quando estamos juntas, porque amamos a boa música, o teatro, os temas complicados, não escondemos os nossos sentimentos e, aparentemente, temos todas vidas absolutamente normais.
Desta vez quisemos experimentar juntas uma ida ao sushi e nunca imaginariamos que um encontro tão banal, se bem que divertido, pudesse ter sido tão revelador.
Estávamos todas em amena cavaqueira quando nos apercebemos que na mesa ao lado se encontravam dois casais a preparar uma sessão íntima de swing.
Não escondiam nada, nem como se tinham conhecido nem as intenções que tinham ao estarem juntos. Falavam de forma normal sobre o assunto e demos por nós a escutar com atenção e a comentar umas com as outras o tema.
Somos mulheres e quem já observou um grupo de mulheres a divertir-se e a conversar sabe o quanto podemos ser ruidosas e coloridas, porém desta feita uma de nós atirou uma pedrada ao charco e fez-nos parar e pensar nesta opcção sexual que marca muitas das relações dos tempos modernos.
Algumas comentavam o swing em tom de desaprovação porém S., uma das mais caladas do grupo, fez-nos revelações que não esperávamos, ao ter respondido já haver experimentado.
Olhámos umas para a outras e S. foi cravejada de perguntas da mais variada ordem.
Disse-nos, um pouco a medo, com algum rubor nas faces, os olhos escuros bonitos e inteligentes, ficaram, de repente, enssombrados com alguma tristeza.
- Foi traumatizante… - respondeu-nos S. – foi como escalar os Himalaias e encontrar um Macdonalds lá em cima. – ilustrou ela.
Era algo que não esperávamos ouvir, todas nós temos a ideia que é algo de excitante, um pouco clandestino, desviado do comportamento dito normal, mas excitante.
- Traumatizante? – pergunto eu – Mas porquê, queres contar o que se passou?
S. baixou os olhos, deixou-nos em suspense durante o que nos pereceu uma eternidade e suspirando respondeu.
- Ninguém me ligou patavina!… Era algo que fantasiava há algum tempo, queria muito experimentar, escolhi com algum critério as pessoas, demorei a tomar a decisão, mas foi um fiasco…
Ficámos atónitas! S. tinha o ar mais triste que vi em alguém nos dias da minha vida, parecia perdida, os lábios termiam ligeiramente, suspeitei que iria chorar e, com imenso carinho, cobri a mão dela com uma das minhas.
Levantou as pestanas, olhou-me um instante e retirou a mão.
- Calma aí linda, gracejei eu, não fiques nervosa, não te estou a tentar engatar…!
S. sorriu levemente, passou os olhos por todo o grupo suspenso das suas palavras e desabafou.
- Nunca tinha tocado numa mulher intimamente, pensei que iria ficar repugnada mas isso não aconteceu, o que me deixou triste foi ela não me ter correspondido. Tratei-a com a mesma doçura com que gosto de ser tratada, mas ela apenas queria estar de olhos fechados, parecia incomodada com tanta atenção. Era uma mulher vulgar, mas era isso que eu pretendia, mas parecia ter sido apanhada numa ratoeira, predispou-se a estar ali, nitídamente, em prol do companheiro.
Disse-nos que foram jantar, conversaram bastante, S. não se sentiu especialmente atraída pelas pessoas do grupo, apenas o amigo que a acompanhou lhe dizia algo de especial.
Foram para casa de um deles e as coisas percipitaram-se, não correram bem, as diferenças de todos vieram ao de cima contribuido para a falta de homogeneidade dos objectivos de cada um. Nunca nenhum deles tinha feito aquilo mas todos queriam, aparentemente, fazê-lo. Não obstante, o objectivo experimentalista, desbravador de S. tinha ficado frustrado.
- Foi uma treta pegada! – afirmou ela – tinha a esperança que pudesse ser algo belo, partilhado, secreto, misterioso… Mas não passou de uma queca assistida, e ainda por cima aborrecida! Parecia que estávamos todos na mesa do cirurgião, adormecidos e prontos para alguém estranho ter acesso às nossas entranhas mais íntimas.
Reclinei-me para trás na cadeira e observei S. com atenção enquanto esta falava. Não é uma mulher bonita mas é extremamente interessante, tem uns gestos amplos e às vezes lentos como se estivesse a dançar, é elegante com uma pitada de sofisticação sem ser arrogante. Sempre me pareceu uma mulher segura, algo solitária e calada, mas exuberante quando está bem disposta. As mãos têm um ar suave e as unhas são compridas e sem verniz. Gosta de vestir de preto, algo que sempe me atrai nas pessoas, parece convencional mas não é, tem um sorriso bonito, é extremamente simpática e inteligente, uma mistura bem balançada entre a mulher obrigada a endurecer para sobreviver e um interior doçe e meigo. Não se cuida em demasia mas sabe estar de bem com o seu corpo, é activa e sabe o que quer.
Conforme S. ia descrevendo a falta de prazer que teve durante a experiencia que viveu, pensei com os meus botões, onde andam os homens e as mulheres interessantes e de boa índole deste mundo, o que lhes passa pela cabeça, e porque S. é tão solitária.
Fiz-lhe essa mesma pergunta, estava ela a meio de uma frase. Parou e olhou-me de lábios entreabertos, as narinas aspirando com alguma ansiedade o ar da sala. Acendeu um cigarro algo trémula, a voz saiu rouca quando falou.
- Não te sei responder… Desejei esta experiencia para testar os meus limites, o meu poder de sedução "in extremis", se quiseres… - os olhos brilharam, uma lágrima assomou, e logo foi engolida… S. não chora, não se permite a isso, jamais em público.
- E conseguiste chegar a alguma conclusão? – atirei-lhe eu. O grupo entretanto já discutia outra coisa qualquer, acho que era sobre as maluquices poeirentas da ida ao Festival Sudoeste deste ano, tinham-nos deixado sós, no meio do barulho. As minhas amigas são muito efervescentes.
- Não… Óbviamente sinto-me pior e melhor… - e ao meu ar espantado com a resposta S. desenvolveu o raciocínio – o sexo às vezes é uma merda, sabias?!…Decididamente muito não quer dizer melhor, partilhado não significa mais que solitário – deu uma risada baixa – às vezes é mesmo pior...
- Voltavas a repetir?, perguntei.
- Não sei, acho que provavelmente tentarei fazê-lo, talvés de outra forma, mas não tão cedo! Esta foi mesmo para esquecer.
A conta chegou à mesa e com ela o burburinho das divisões dos dinheiros e a decisão de onde iríamos tomar um copo a seguir.
S. juntou-se a elas naquela algarviada de passáros fêmeas, o seu íntimo fechou-se para dar lugar à personagem diária que ela veste desde sempre.
Não voltámos a falar sobre o assunto, o grupo ainda gracejou com ela umas quantas vezes, dizendo-lhe:
- És uma gaja demasiado boa para andares para aí a ser maltratada… ela sorriu e não respondeu.
Quando fiquei sózinha, já de madrugada, depois delas me terem levado a casa, não consegui deixar de reflectir na experiencia que S. tinha partilhado connosco.
Dei comigo a pensar que pessoas como S. e muitas mais, entram numa odisseia em busca de revisitar lugares comuns, como seja o sexo, e a desejarem colori-los de outras formas, concluíndo que nem sempre vale a pena deixarmos de ver apenas a preto e branco.
Pensei na insensibilidade das pessoas quem não repararam nela, nas suas potencialidades e no muito que tem para dar sem negar o que precisa receber.
Desapontamentos todos temos, de uma forma ou de outra, ao longo dos nossos caminhos, porém escalar a cordilheira dos Himalaias e descobrir a porra de um MacDonalds lá em cima, quando esperávamos sentir uma epifania, uma revelação, é realmente algo difícil de engolir.
A S. dediquei o meu último pensamento do dia, já exausta e cheia de sono, imaginando-a a chorar sózinha e quieta na sua cama, ou provavelmente já adormecida embalada pelas suas certezas, desejando ardentemente que ela não desistisse das suas escaladas.
Coragem Amiga!!

segunda-feira, agosto 14, 2006

CAIXA DE PANDORA


Ela tinha conhecido alguém há uns meses atrás, uma pessoa algo convencional à superfície, uma pessoa simpática, afável, amiga, alegre, activa.

Estiveram juntos e foram infelizes juntos, afinal o amor é mesmo um lugar estranho.

Depois, ao serem simplesmente amigos, os gostos de ambos, pouco convencionais, desinibidos e experimentalistas, ousados, vieram ao de cima.

Têm sido companheiros de viagem, dos altos e baixos de ambos, de alguma clandestinidade, de uma vida dupla, escondida dos demais, segredada apenas ao ouvido um do outro.

Agora são algo felizes, gostam um do outro. Fazem coisas juntos, descobrem fronteiras, objectos, gostos e sabores, revelam mais sobre eles próprios e anseiam pelos prazeres sensuais que a vida tem escondida.

Mostram um ao outro os brinquedos que compram e lhes dão prazer usar nas outras pessoas, e que elas usem neles, antecipam excitados a próxima descoberta.

Às vezes ela pensa que a amizade que os une é um lugar obscuro, atrente, excitante, húmido, proibido, mas nem um nem outro quer desviar-se desse lugar quente um milímetro.

A morte de alguma coisa é sempre o nascimento de outra e em tom de brincadeira ela diz-lhe que lhe abriu a caixa de pandora e fez dele um anjo caído.

Se calhar foi ao contrário, mas não é isso que está em causa, o que importa são as viagens ao outro lado da lua, aos aromas secretos, às fantasias totais, às experiencias com seres humanos… e porque não fazê-las?… - pergunta ela sorridente e pensativa.

Passar a língua pelos dedos da fantasia, sentir o vermelho gritante além do espectro visual, é como estar à beira do abismo de olhos fechados e sentir-lhe a brisa e o cheiro a mar, e não ter medo de abrir as asas.

