
segunda-feira, julho 31, 2006
Férias!!!

sexta-feira, julho 28, 2006
Fumar...

quinta-feira, julho 27, 2006
Babe, u can leave your boots on...


Por falar em homens de botas...
Estas não são as minhas botas favoritas, mas ele não está nada mal!
Faz-me recordar um escorpião macho há algum tempo, numa dança de fogo...
Tinha a boca irressístível do Humphrey Bogart, um estilo muito noir, uns olhos doces, uma perdição.
A casa era velha, cheia de tralha, as pinturas dele, as recordações do pai, as desventuras e venturas amorosas próprias segredadas a dois, em pleno Bairro Alto.
Descobriu-me um buraquinho nas meias pretas de rede enquanto me lambia e mordia... eu gemia deliciada e disse-lhe: Esse buraquinho é parecido com aquela cena do filme " O Piano", quando o pecado ameaçava surgir e crescia já, irremediável, não te parece?...
Ele concordou e regressei a casa com as meias negras de rede feitas em tiras...
... ele nunca tirou as botas, fantástico ser... botas negras pesadas de biqueira de aço... hummmmm...
na manhã seguinte chovia uma morrinha suave...
pena teres sido sempre um envergonhado... assustei-te foi?
Saltos Altos

Gosto deles, não os uso com frequencia, admito contrafeita, mas gosto de os ver, de olhar para eles, de sentir a sua textura, o salto em bico a terminar numa agulha fina.
Azuis, vermelhos, pretos, de verniz, de pele, com brilho ou sem ele, um salto alto é algo indissociável do meu imaginário feminino.
Não digo que cheguem a ser um fetiche;
O fetiche para mim são as botas de homem, pecadora me confesso, adoro-os de botas, não posso fazer nada está-me no ADN. Claro que não é todo o tipo de botas, mas gosto de quase todas.
Mas falava-vos de saltos altos... são belos, sensuais, sexys, e fazem pelas nossas pernas, pelo nosso corpo, algo que outros adereços deixam incompleto.
quarta-feira, julho 26, 2006
Pensamentos ao pôr-do-sol...
Ainda se sentia algum calor mas a brisa soprava a ponto de me desalinhar os cabelos.
Em vez de ir para casa e cumprir a rotina diária, desci a colina e fui até à praia. A areia estava morna e clara, sentei-me e olhei para o sol que se punha.
Alguma coisa estava errada neste bucólico quadro de fim de tarde... uma mulher, ainda jovem, sentada sózinha na areia assistindo a um cálido final de dia na praia... o que poderia ter esta cena de tão errado?...
Talvés seja a constante tristeza, as mudanças de humor, o sobrolho carregado, a falta de paciencia para as tarefas do dia-a-dia, a respiração que se acelera quando certos pensamentos afloram a mente.
- Problemas de "coração"?... - perguntou-me um amigo há uns dias atrás ao ver-me mais absorta que o habitual defronte de um café misturando um açúcar que nunca ponho.
- Que tolice!, respondi eu - sabes que não tenho esse tipo de problemas, conheces-me bem, eu nunca me apaixono... nem sequer acredito no amor!...
Porém agora ao pensar na minha resposta pronta, parece-me hoje que foi dada hà um milhão de anos atrás.
Mas sim, é verdade, não acredito no Amor, essa figura mítica sobre a qual tantos teorizam e descrevem de tantas formas. Porque não me dirá mais nada esta figura, passando-me quase ao lado?
O Amor é o sentimento humano que mais se presta a mal entendidos, uma emoção que tantas vezes pode pairar entre o Espaço e o Tempo: estarmos nós cá e ele lá, do outro lado, e ser como uma ténue inspiração, o reconhecimento fraco mas mediúnicamente possível, como se sempre tivessemos a certeza de uma nova teoria da Física, algo que sempre pairou no Eterno.
O Amor pode não ser mais nada além de simples histórias e palavras que se vão desfiando mas profundas nos nossos corações, como um conto infantil que vamos sabendo reconhecer sempre que lembramos as suas personagens.
Muito devagar vamos compreendendo essas personagens de cada uma das histórias, podemos ver-lhes as alegrias e tristezas como um reflexo das nossas, desvendando todos os "devia" e "não devia" que interiormente nos têm governado desde sempre.
Passamos as nossas vidas todas ponderando estas duas premissas e sempre que nos libertamos delas, dá-se uma transformação tal qual uma semente que lança raízes na terra e cresce.
Todos temos o direito de duvidar das nossas tarefas nesta estrada da Vida, de vez em quando abandonamo-las, mas nunca as esquecemos.
Talvés a questão seja os nossos desejos, alimentamo-los, eles crescem dentro de nós; como quando desejamos uma flor, colhemo-la e dentro de uns dias ela murcha e morre, o desejo permanece e queremos outra flor.
Este ardente desejo requer um número infindável de flores porque, esfomeado, não se extingue, não se aquieta. Os desejos não têm limites e tal como o espírito, também eles não têm forma nem fim, surgem um atrás do outros como pensamentos.
Procura-se então equilibrar esta balança satisfazendo outros desejos: o sexo, as compras, os copos com os amigos, ler e escrever até doerem os olhos e os dedos.
Sente-se assim alguma forma de "prosperidade" emocional, aprende-se a lidar com a zona obscura do mistério da solidão.
A felicidade, sempre fugás, sempre efémera, acontecerá então como fruto directo dos nossos actos? Então os porquês, tantos como grãos de areia, cadenciam em cada dúvida: será