Em confidencia ela diz-me : sabes é como se alguém se tivesse sentado na mesma faixa de areia que eu, alguém fala a mesma linguagem que eu, vibra apenas, não ama, alguém sente a paixão da descoberta…

E eu fiquei a pensar: a ausencia de companhia não determina que estejamos sós, apenas estamos acompanhados de quem escolhemos, alguém acedeu a fazer um determinado caminho connosco, dá-nos a mão e leva-nos lá…

…pena não encontrar mais pessoas assim.

Reencarnação e karma


Fiz hoje um daqueles testes que alguém envia pela net e o tema era o das vidas passadas e as dificuldades no amor devido ao Karma e as repercursões na actual reencarnação.
Dizia então o resultado do questionário que noutras vidas, supostamente eu teria sofrido experiencias amorosas intensas e violentas…
Afirmava o mencionado relatório que as minhas vidas passadas teriam sido marcadas pela perda de entes queridos numa guerra ou teria tido um casamento manchado pela violencia o que influenciaria agora a minha visão descrente no amor e nos relacionamentos, uma vez que permaneceria em mim, até aos dias de hoje, a noção de que tudo muda num segundo, por vezes, de forma devastadora.
Prosseguia, este teste, dizendo que tenho dificuldade em confiar nos meus amores de forma profunda e que, não obstante desejar algum tipo de "ligação duradoura", essa ideia de ficar dependente de alguém me apavora e faz sentir desconfortável, a ponto de submeter as "minhas ligações amorosas" a profundos e reiterados testes por forma a perceber se o seu amor seria efémero ou de carácter mais permanente.
Concluia o teste que tanta desconfiança poderá minar qualquer relacionamento actual pois não obstante ser uma pessoa alegre e relaxada exteriormente, por dentro as feridas psíquicas causariam um grau enorme de ansiedade o que poderia fazer terminar sucessivamente e de forma abrupta os amores da actualidade.
Bem, estes testes levam-me a pensar que são efectivamente feitos de forma inteligente e prespicaz, contudo a sua veracidade e acuídade pode ser posta em causa.
A teoria da reencarnação e do Karma, no meu ponto de vista, já teve mais adeptos outrora que aqueles que possui hoje.
Não se trata apenas de avaliar o nosso sistema de crenças, religiosas ou outras, trata-se antes de avaliar o que é de bom senso.
Tudo o que o teste me indica pode ser aplicado a milhões de pessoas neste planeta, pois se precorrermos a nossa história universal, o que não têm faltado são conflitos bélicos e a susceptibilidade de, qualquer um de nós, ter perdido, noutra vida, alguém numa guerra é mais que muita, isto acreditando na teoria da reencarnação e da transmigração das almas.
Ainda seguindo este raciocínio, ou seja colocando-me do lado da reencarnação, sempre assistimos a amores violentos e trágicos ao longo dos tempos, logo isso não seria motivo para eu ser um caso único a sofrer de amores com estas características.
Agora se não formos adeptos ou crentes na reencarnação, podemos avaliar este teste como mais uma treta que circula na net.
Se não vejamos: desconfianças nos nossos amores e paixões temos sempre, sejam grandes ou pequenas, dependendo do contexto e das pessoas envolvidas, e a testes já nos submetemos e submetemos os outros, pelo menos uma vez na vida, por forma a avaliar o quanto nos amam e se é efémero ou não esse sentir.
Tudo depende das nossas vivencias actuais, das nossas escolhas e dos padrões dos nossos relacionamentos na nossa própria história individual contemporânea, passada e presente.
Se é a única que temos ou se vivemos vezes sem conta até "acertarmos contas com o destino", isso sinceramente não sei.
Porém, na minha opinião, estes testes são um enorme logro porque não distinguem um caso do outro e qualquer pessoa que tenha nascido no mesmo ano, local e hora que eu e fosse do mesmo sexo, levaria sempre com a "chapa 5".
Penso igualmente que a charlatanice electrónica é mais que muita e só espíritos demasiado crentes e confiantes se ligam a estas matérias, como por exemplo a das "correntes", que não se devem quebrar sob a pena de nunca mais termos um minuto de sossego ou sorte nas nossas vidas. Estas correntes que me chegam por e-mail todos os dias só tenho um procedimento: apago-as e nem as leio.
Para concluir, o karma, segundo teorias menos alarmistas, não é nada mais nada menos que a sucessão de acontecimentos passados e presentes que, obedecendo ao princípio de Heinsenberg, se influenciam uns aos outros formando uma cadeia infinita que tudo toca, marca e transforma, e não um resgate infinito de culpas ancestrais e difíceis de provar.
Isto significa que temos todos uma enorme responsabilidade em tudo o que fazemos, dizemos e decidimos, de bom ou de mau, porque as consequencias dos nossos actos ecoam no espaço e no tempo, de forma eterna, sem poderem ser alterados, mas podendo ser emendados dentro do nosso livre arbítrio e sempre que podermos escolher entre um comportamento e outro.
Deve ter sido por causa destas certezas pessoais que hoje não dei um soco na cara da pessoa que me importunou, empurrou, berrou e xingou logo de manhãzinha, sem razão aparente.
… essa pessoa sim estava e ficou com muito mau karma… claro que senti uma raivazinha de criar bicho mas, como normalmente faço nestas ocasiões, afasto-me do meu próprio cérebro e instintos, não vão eles criar um caso de má vizinhança.

( a foto é de Douglas Filiak Designer da Fox TV americana)

sexta-feira, agosto 11, 2006

TWEETY vs JAMES BOND


Vamos agora ao TWEETY.

É um sacana de um canário amarelo que ninguém consegue deixar de gostar, mesmo que não se queira, porque não faz mal a uma mosca.
Ele pressegue impiedosamente a próxima malandriçe com o mesmo zelo com que devora alpista e sementes de girasol.
É jovem, não tão jovem como já foi um dia, mas que se lixe, o mercado está cheio de penas soltas ao vento, ansiosas por ouvir uma da suas piadas ditas naquela vozinha disléxica que todos conhecemos.
O Tweety não se veste, consome roupa, o Tweety não sai, vai curtir, o Tweety não tem namorada, tem amigas coloridas.
Nunca lhe aflorou sequer à mente assumir a pesada pena de se associar a uma canária para toda a vida, cruzes credo, lagarto, lagarto. Se o fez, por precalço do destino, então o destino é para se ir levando, pois não sofre de problemas de consciencia "what so ever", e se a canária tem a testa mais enfeitada que a Rua do Ouro no Natal, é sinal que ele não está morto.
Este simpático "herói" gosta de futebol mas muda de clube conforme aquele que está mais em voga, pois porque cargas de àgua há-de andar metido em discusões e polémicas, se pode todos os anos fazer uma farra no Marquês sempre que o campeonato termina.
Tweety tem nas novas tecnologias a sua maior fonte de alegria, é adepto dos chats da Net e, ocasionalmente, tira as sua penas farfalhudas em frente à WebCam se a gaja for mesmo de jeito, ou se for atrevidota e o elogiar q.b.. Claro que depois no dia seguinte troca impressões vastas e algo empolgadas com os outros Tweety, os quais se deslocam em bando, vestem mais ou menos de igual e possuem todos o mesmo vocabulário de chorrilho de palavrões e parvoíces de bradar aos céus.
O Tweety nunca sairá de casa dos pais, ou se tem casa própria, a mãe ou a tia vão lá com frequencia dar uma geral, deixar umas caixinhas de sopa de feijão e massa com carne, porque o menino não sabe fazer nada, coitadinho, lavam e passam a ferro e desencardem a parede junto ao computador, queixando-se que estas construções hoje em dia são uma porcaria porque o branco da parede está todo manchado.
O Tweety quando vê tv, vê o MTV, o zapping é a sua religião, não gosta de cinema se não for comédia adolescente, nunca abre um livro se este não tiver figuras em todas as páginas e aborrece-se facilmente quando tem seja lá o que for para fazer.
Agora existe uma raça nova de Tweeties. Os que passaram a casa dos 30 e ainda não acreditaram, alimentam horrorizados a esperança que quando prefizerem 40 anos o mundo já acabou.
Adoram mulheres mas têm um medo delas que se pelam, nunca as entenderam, e acham que também não é coisa que se faça nos dias de hoje.
Não percebem muito bem onde estão nem para onde vão mas também não entendem porque as pessoas se preocupam com estas coisas.
Não se consideram nem maus nem bons, mas acham a vida gira especialmente quando estão a curtir uma partidinha de snoocker com os amigos.
Acham imensa graça ao canal 2 da RTP no dia em que passa bola de manhã há noite e mudam para os anúncios da TVI quando está a dar alguma coisa que não seja bola.
Esta espécie de Tweety , mais entradote, dá concelhos à outra estirpe de Tweetys mais novos, especialmente "como comer uma gaja em 72 horas e pô-la a andar em 10 minutos, caso não nos dê o ka gente ker".
O seu slogan é " um macho não chora, não se compromete e diz sempre não no começo das frases".
Suspeita-se que os Tweetys considerem o James Bond "um kota fixe que anda sempre com umas cenas baris e umas gajas bué da boas, mas tá já passado de todo" – comentário recolhido em reportagem clandestina dito à boca pequena.
Não se sabe se os Tweeties serão o futuro ou se estão em vias de extinção, aguarda-se o decorrer do milénio para análise psico-sociológica mais apurada.

JAMES BOND vs TWEETY

Toda a gente conheçe estas duas personagens, de acordo?
São ambos sacaninhas e levam sempre a sua àvante.
Começemos pelo JAMES BOND:
É um fulano bem parecido, algo metrosexual, sempre com uma boazona de um lado, uma peça de artilharia do outro e um martini, muito seco, no meio.
O James Bond espelha um tipo de homem que nunca está aqui nem ali, revolta-se com as maldades deste mundo, considera um enorme aborrecimento, raiando o blazé, estar ao serviço de sua magestade, mas é porreiro ter ordem para matar.
É um homem decidido, apressado, nunca considera ninguém sequer equiparado a ele, quando muito as pessoas dão-lhe jeito e toleram-se por isso.
Olha as mulheres de cima a baixo, apenas parando nos hemísférios mamal e rabal, e, de vez em quando, se ela for muito má, tão má que as bruxas e os vilões fogem dela, pode comentar-lhe o vestido e o cabelo, não vá a fulada estar com o período nesse dia e dar-lhe uma valente carga de porrada.
Este nosso "herói" não é nenhum dos meus adorados da Marvel, mas ele gostava de pertencer ao clube, contudo aborrece-o andar por aí a salvar pessoas indefesas.
O carro em que acede viajar tem de ser o melhor, cheio de gadjets, senão "he’s to sexy for his car". Tem sempre os trapinhos no lugar, o cabelo arrumado e nunca se compromete. Suspeita-se que existe uma Mrs James Bond, internada num hospicío, porque as mulheres são um cabo dos trabalhos e só servem enquanto forem detentoras de um título temporário.
Mr James Bond não nutre sentimentos por coisa alguma, até porque os martinis em excesso lhe toldam a razão em cada final de tarde.
Está em fase de expansão do seu património mas odeia discutir o vil metal, isso é coisa de pobre, o que tem é seu e se está manchado dos fluídos corporais das suas vítimas, tento melhor.
Cheira o seu baú de memórias, repleto de cabeleiras loiras, ruivas, platinadas e morenas, àvidamente quando, de forma fugaz, admite que levou uma tampa e anseia por esse desafio, o de dobrar a tampa que se atreveu a bater-lhe com a porta na cara.
O seu perfil, já com alguma pregas da idade, revela que um dia destes ou larga os martinis, ou substitui a peça de artelharia por Viagra, sob pena das boazona preferirem o personagem que se segue.
Na realidade é um solitário patético que tem medo da mãe e inveja do irmão mais novo formado em Engenharia de Sistemas.
Gosta de se intitular auto-didacta e almeja escrever um dia as suas "Memoirs", que vai anotando em guardanapos de papel as quais guarda religiosamente dentro da caixa de sapatos da primeira comunhão.
Inveja a juventude e inconsequência do Tweety, mas considera-o um gajo falido e tosco.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Para cima de trezentas visitas...

... é o que consta no meu blog, pelo menos desde que coloquei aqui o contador.
O número 3 tem um significado mágico para mim.

A todos o que passaram por aqui e amavelmente perderam algum do seu tempo a ler e comentar as minhas ideias mirabolantes, o meu muito sincero obrigada!

Xi coração apertado a todos e a todas, sinceramente adoro-vos! (tststststs ah, não sabiam que eu era uma xaroposa sentimentalona pois não?... aguentem-se!!)

Music to set me on the right mood...

Falei no post anterior sobre os estados de alma que nos proporciona a música e comentou-se o estado de alma para o "momento certo", uma espécie de "sound track" para aquelas ocasiões especiais.
Aqui está o meu, passo a passo, ou um dos sound tracks possíveis...

Preliminares fase 1: Guns'n'Roses - Dont you cry ; Brian Macffaden - Almoust here; Zero 7- uma qualquer ; Lloyd Cole and the Commotions - Are you ready to be heart broken?

Preliminares fase 2 , a descoberta: Cardigans - My favorite Game; Gnarls Barkley - Crazy; Semisonic - Secret smile; Rufus Wainwright - In My Arms.

Perliminares fase 3, o tira, tira : The Strokes - We only live once; Outkast - Hey Ya; Perfect Circle - Love Song (se ele aguentar a pedalada...)

A hora H, o tira teimas : Serge Gainsbourg/Jane Birkin - Je t'aime moi non plus; Portishead - Roads/Glory Box; Albinoni - Adagio; Franz Ferdinand - Darts of plesure.

O miminho do final : Pink Floyd - Confortably numb; Clã - Problema de expressão.

O Adeus : Franz Ferdinand - Walk Away; Lenny Kravitz - Fly Away

... mas dias há, ou noites, que apenas o som dos respirares e os bateres dos corações, o som da pele a ser tocada ao de leve e depois com mais força, o som escaldantes dos beijos, das dentadas, dos corpos que se abraçam, as coisas meigas que se dizem, os palavrões, os pedidos, as exigências, os comandos, as submissões, são companhia sonora mais que suficiente, não concordam?...

quarta-feira, agosto 09, 2006

Às vezes é o que basta...


... ouvir uma música, não obstante não ser a minha favorita, para me por mais bem disposta. Esta é uma delas que dedico aos sorrisos que me dirigem os amigos e conhecidos e EU a mim mesma!

Nobody knows it but you've got a secret smile
And you use it only for me
So use it and prove it
Remove this whirling sadness I'm losing,
I'm bluesing
But you can save me from madness
Nobody knows it but you've got a secret smile
And you use it only for me
So save me
I'm waiting
I'm needing, hear me pleading
And soothe me, improve me
I'm grieving,
I'm barely believing now, now
When you are flying around and around the world
And I'm lying alonely
I know there's something sacred and free reserved
And received by me only

Semisonic - Secret Smile

Calor, calor, calor...


Alguém me explica porque cargas de vento está tanto calor!?...
É impossível dormir, assim!
Se estou a falar ao telemóvel com os amigos, o aparelho fica encharcado!
Tenho a pele encarquilhada de tantos banhos, a banheira já não me pode nem ver, tal é a frequencia de visitas!
A televisão aborrece-me, não consigo concentrar-me nos livros, a música fica enfadonha mesmo que seja transmitida pela minha adorada Radar!
Não como nada de jeito, só me apetecem coisas frias e líquidos e mais líquidos gelados, dou por mim a balbucionar coisas imcompreensíveis… grrrrrrrr!
Assim é demais!
Chego a ter sonhos com paisagens de neve, vejo o pai Natal com camisas de manga de cava e calções (acreditem, é um pesadelo…).
Os frigoríficos, ares condicionados e ventoínhas passaram a ser os meus melhores companheiros.
Não consigo soltar o meu enorme e farto cabelo porque me faz um calor medonho, a roupa irrita-me e só me apetece chegar a casa e andar nua.
Admito que detesto a praia cheia de gente, evito os cafés porque estão apinhados, não consigo ficar quieta muito tempo numa sala de cinema, mesmo com o fresco do ar condicionado, porque imagino o calor lá fora ainda que saia já de noite.
Estou desesperada, alguém por favor, pode mandar vir o Outono o mais rápido possível??!!

terça-feira, agosto 08, 2006

Ter ou não ter, eis a questão... 40 anos


Fiz 40 anos em Maio e algumas pessoas amigas têm-me perguntado o que mudou na minha vida e o que é isso da ternura dos 40.
Claro está que esta questão é levantada não só por aqueles que se situam numa faixa etária inferior à minha mas igualmente perguntadores são os que por ela já passaram ou a atingiram recentemente.
Bem, eu tenho respondido que ainda não sei bem o que mudou, porque apenas cheguei aos 40 anos há pouco tempo mas provavelmente pouco ou nada mudou, de qualquer forma ainda não fiz nenhum balanço.
Porém uma coisa diferente tenho a certeza que sinto: perdi difinitivamente a pachorra para aturar as tretas dos outros, as cenas parvas, as coisas sem consequencia, a falta de vontade para serem e assumirem alguma diferença ou mesmo de se assumirem a si próprios doa a quem doer.
Acho que também, paradoxalmente, me sinto mais tolerante com quem realmente merece a minha tolerância, sinto-me una com os reais problemas das pessoas, às vezes mesmo de quem não conheço pessoalmente mas com quem vou mantendo algum tipo de vínculo de amizade.
Sinto-me também mais livre apesar da noção exacta de que o tempo realmente passa a correr. Experimento coisas novas, já não digo que não a nada só porque me parece estranho de início.
Consigo disfrutar de forma mais directa e com bastante deleite de várias gerações de pessoas, talvés porque me encontre num local de fronteira a olhar para os dois mundos e lamento as perdas de tempo de quem ainda acha que o tem em abundância e admiro quem o disfruta sem peneiras só porque as datas de aniversário se vão somando umas às outras inexorávelmente.
A ternura dos 40, muito sinceramente, penso eu que não existe ou é mais um dos mitos urbanos que alguém com ar mais que repassado inventou.
Ternura temos em qualquer idade, sempre senti ternura pelos meus amigos, família, colegas de trabalho, animais de estimação, objectos pessoais e outra quinquelharia afim que me acompanha ao longo dos anos.
Não me sinto mais terna por ter completado 4 décadas, sinto, isso sim, que a ternura é um estado de alma a não ser desperdiçado nos caixotes do lixo da existência.
Também não me apráz qualificar ou quantificar quem se aproxima de uma quarentona com evidente intenção de absorver um naco de experiencia que não lhe compete. Dou comigo a pensar que é o equivalente a usar uma esponja de banho no duche que não é nossa ou a ler uma carta ou diário que não nos pertence às escondidas. Até a noção da coisa me arrepia!
Contudo reconheço, porque também passei por essa fase, o fascínio dos mais novos pelas pessoas que são mais experientes mas ainda não podem ser catalogadas como velhas; é um manancial de vivencias que parece estar logo ali à mão. Mas cuidado se se pensa que quem experienciou a vida por mais alguns anos que outros abrirá assim mão do que aprendeu, só porque alguém está interessado em saber. Nada disso!!
Gosto e sempre gostei de dividir os meus conhecimentos com os outros apesar de saber que nada sei, mas sempre numa base de reciprocidade, de aprendizagem mútua, mas agora, do alto dos meus fresquinhos 40 anos, penso que nem toda a gente tem efectivamente algo a ensinar-me apesar de achar que posso aprender muito com quem realmente tem algo para me dizer.
Pode ser paradoxal esta minha opinião e susceptível de levantar alguma celeuma, mas não me importo. Aliás, acho que os 40 anos, se mudaram a minha visão do mundo em alguma coisa foi mesmo essa: já não me incomoda o que os outros pensam de mim!!
E que sensação de alívio e liberdade proporciona esse sentimento!! Chega a ser inebriante não ter nada mais a provar a alguém nem a mim mesma. Claro está que todos os dias revejo os meus limites, redimensiono a minha escala, questiono e volto a questionar as minhas opcções e pseudo certezas, mas nunca mais em prol de ninguém que não seja eu mesma, porque quero e sobretudo porque posso fazê-lo.
Não penso que homens e mulheres aos 40 anos possam ter chegado àquilo que realmente desejam na sua vida, se têm muito querem mais, se não têm nada, toca a lutar para conseguir mais e melhor, mas já sem sentimentos de culpa implacáveis, sem considerar ou medir o peso que a sociedade caústicamente pensa de nós e dos nossos actos e opcções.
Pois é, se calhar, para mim ter 40 anos não significa mudar muita coisa porque provávelmente sempre me senti igual a mim mesma, orgulhosa das minhas qualidades, hipercrítica com os meus defeitos. Já era assim aos 20, aos 30 e provávelmente serei assim aos 50, se lá chegar.
Quem já se sente assim, livre, de cabeça feita mas fresca, absorvendo àvidamente cada segundo do dia, tentando sempre auto-superar-se e escolher o melhor para si e tiver menos 20 anos que eu ou mais 20, então penso que estaremos do mesmo lado da barricada, optamos da mesma forma e escolhemos pelos mesmos meios.
Por estas e muitas outras razões ter 40 anos é muito bom, sabe bem estar vivo, lamenta-se o que se tem a lamentar, congratulamo-nos pelas coisas boas que alguém nos proporciona ou que vivemos solitáriamente mas o tempo dos arrependimentos já passou e isso é realmente uma sensação muito positiva, já não somos mais o que alguém nos destinou, não fazemos parte do imaginário de ninguém, temos o nosso próprio Universo em que cada pontinho luminoso conta, bem como cada região de escuridão, mas são coisas nossas, apenas nossas e mais ninguém tem nada a ver com isso!!

segunda-feira, agosto 07, 2006

O pecado


"Sin sin sin
Look where we've been
And where we are tonight
Hate the sin not the sinner
I'm just after a glimmer
Of love and life
Deep inside"
Robbie Williams - Sin

Em conversa com várias pessoas onde se dissertava sobre o tema diversas foram as definições deste sentimento que nos pressegue a todos, de uma forma ou de outra.
O que é afinal o pecado? Deve ou não praticar-se?
Sendo o pecado um dos actos desviantes humanos mais antigos, a par da cobiça e da ganância, também pecados, muito se comenta sobre ele surgindo, a cada passo, simpatizantes e detractores.
Alguns decidiram que o pecado é uma "cena vintage", ou seja, quanto mais antigo e primário melhor e se é para praticar então que seja daqueles bíblicos, especialmente os que tiverem a ver com a mulher/homem do próximo, de preferencia que nos proporcione memórias sumarentas e picantes.
Vamos primeiro dissecar o aspecto masculino da questão, sempre tão colorido e efervescente: os homens são a favor do pecado!
Não tem nem talvés, são pró mesmo, seja lá que pecado for eles pecam e gostam de o fazer.
O pecado, como espólio do universo masculino, faz parte de um imaginário colectivo deles que só muito raramente acedem em ventilar na sua íntegra, até porque alguns ainda são adeptos de que certos segredos não se expoem assim em praça pública.
Isto não significa que os homens sejam discretos a pecar, nada disso, ou que tenham falsos pruridos com a matéria a tratar, esqueçam.
Eles pecam e se puderem negam sempre que pecaram e quando admitem que o pecado ocorreu o elemento culpa é-lhes tão alheio que nem se discute.
Pecou-se está pecado! Siga para bingo.
Agora as mulheres, supostamente sempre analíticas e profundas, tecem idiossincrasias sem fim sobre o acto de pecar. Se vale a pena fazê-lo, o que se perde ou ganha ao efectivamente entrar numa senda de pecado, enfim…
As mulheres são menos pecadoras que os homens ou admitem-no muito menos, talvés se enganem ao explicar que precisam menos de pecar porque são mais maduras e constantes. Ou ainda são pelo "kiss and never tell"…
Seja lá como for o pecado mora já ali ao lado e a vontade de o cometer é sempre crescente.
Pode revestir a forma mais variada, desde o pecadilho de absorver mais um bocadinho de chocolate do que se deve, até ao galar ostensivamente o rabo do/a colega que passa todos os dias por nós, passando pelas clandestinas relações pessoais que mantemos com pessoas que não deveríamos manter, com o seu expoente máximo nas escapadinhas dos nossos compromissos (casamento, namoro, etc.) pelo qual todos já passámos ou gostaríamos de ter passado.
A questão é porém apenas uma: ou se peca ou não se peca, não se pode mais ou menos pecar.
Restam-nos então os desejos de pecar, analisar porque nos apetece sempre tanto ir por aí e nem sempre conseguir resistir estóicamente e dizer não às tentações.
E não resistimos porquê? Porque percar é bom, dá-nos um outro elã à vida de todos os dias, porque alguém nos trata melhor do que aquela pessoa que temos lá em casa ou porque simplesmente nos apetece reiterar-mo-nos da nossa capacidade de sedução.
Não pecamos porquê? Porque ou não surgiu ainda a oportunidade ou simplesmente não desejamos comer demais ou comer de tudo o que o cardápio nos oferece.
Se pecarmos como nos sentimos? Fracos? Sem critério? Ou tão sómente felizes e contentes de barriguinha cheia e com um brilhosinho nos olhos por vezes há muito perdido?
Se não pecarmos qual o sentimento que prevalece? Sentimo-nos cobardes e com a percepcção de que se todos lá fora o fazem porque não o fazemos nós? Ou ficamos de paz com a nossa consciencia porque fomos fortes e soubemos resistir?
Eu, pessoalmente, peco muito mais do que deveria, já fui mais pecadora, mas confesso que para vestir o hábito de monja ou de celibatária ainda me falta pecar mais um pouco.
Claro que não estou a falar de pecados capitais, apenas pecados menores, mais mundanos.
Mas o que dizem de nós os nossos pecados? Poderão eles definir o nosso carácter e a nossa personalidade? Somos melhores se não formos pecadores ou ao pecarmos descobrimos o verdadeiro caminho da virtude?
Não sou adepta dos confessionários mas lá que eles estão repletos de histórias mirabolantes estão. Por isso lanço-vos este desafio, pecadores e não pecadores, digam-me lá que ninguém nos ouve:
- São ou não adeptos do pecado? Se pecam como e porquê o fazem, se não pecam digam-me como conseguem resistir a essa reptiliana e ancestral tentação e desvendem os vossos segredos que vos permitem manter essa inabalável integridade…

O divórcio, como ele é...



Isto é a verdadeira imancipação feminina!

Férias... de sonho...


O que poderiam ter sido as minhas férias de sonho...?

Definitivamente em Nova York!!

De nariz no ar e máquina fotográfica em punho admirando e invadindo os maravilhosos edifícios de Manhattan, tão diversos e todos belissímos.
De salientar o edificio Chrysler, magnífico exemplo de Art Déco, a imponente Times Square com os seus arranha-céus e as luzes flamejantes dos anúncios, o verdejante Central Park, O Grand Central Terminal, O Empire State Bilding, as colunas magestosas do Tribunal, o Museu Metropolitano de Arte, o Edifício da Bolsa, o incrível Flatiron, as maravilhosas igrejas e catedrais, a Biblioteca Pública, a Broadway... e muito mais.
É uma capital barulhenta, histérica, obssessivo-compulsiva até ao limite mas é a minha cidade favorita e seriam as minhas férias de sonho.
Um sonho várias vezes programado mas ainda não realizado, é uma paixão antiga, alimentada fervorosamente, um amor quase impossível mas não menos acarinhado por o ser.
Um dia, no futuro, amanhecerá comigo em Nova York, sózinha por ser uma paixão tão pessoal, jamais a conseguiria realmente viver com alguém.

segunda-feira, julho 31, 2006

Férias!!!


Vou para as minhas micro férias hoje e o tempo não passa mais...
Escolhi como companhia de férias este ano o novo livro de Susie Orbach " A impossibilidade de Sexo" da editora Estrela Polar.
Esta autora, psicanalista de profissão, tem uma abordagem do paciente de uma forma assaz curiosa. Não sendo própriamente inovadora, Susie Orbach, defende que a interacção emocional entre o paciente e o psicanalista é fundamental para uma boa terapia; nada daquela ideia que nos habituámos a ter destes profissionais, desligados, expectantes e sem se envolverem emocionalmente com os problemas de quem os procura.
Escreveu outras obras extremamente interessantes de destacar " O que querem as mulheres" e livros ligados à problemática das desordens alimentares sob o prisma psico-terapêutico.
O seu relatório de 2004 " A verdade da Beleza", em colaboracão com outra terapeuta Nancy Etcoff, da Universidade de Harvard, deu origem a uma das mais belas campanhas de publicidade que já tivemos oportunidade de ver: a "Campanha pela Beleza Real" da Dove, onde apareciam imagens de mulheres comuns de todos os tipos e tamanhos, algumas delas com cabelos brancos e cicatrizes.
Posso dizer-vos que este último livro desta autora/psicoterapeuta, com 370 páginas, é de tal forma empolgante que devorei já metade no fim de semana e trata de casos imaginários, mas muito reais baseados na prática clínica com o seus pacientes ao longo de 20 anos de actividade. São dissecados males tão comuns como a depressão, a solidão, o apetite compulsivo, os desejos sexuais insaciáveis e o medo da intimidade, revelando com muita franqueza o efeito que os pacientes têm sobre a terapeuta desvendando, de alguma forma, a maneira como a nossa mente funciona.
Boas férias!!!!

sexta-feira, julho 28, 2006

Fumar...


«Active Evil is better than Passive Good» - William Blake

Sou fumadora, muitas vezes compulsiva... é o meu maior defeito, segundo uns, o meu maior pecado quanto a mim.
Sou desportista, não tanto quanto devia, não bebo alcool, sou vegetariana, activista em prol de causas nobres, manifesto-me ruidosamente contra a injustiça, e tento ser benevolente para os menos favorecidos. Por estas razões fumar é um enorme contrasenso.
Tenho uma fixação oral que se manifesta desta forma e de outras também.
Assumo que gosto de chupar no cigarro, absorvendo a nicotina, vendo o fumo a subir lentamente, e não formulo na minha mente nenhuma imagem romântica ou audaciosa de estilo de vida acima da média, pseudo-intelectual ou outras impingidas pela publicidade. Apenas gozo o prazer, sem falsas culpas.
Porém admito que é um vício social, uma muleta psicológica, um escape, what ever...
O cigarro é meu companheiro na escrita, como agora, arde como ardem as emoções, sempre perto de mim. Já tentei deixar, claro, sou uma pessoa consciente mas o hábito faz este monge reincidir sempre.
Concordo com todas as medidas anti-tabagistas que acho algo hipócritas mas respeito sempre quem não fuma, regateio ocasionalmente, mas respeito.
Deploro e critico uma mulher grávida que fuma, e quem fuma ao redor dela, nunca penso sequer em fumar se estiverem crianças ou doentes por perto, e se alguém se sente incomodado com o meu cigarro em qualquer circunstância, desculpo-me e apago o vício onde posso.
Mas eu fumo...
Faço-o a escrever, a ler, deitada na cama, antes e depois do sexo, a beber café, depois de comer, quando estou nervosa e quando estou relaxada, depois de sair do yôga, quando os colegas já foram embora, escondida, clandestina.
Acho sensual uma boca em volta de um cigarro, sugando o objecto, devagar ou sofregamente, gosto da névoa que se forma à volta das pessoas, como que a reproduzir o meu fenómeno atmosférico favorito: o nevoeiro.
A névoa do cigarro, para mim, para ser realmente perfeita, deveria produzir trovoada com raios, 2º fenómeno atmoférico que mais aprecio.
É um assunto polémico o do cigarro, estou certa disso, mas altamente pecadora confesso, não consigo passar sem ele, como me custa igualmente passar sem sexo.
Não tem nada a ver? É provavel... mas são duas adicções que não me transtorna nada admitir.
Fumadores? Não fumadores? Manifestem-se, opinem.

quinta-feira, julho 27, 2006

Babe, u can leave your boots on...



Por falar em homens de botas...

Estas não são as minhas botas favoritas, mas ele não está nada mal!

Faz-me recordar um escorpião macho há algum tempo, numa dança de fogo...

Tinha a boca irressístível do Humphrey Bogart, um estilo muito noir, uns olhos doces, uma perdição.

A casa era velha, cheia de tralha, as pinturas dele, as recordações do pai, as desventuras e venturas amorosas próprias segredadas a dois, em pleno Bairro Alto.

Descobriu-me um buraquinho nas meias pretas de rede enquanto me lambia e mordia... eu gemia deliciada e disse-lhe: Esse buraquinho é parecido com aquela cena do filme " O Piano", quando o pecado ameaçava surgir e crescia já, irremediável, não te parece?...

Ele concordou e regressei a casa com as meias negras de rede feitas em tiras...

... ele nunca tirou as botas, fantástico ser... botas negras pesadas de biqueira de aço... hummmmm...

na manhã seguinte chovia uma morrinha suave...

pena teres sido sempre um envergonhado... assustei-te foi?



Saltos Altos


Gosto deles, não os uso com frequencia, admito contrafeita, mas gosto de os ver, de olhar para eles, de sentir a sua textura, o salto em bico a terminar numa agulha fina.
Azuis, vermelhos, pretos, de verniz, de pele, com brilho ou sem ele, um salto alto é algo indissociável do meu imaginário feminino.
Não digo que cheguem a ser um fetiche;
O fetiche para mim são as botas de homem, pecadora me confesso, adoro-os de botas, não posso fazer nada está-me no ADN. Claro que não é todo o tipo de botas, mas gosto de quase todas.
Mas falava-vos de saltos altos... são belos, sensuais, sexys, e fazem pelas nossas pernas, pelo nosso corpo, algo que outros adereços deixam incompleto.
Viramos Deusas e sentimo-nos num pedestal!
... e vocês... gostam?...

Mais piadinhas... viajam aos pares...

Piadinhas...

quarta-feira, julho 26, 2006

Pensamentos ao pôr-do-sol...

O sol estava a desaparecer e a noite caía mansamente.
Ainda se sentia algum calor mas a brisa soprava a ponto de me desalinhar os cabelos.
Em vez de ir para casa e cumprir a rotina diária, desci a colina e fui até à praia. A areia estava morna e clara, sentei-me e olhei para o sol que se punha.
Alguma coisa estava errada neste bucólico quadro de fim de tarde... uma mulher, ainda jovem, sentada sózinha na areia assistindo a um cálido final de dia na praia... o que poderia ter esta cena de tão errado?...
Talvés seja a constante tristeza, as mudanças de humor, o sobrolho carregado, a falta de paciencia para as tarefas do dia-a-dia, a respiração que se acelera quando certos pensamentos afloram a mente.
- Problemas de "coração"?... - perguntou-me um amigo há uns dias atrás ao ver-me mais absorta que o habitual defronte de um café misturando um açúcar que nunca ponho.
- Que tolice!, respondi eu - sabes que não tenho esse tipo de problemas, conheces-me bem, eu nunca me apaixono... nem sequer acredito no amor!...
Porém agora ao pensar na minha resposta pronta, parece-me hoje que foi dada hà um milhão de anos atrás.
Mas sim, é verdade, não acredito no Amor, essa figura mítica sobre a qual tantos teorizam e descrevem de tantas formas. Porque não me dirá mais nada esta figura, passando-me quase ao lado?
O Amor é o sentimento humano que mais se presta a mal entendidos, uma emoção que tantas vezes pode pairar entre o Espaço e o Tempo: estarmos nós cá e ele lá, do outro lado, e ser como uma ténue inspiração, o reconhecimento fraco mas mediúnicamente possível, como se sempre tivessemos a certeza de uma nova teoria da Física, algo que sempre pairou no Eterno.
O Amor pode não ser mais nada além de simples histórias e palavras que se vão desfiando mas profundas nos nossos corações, como um conto infantil que vamos sabendo reconhecer sempre que lembramos as suas personagens.
Muito devagar vamos compreendendo essas personagens de cada uma das histórias, podemos ver-lhes as alegrias e tristezas como um reflexo das nossas, desvendando todos os "devia" e "não devia" que interiormente nos têm governado desde sempre.
Passamos as nossas vidas todas ponderando estas duas premissas e sempre que nos libertamos delas, dá-se uma transformação tal qual uma semente que lança raízes na terra e cresce.
Todos temos o direito de duvidar das nossas tarefas nesta estrada da Vida, de vez em quando abandonamo-las, mas nunca as esquecemos.
Talvés a questão seja os nossos desejos, alimentamo-los, eles crescem dentro de nós; como quando desejamos uma flor, colhemo-la e dentro de uns dias ela murcha e morre, o desejo permanece e queremos outra flor.
Este ardente desejo requer um número infindável de flores porque, esfomeado, não se extingue, não se aquieta. Os desejos não têm limites e tal como o espírito, também eles não têm forma nem fim, surgem um atrás do outros como pensamentos.
Procura-se então equilibrar esta balança satisfazendo outros desejos: o sexo, as compras, os copos com os amigos, ler e escrever até doerem os olhos e os dedos.
Sente-se assim alguma forma de "prosperidade" emocional, aprende-se a lidar com a zona obscura do mistério da solidão.
A felicidade, sempre fugás, sempre efémera, acontecerá então como fruto directo dos nossos actos? Então os porquês, tantos como grãos de areia, cadenciam em cada dúvida: será isto bom para mim? Será esta pessoa melhor que a outra anterior e pior que a seguinte? Serei punida ou serei recompensada? Valerá a pena...
Provavelmente a figura lendária do Amor não me diz nada por receio da rejeição ou por medo de virar uma cópia das ideias de alguém.
Nunca nada disto me preocupou muito e os instantes de silêncio que passo a escrever, abrindo as comportas da alma, funcionam como uma limpeza da acomulação de tóxinas do passar dos dias e dos turbilhões das emoções, como se me suprimisse para auto manutenção.
Tálvés continue a sorrir ao instante mágico do pôr-do-sol que finalmente se completa deixando vir a noite que começa a arrefecer-me a pele.
Há um quase valor instantâneo adquirido, uma micro-felicidade quando mergulho os dedos na areia branca e sinto os grãos viajarem anos-luz ao meu encontro, sinto-me consciente dessa unidade e do seu poder.
Respiro fundo e longamente...
Continuarei provavelmente sem compreender porque as relações amorosas resultam ou não resultam, se servem para alguma coisa e para quê afinal existe a figura atormentada e veloz do Amor, tão frágil mas tão marcante; afinal ele raramente nos dá aquilo que achamos que temos o direito de receber!...
Tento elevar-me acima da minha ignorância e pensar que, como disse Cristian Jacq, " o orgulho é a coragem do viajante que nunca se confessa vencido diante do mistério".
Os obstáculos nunca serão vencidos totalmente se não formos capazes de nos vencer a nós próprios.
... levanto-me, arranjo o cabelo em desalinho, sacudo a areia das calças e dirijo-me a casa.
Estou sózinha e tenho um leve sorriso nos lábios... afinal foi apenas mais um entardecer.


( a citação de Cristian Jacq pode ser encontrada na obra " A viagem iniciática ou os trinta e três graus de sabedoria" na pág 33 da editora Pergaminho; a foto tirei da net num qualquer site que não me recordo agora)

terça-feira, julho 25, 2006

Pintura e poemas 1






A pintura que aqui se encontra é de Isabel Lhano e o poema de José Carlos Soares

Desenha um caos
Quando passares a tinta em minha pele
e olha
O mundo a teus joelhos
Organizando o sal
Da razão ainda nele







segunda-feira, julho 24, 2006

Niveis de poluição on-line - Rede Ozono

Um novo site foi criado na internet e fornece-nos informações sobre os níveis de poluição em qualquer das regiões europeias em que os dados são actualizados hora a hora ( http://www.eea.europa.eu/maps/ozone/map ).
Estes dados são recolhidos por mais de 500 estações de monotorização da qualidade do ar.
Este site contém informações úteis e diversificadas para quem se interessa por estas temáticas e podem ser analisados dados de todos os países da UE e de outras regiões com importância bio-geográfica.
O site é da responsabilidade da European Invironment Agency ( http://www.eea.europa.eu/main_html ) onde também podemos ter acesso ao vídeo EEA Video News Release on climate change .
O site tem inúmeros links de acesso a informação interessante.

2ª Edição do Lisboa Soundz Festival... eu fui!!


Num espaço à beira Tejo, em Lisboa, no dia 22 de julho, com um calor abrasador mas com alguma brisa fresca mais para o final da noite, valeu a pena ter esperado para ver The Strokes e She Wants Revenge, ao vivo.
She wants Revenge, com som marcadamente Joy Division e Depeche Mode, os tiques do vocalista Justin Warfield, o rock com influências electrónicas a puxar o corpo para a dança, libertou-nos a todos e fez-nos transpirar pela primeira vez naquela tarde no Terraplano de Santos.
Uma certa desilusão pairou sobre a actuação dos Dirty Pretty Things que, de uma forma ou de outra, não conseguiram agarrar o público, na minha opinião, claro, ao seu estilo punk/rock britanico. Várias quebras de ritmo resultaram num som cru e, sem apostarem na desejada interacção com o público português, mesmo quando chegados ao tema 'Bang Bang You're Dead', não conseguiram mais que uma posição expectante.
O grupo carioca Los Hermanos foi uma surpresa para mim, deu para curtir o som pop/rock proposto até porque trazem uma secção de instrumentos de sopro muito interessantes.
Não vi Isobel Campbell, a ex-vocalista dos Belle & Sebastian, nem Howe Gelb e o grupo canadiano de Gospel que o acompanhou, porque não me pareceu pertinente ir assistir.
The Strokes, chegaram, abriram a sua prestação a rasgar e em menos de 1 minuto já se viam cabeças saltitantes, pés no ar por causa do moch e o próprio Julian Casablancas, vocalista da banda, não se fez rogado, sensivelmente a meio do espectáculo, em se juntar aos seus fãs, descendo do palco e misturando-se com a multidão, sem deixar de dar os desafinanços habituais, e com os quais ninguém se importou minimamente.
Cantaram quase tudo o que nos apetecia ouvir até porque todos pareciam preferir as canções que integram "Is this it", o primeiro e mais elogiado álbum da discografiada da banda. Brindaram-nos igualmente com temas incluídos no seu mais recente trabalho, "First Impressions Of Earth".
Os cinco magníficos levaram-nos ao rubro com temas como "Someday", "Hard to explain", "Ask Me Anything" ou, entre outras, "Last nite" e comoveram com o tema "I've got nothing to say..."
Os Strokes não resistiram aos pedidos de encore, terminando o espectáculo em apoteose com "New York City Cops" e "Take it or leave it", nunca desiludindo os seus largos milhares de fãs delirantes.
Em termos organizativos o Lisboa Soundz não se compara ao já muito bem extruturado Super Bock Super Rock, pois havia muito pouco por onde escolher se quisessemos matar alguma fomeca. Claro está que a cerveja não faltou, abençoados!
No compto geral foi positivo e para o ano espera-se nova edição, revista e aumentada, até porque, finalmente!, a oferta de espectáculos de verão na capital e arredores, parece já revestir-se de muita qualidade para todos os gostos e tendencias musicais.
Ouvi dizer que o rock morreu!! Porém não me parece boa ideia declarar o óbito desse estilo musical sem primeiro ouvir bem os Strokes!
O Rock está bem vivo e recomenda-se!!

sexta-feira, julho 21, 2006

O princípio da incerteza de Heisenberg


Werner Karl Heisenberg (5 de Dezembro de 1901, Würzburg, Alemanha - 1 de Fevereiro de 1976, Munique, Alemanha) foi um famoso físico alemão, laureado com o Prêmio Nobel de Física e um dos fundadores da Mecânica Quântica.
O seu princípio da incerteza, de forma resumida, prova que não existe algo como a tolerância zero.
Básicamente não existe a certeza de coisa alguma a 100%, ou seja, os acidentes acontecem e os imponderáveis são uma certeza da vida.
O que o "princípio da incerteza" de Werner Heisenberg realmente significa depende de a quem fazemos a pergunta teremos sempre respostas diversas, tendo descoberto este facto angustiante ao tentar lidar com as desafiadoras teorias da luz.
Concluiu que o próprio acto da observação, inevitável e irremediavelmente, distorce pelo menos uma das características do objecto que é observado.
Significa então que tudo aquilo que é observado por nós, em cada par de olhos existe uma observação diferente, cada cérebro recolhe e analisa de forma diferente e emite um parecer diferente.
Somos todos diferentes entre si, quer por razões culturais, sociais ou psicológicas.
Demasiados factores intervêm na nossa maneira de ver os factos da vida, opinamos de forma sempre diferente do vizinho do lado.
Por isso, não obstante sermos seres de "ideias fixas" este princípio da mecânica quântica ensina-nos que nos devemos manter flexíveis e permeáveis a novos factos, nunca supondo termos o controlo total de tudo o que nos acontece.
Até porque existem factores que podem perturbar o nosso julgamento e damos por nós, muitas vezes, a revisionar os nossos pensamentos e certezas.
Até a própria criação do universo, feito de uma singularidade cósmica, nos pode fazer pensar que tudo ou uma boa parte do que nos acontece é obra do acaso.
Vivemos, provavelmente, na ilusão que controlamos as nossas vidas ao promenor mas quantas vezes são exactamente os pequenos promenores que alteram o curso de vidas altamente planeadas.

... foi apenas um tema ligeirinho que gostaria de lançar para comentarem, agora que vamos para um merecido fim de semana...

quarta-feira, julho 19, 2006

Liberdade de expressão e pedofilia

O livre arbítrio ou a liberdade de expressão não elimina o facto da pedófilia ser um crime.
Mais que um crime é um elemento devastador quando atravessa a vida de uma criança.
Os pedófilos não escolhem apenas corpos "maduros" o suficiente para serem "colhidos", escolhem crianças de dias ou de meses.
Estas não podem decidir por elas próprias se querem sexo consentido ou não com um adulto.
Sabemos igualmente que muitos destes homens e mulheres são profundamente disfuncionais na sua sexualidade pois nem lhes é exequível relacionarem-se entre si, por apenas considerarem sexualmente excitante apoderarem-se da inocência das suas vítimas.
Igualmente desprezível é a pornografia ou prostituição infantis.
Claro que o que hoje é considerado pedófilia a nível de sexo entre adultos e adolescentes, não há assim tantos séculos, era socialmente aprovado e encorajado.
Contudo acho perigosa, muito perigosa, esta total desculpabilização, esta permissibilidade, estas linhas cada vez mais ténues entre o que é certo ou errado.
Não estou a falar do moralmente aceitável em sociedade, mas desta permissibilidade legal quase total que permite albergar no mesmo espaço criminosos e pessoas de bem.
Claro que tudo isto gera polémica, vende jornais e revistas, suscita debates apaixonados.
Mais uma vez o dinheiro impera, se há produto é porque há mercado.
Destesto pensar que esta é mais uma manobra estúpida de meia dúzia de bacocos burgeses que se fartaram de ver televisão ou de bater umas punhetas e chegam-se à frente apenas para atirar mais uma poia de merda na cara do mundo inteiro.
Se isto é ou não uma manobra de diversão, como o foi a chegada a deputada da famosa "Cicholina", não me interessa!
Sou contra e manifestei o meu desagrado, acho isto perigoso.
Esta gente não está sózinha, e vêm dar voz a muitos mais, é isso que me incomoda verdadeiramente.
O que me incomoda também é a visibilidade que estas coisas têm e chegam rápidamente às nossas mentes, enquanto que campanhas e mais campanhas de sensibilização e alerta, no sentido contrário, ao que é proposto por este "grupo terrorista ideólogico", quase nos passam ao lado e raramente ganham adeptos.
Se ainda não o fizeram vejam o filme "Hard Candy"a abordagem a esta temática é aquela que muitas das pessoas gostaria de ter perante um pedófilo ou qualquer outro criminoso absurdamente grave.
Até porque se detemos o direito de livre arbítrio e liberdade de expressão porque cargas de àgua não teremos também o de tomar a justiça por nossas próprias mãos ?

Holanda autoriza partido pedófilo


Fui, hoje, surpreendida pela notícia publicada em vários jornais que infroma que a Holanda permitiu que o partido político PNVD fosse criado.
Um tribunal de Haia acabou por chumbar um requerimento que proíbia a criação do partido, cujas iniciais traduzem Amor Fraternal, Liberdade e Diversidade, por este não ter cometido nenhum crime.
Esta proibição, caso fosse aprovada, seria contrária ao regime democrático vigente naquele país a qual violaria os direitos à liberdade de expressão dos seus cidadãos.
O PNVD conta com apenas três membros assumidamente pedófilos que defendem a legalização de relações sexuais entre adultos e crianças com mais de 12 anos.
De notar que a idade mínima legal de consentimento de relações sexuais de crianças e de adultos varia conforme os países, na Holanda e na maioria dos países da União Europeia é de 16 anos. No Canadá, por exemplo, é legar a partir dos 14 anos.
A justiça holandesa traquiliza-nos a todos informando que esta associação partidária, provavelmente, não irá somar os 60 mil votos necessários para eleger um deputado a ter assento no Parlamento...
O programa político do PNVD, além da questão das idades já mencionada, defende que a televisão possa exibir pornografia a qualquer hora, que os jovens de 16 anos já possam exercer a prostituição, que a nudez seja livre e que a instituição do casamento seja abolida.
Estamos perante uma liberal Holanda chocada com estes acontecimentos até porque o recém-nascido partido promove , por exemplo, a proibição de escolas religiosas, a criminalização da morte de animais, mesmo que para a alimentação, e a abolição do Senado.
Ou seja, não se podem matar animais para comer mas podem comer-se criancinhas ao pequeno almoço, ao almoço ou ao jantar!
Marthijn Uittenbogaard, líder do partido, e passo a citar, diz :
"Acreditamos que a Holanda está pronta para o nosso partido.E, se conseguirmos ir para a frente, queremos mostrar ao resto da Europa que é importante defender a liberdade. Neste momento não há nenhum partido verdadeiramente liberal. E faz muita falta." , citei.

Não se contenham, comentem...

terça-feira, julho 18, 2006

As insónias dão-me para isto...

Era bom ter dormido esta noite...

Noites negras passadas a escutar músicas impróprias para consumo de corações algo incompletos... Procurem esta estranha música, oiçam e delirem.
Mais um tema cadenciado excelente para fazer mover corpos, sublimando desejos inconfessáveis...
Existem outros... este é bom, até porque à noite está demasiado calor e só apetece...hummmm...

"In My Arms" - RUFUS WAINWRIGHT

You gave me all your love in one day
You gave it all and almost faded away
I'm going to take this sad and unread issue
In my arms tonight
Looking at hospitals victorian
Feeling as helpless as the elephant man
Wish you were here
To chain you up without shame
In my arms tonight
So if you should feel a bit out of place
This vision not unlike a shooting star
I have embraced

I ain't a soft and saccharine wannabe
Still I pray to god this song will end happily
So I offer you a place to rest and forget yourself
In my arms tonight
yourself
In my arms tonight
a place to rest and forget yourself
In my arms tonight

… maldito calor vai-te embora e deixa-me dormir...!... as a falling (k)night...

segunda-feira, julho 17, 2006

2º Salão Erótico de Lisboa - e o depois...


Disse que ia e fui! Foi hilariante como eu estava à espera, mais ordeiro do que estava à espera e pior do que estava à espera.
De notar a presença de muitos casalinhos homo e heterosexuais disfrutando da experiencia juntos, se bem que o tão apregoado stand de "swing" fosse uma completa chachada. Aliás nada começa a horas em parte alguma deste país...
O público masculino, bacoco e de meia idade, na sua maioria, ia sendo refrescado pela presença das camadas mais jovens com um espírito de quase ida a concerto. Os comentários aconteciam antes e depois de cada espectáculo, raramente durante.
Apenas excepcionalmente houve trocas de palavras ou de olhares entre os participantes nas "bancadas" e quando aconteceram foram para comentar as propriedades das máquinas de filmar ou fotografar de uns e de outros ou para lançar algum sorriso mais malicioso mas nunca demasiado intencional.
Os shows de strip masculinos foram uma vergonha, os espectáculos lésbicos tinham a incompreensível participação de elementos masculinos do público. Não vi nada que pudesse sugerir a existência de algo ligado a fetiches ou a actividades S & M ou Bondage onde se pudesse participar ou trocar impressões, além do que estava exposto como numa sex shop vulgar ( filmes e adereços e muito poucos), exceptuando a exibição muito discreta da publicação do 1º número de uma revista àcerca do tema, absurdamente cara.
As lutas de lama não tinham lama, o palco estava a mais de meio metro acima das cabeças dos mais altos, sei lá eu o que se passou ali realmente, mas o que se viu deu para divertir um pouco.
As stripers tinham cara de pouco amigos quando pousavam para as fotos apesar da "meiguice" toda dos nossos rapazes, exceptuando uma que se deixou lamber, chupar e acariciar pelos participantes que queriam levar uma recordação, desculpem não fixei o nome...
De notar o enorme profissionalismo das pessoas dos stands de venda de objectos e filmes, solícitos, simpáticos, informados, nada daquele tipo de pessoas estranhas e pouco comunicativas que costumam atender-nos em algumas das sex shops da capital.
O ponto alto da noite de sábado aconteceu aquando da subida ao palco de Sónia Baby (na imagem), a espanhola acrobata do sexo. Despiu-se, escreveu e desenhou com um marcador introduzido na vagina e, climax dos climax para todos nós que assistimos, tirou 23 metros de uma corrente com pérolas previamente introduzidas na já mencionada parte da sua anatomia.
Se não tivesse visto não acreditava, se tivesse recebido um filme por e-mail, não acreditava. Toda a audiencia que ali se encontrava estava a ver e não estava a acreditar.
Quando o espectáculo daquela perfomer terminou todos suspirámos de alívio e afastámo-nos à pressa do palco, não fosse ela se lembrar de tirar mais alguma coisa dos seus recônditos locais anatómicos.
Os elementos do público que participaram em alguns dos espectáculos estavam, óbviamente e préviamente combinados e eram sempre os mesmos exceptuado uma ou duas ocasiões apenas. Ah e nada de sexo ao vivo, não da forma como toda a gente esperava, claro!
Também não imagino onde se esconderam os cabeleireiros íntimos! Devem ser mesmo muiiiitooo íntimos.
Porém a nota que quero aqui registar é que, nenhuma mas nenhuma mesmo, daquelas mulheres fez alguma coisa que me parecesse fora do comum a nível de exibição sexual de per si.
Todas tinham celulite, todas tinhas recorrido a implantes mamários ou a arranjos estéticos físicos e todas estavam profusamente maquilhadas e penteadas por forma a fazer sobressair o melhor delas, como qualquer uma de nós faz ou gostaria de fazer eventualmente.
Isto significa que aquelas supostas deusas do sexo são mulheres, bonitas algumas outras é melhor esquecer, perfeitamente comuns, inclusivé no público havia mulheres mais bonitas fisicamente. Os stripers masculinos então nem vou comentar... até o meu acompanhante estava melhor ; ))!
Concerteza são muito desinibidas, pudera! mas não demonstraram que fossem assim tão especiais a ponto de nos vir ensinar nada de novo.
Nota 20 abaixo de zero para o animador do palco principal que mais parecia um animador de circo ou de feira de província!... o que era aquilo, por favor?! só faltou gritar, meninos e meninas, mais uma corrida mais uma viagem...!
Parece que para o ano há mais, não percam, como experiencia vale a pena, nem que seja, como foi o meu caso, para formar uma opinião extritamente pessoal que agora divido convosco.
A foto que ilustra este post foi gentilmente cedida pelo meu amigo de longa data e acompanhante nestas e noutras maluqueiras, podem visitar o seu fotoblog dando um saltinho ao endereço ruipfg.buzznet.com.

quinta-feira, julho 13, 2006

2º Salão Erótico de Lisboa - o antes...

Como certamente sabem, começa hoje a 2ª edição do Salão Erótico de Lisboa. O ano passado a coisa passou-me ao lado, mas este ano tenciono ir ver, até mesmo para conseguir formar uma opinião pessoal sobre o tema.
Segundo a Agência Lusa a "grande novidade (...) do evento é a criação de uma "área lúdica", onde os visitantes poderão, por exemplo, participar de shows eróticos, tirar fotos na cama ou beber doses de bebidas directamente da boca de actores e actrizes da indústria de cinema pornográfico", citei.
Também parece que a grande atracção serão as sessões de sexo ao vivo com a participação directa de elementos do público. Nem sei se comente...
O "swing" e a sua preferencia entre os casais portugueses hoje em dia, também de acordo com a análise dos organizadores do evento, terá um enorme destaque.
Nada do que leio ou oiço da boca das pessoas me suscita qualquer comentário digno de registo, pelo menos para já.
Sómente penso que transformar a indústria da pornografia e toda a parafrenália que a cerca, desde as pessoas envolvidas ao material exposto, numa manifestação cultural de carácter quase intelectual, um enorme exagero.
Contudo, sem falsos moralismos, considero a iniciativa interessante sob o ponto de vista lúdico, porém duvido que o mesmo vá realmente proporcionar a tão desejada mudança de mentalidades na sociedade portuguesa ou sequer servir para alertar o cidadão comum para a urgente necessidade de encarrar a sexualidade sob um ponto de vista saudável e responsável.
De notar, por exemplo, que, não obstante a enorme divulgação que o sexo, nos tempos modernos, tem vindo a ter, não se assiste a uma efectiva melhoria da vida sexual de todos nós.
São vários os estudos sociológicos que apontam para o facto de, homens e mulheres, quer cultural quer psicológicamente, estarem cada vez mais "distantes" uns dos outros.
Desta forma, não obstante concordar em absoluto com estas iniciativas, acredito que a casa continua a ser construída pelo telhado.
Como podemos, nós mulheres, ter melhor sexo se tantos homens continuam a desconhecer, no todo ou na parte, a fisiologia feminina? Já nem teço considerandos sobre a parte psicológica, senão tinhamos pano para várias doses de mangas. Mas também que dizer de algumas mulheres que continuam a considerar o sexo como algo de segunda categoria nas suas vidas?
É curioso notar que, na edição do ano passado, as compras feitas pelas mulheres que visitaram os stands foram essencialmente vibradores, lubrificantes e lingerie erótica... não sei exactamente o que isto significa mas será que nos estamos a divertir mais sózinhas?
Será que necessitamos cada vez mais de fazer despertar os instintos de leão dos nossos companheiros, ocasionais ou regulares, recorrendo a objectos que constam de filmes pornográficos?
Ou será apenas que decidimos usar de toda a nossa imaginação, de forma assistida ( e porque não?...), para ensinar qualquer coisinha a esta malta masculina e aprendermos a disfrutar do nosso corpo e do deles/delas na sua plenitude?
Seja lá o que realmente for, uma feira erótica/pornográfica serve para exibir/divulgar a indústria do sexo, porque, segundo consta, movimenta mais dinheiro que a indústria da droga ou do comércio de armas ilegais. O dinheiro! ah vil metal!, esse sim é o móbil deste certame, não a mudança de mentalidades, não sejamos ingénuos.
Porque se fosse, o preço dos ingressos, seria acessível à mais baixa da nossa camada social para todos puderem ter a oportinudade de ir ver e tirar da cabeça velhissímos tabus.
Posso, a título ilustrativo, contar-vos uma história de um homem que, após visitar todos os dias do evento do ano passado, concluiu e ficou convencido dessa conclusão, que as mulheres com peso a mais, vulgarmente chamadas de gordas, não deveriam praticar sexo!! Palavras para quê? mais um artista português no seu melhor... ainda bem que não são todos iguais.
Contudo apenas análises futuras e após a realização de várias edições deste salão, se poderá tomar o pulso à libertação das fantasias sexuais dos portugueses/portuguesas médios.
Mesmo assim reservo as minhas dúvidas. Irei ver de espírito absolutamente escancarado e com uma enorme dose de bom humor, tanto mais não seja porque será como uma visita aos espaços mais recônditos e intimos da mente humana.
Na primeira edição, 35 mil pessoas visitaram o Salão Erótico, esperam-se agora 50 mil, é muita mente de primata a funcionar, mal posso esperar! ; ))
A minha mente também vai lá estar e, claro, o corpo acompanha-a, pois de certeza que as minhas sensações e de todos os outros visitantes serão absolutamente hilariantes de observar.
Quem vai, por favor, comente o que viu e sentiu, quem não for, comente também, será certamente interessante fazê-lo.

segunda-feira, julho 10, 2006

As Deusas e as Mulheres - Arquétipos I



As mulheres com as quais me identifico e cujo arquétipo evoco em mim, são as amantes do riso, de encanto irresistível, graciosas, sempre apaixonadas, sentem-se belas e atraentes.
São as Afrodite/Vénus, imortalizadas por Botticelli, a nascer emergindo do mar, acompanhada pelos deuses do vento esvoaçando à sua volta, no meio de pétalas de flores que caem.
Estas mulheres, normalmente rodeadas de presenças masculinas, são sempre uma força de renovação actuando, muitas vezes, de forma inesperada, qual pedrada no charco.
Os seus principais interesses são o prazer, o amor, a beleza, a sexualidade e a sensualidade.
Sendo por natureza exigentes, porque amam o prazer, sentem-se naturalmente impelidas a desenvolver cedo os seus traços criativos.
Infelizmente, estas mulheres, talvés mais que quaisquer outras, que cedo desenvolvem a sua sensualidade e sexualidade, têm a sua imagem profundamente degradadas pelas culturas judaico-cristãs, muçulmanas ou de características marcadamente patriarcais, sendo demasiadas vezes ostracizadas porque, de alguma forma, desobedecem aos padrões milenares vigentes de moralidade e, nos tempos bíblicos, eram apredrejadas e/ou sentenciadas à morte, prática ainda corrente nos dias de hoje em países islâmicos.
Enfrentam igualmente a desvalorização por parte das suas famílias, os núcleos sociais primordiais por execelencia, que as consideram frívolas e até, em casos extremos, perigosas, sofrendo pressões por parte do pai e da mãe (manifestações de "mentalidade de carrasco") para que desenvolvam uma mentalidade "controlada e convencional".
Contudo, as mulheres que cultivam o amor e a paixão nas suas personalidades, espalham magia à sua volta, especialmente quando amam e são correspondidas, pois fazem incidir uma luz dourada no objecto da sua afeição e, não vendo mais que beleza e perfeição, geram uma enorme aura de erotismo e magnetismo. Perante o reverso da medalha, ou seja, quando não correspondidas, são cruéis e insatisfeitas, sofrendo enormemente por não serem capazes de resistir à atracção que sentem pela pessoa amada.
Mulheres criativas por excelencia procuram sempre a fusão e união de corpos e ideias, interagindo para criar, em resultado final, algo de novo, porque criar é sensual, processo este que brota intenso e apaixonado. Criar é uma experiencia sensual como por exemplo a escrita, o papel personifica o amante, o corpo do outro, ou a pintura, a tela em branco, onde intensamente e de sentidos alerta, se cria, se transforma, até ao climax do resultado final. Após o processo terminado, ou a paixão vivida, passa-se ao seguinte, sem se deter, seguindo o quê ou quem as fascina, de preferencia de uma forma não convencional, sem o sentido de pecado.
Mulheres naturalmente carismáticas, electrizam tudo à sua volta e, mesmo sem corresponderem aos canônes de beleza convencional, atraem, podendo eventualmente nao ser objectivamente muito belas. Assustam muitos tipos de homens e são evitadas ostensivamente pelas "meninas bem comportadas".
Apesar de fascinantes, estas mulheres não se orientam para atingir elevados objectivos académicos ou de carreira, a menos que o assunto as fascine ou envolva interacção com outras pessoas, pois necessitam sempre de envolvimento emocional.
Apesar de tantas qualidades, não raro sofrem com as suas escolhas sentimentais pois atraem homens como elas, criativos, complexos, temperamentais, inconsequentes por não terem objectivos demarcados ou não serem ambiciosos, emocionalmenbte "aleijados", que se refutam a assumir compromissos, tanta vez sós e hostis, impacientes, frequentemente com sídroma de Peter Pan.
As Afrodites adoram crianças e são por elas adoradas pois mutuamente se olham sem se julgarem, a empatia é rápida porque estimulam nas crianças o desenvolvimento da sua verdadeira personalidade e criatividade, sublinhando a sua beleza interior e exterior, o seu talento natural, elogiando-as sempre.
Nesta mulher, a criança irrequieta e curiosa, quantas vezes de mau génio, permanece intacta e sempre disposta a emergir.

sexta-feira, julho 07, 2006

A obra dramática de Gil Vicente



Resposta de um aluno de liceu a uma pergunta sobre a obra
dramática de Gil Vicente, transcrita no Público de 11.8.2004:

"Eu não tenho dúvidas que o Gil Vicente é muito importante,
a pesar de nunca ter ganhado o campionato de futebol.
É importante porque ás vezes ganha ao Benfica, otras ao
Sporting e otras ao Porto, tirando a eles o primeiro logar.
E também por isto é que a sua obra é dramática porque é um
drama para os benfiquistas, os sportinguistas e os portistas
quando ganha."

Esta não é minha mas tinha que dividir isto convosco, é de morrer a rir!

quinta-feira, julho 06, 2006

Odeio baguettes!...

Apesar do futebol não ser a "minha praia", seria quase impossível não estar solidária com a massa associativa lusitana neste momento de dor e desilusão.
Perdemos com os manhosos franceses neste mundial e há 32 anos que o cozido à portuguesa não vence a famigerada baguette francesa.
Como falar de futebol vai ser o lugar mais comum nestes próximos dias e deixando os comentários aos entendidos na matéria, resta-me fazer uma análise dos franciús, tão negra quanto possível, deitando-os tão abaixo como a moral do nosso povo está agora.
Chamem-lhe mau perder, dor de cotovelo, dor de corno ou dores em qualquer outra parte da anatomia humana ou animal, resta-me o patrótico gesto de os mandar encher de moscas.
Sabiam por acaso que os franceses são tão aberrantes e convencidos que, até a Comissão da União Europeia lhes ter estragado o arranjinho, os carros registados em França desde 1936 eram obrigados a usar faróis amarelos enquanto todos os outros faróis pela Europa fora eram incolores? Só para protegerem a sua indústria automóvel e para serem diferentes, vejam bem!
Sabem também que os franceses insistem na aberração de dizer soixante-dix (60) e quatre-vingt (80) quando os suíços vivem confortáveis com septante ou huitante ou mesmo octante?
Mary Morgan, que treinou os EUA nas Olímpiadas de Inverno de 1992 em Albertville, disse dos franceses: "eles são assim: muito artísticos, péssimos organizadores".
Diz-se também deles que são alegres, activos e vivos, de comportamento gracioso, mas bastante vaidosos.
Um artigo, já com alguns anos, sobre economia do "The Economist", referiu-se aos franceses como sendo "mal-educados, chauvinistas, gananciosos até", e, em estudos europeus são considerados, em geral , pelos outros europeus, como sendo convencidos, demasiado individualistas e curiosos e com a mania que têm sempre razão.
D. H. Lawrence comentava que os franceses "estão condenados a ser abstractos. Falar com eles é como tentar ter uma relação com a letra x da àlgebra".
O próprio Charles de Gaulle perguntava em desespero " como é que se pode esperar governar um país que tem duzentos e quarenta e seis tipos de queijo?"...
Não existem dúvidas quanto à agilidade de espirito dos franceses, em destaque dos parisienses, os quais dominam inegavelmente a actividade do país, até porque foi um francês que inventou o IVA e o conseguiu vender aos outros membros da União Europeia, para desgraça de todos nós.
Porém, ao considerarem-se cartesianos, os franceses são tão abstractos que se auto anulam, reparem por exemplo na forma como são apresentados certos documentos comerciais franceses: a numeração e apresentação dos parágrafos sobrepõem-se ao conteúdo, sendo, por isso, muito fracos quanto ao que toca ao senso comum.
De si próprios, como povo, dizia um francês, "damos demasiada importância às ideias e muito pouca à sua aplicabilidade", ou ainda outro "somos lógicos mas não para fazer coisas lógicas. É apenas para podermos explicar de uma forma aparentemente lógica as coisas ilógicas que fazemos".
Os franceses têm uma necessidade natural de exibicionismo e de provocação, veja-se pela moda e pelo design, e complicam apenas pelo prazer de complicar. Têm um desejo neurótico de serem diferentes e o francês vulgar nunca admite que está errado, é o chauvinismo visceral no seu estado mais puro.
Os franceses fartam-se de ridicularizar ambos os povos do Norte e ainda os que se localizam a sul dos Alpes, porém, ainda recentemente, um livro francês sobre a Europa, de qualidade excelente, sugeria que a Holanda fazia fronteira com a Dinamarca...!!!...
E de tão intelectuais e cultos que são, um estudo ainda recente revelava que, uma percentagem alarmante de inquiridos situava amesterdão algures entre Copenhaga e Moscovo...
São igualmente os atrasados crónicos da Europa no que toca a chegar a horas às reuniões que fazem a pretexto de tudo e nada, como se pode ver pela entrada tardia e egocêntrica no jogo de ontem, aquando do início da 2ª parte.
Como Napoleão provou, os franceses têm um enorme potencial para o bem e ocasionalmente para o mal, vendo-se demasiadas vezes desmoralizados pela História, pela política ou mesmo pelo próprio azar.
Porém esta não foi a vez deles de morder o pó às mãos desta raça Lusa... Fomo bons, fomes melhores, honestos, limpos, graciosos mas não tivemos a mesma pitada de sorte e inteligencia que nos fez chegar tão longe.
Contudo a vingança é um prato que se come frio e devagar... chegará a nossa vez também, e, certamente aí a vitória valerá por todas as derrotas.

VIVA A RAÇA LUSITANA!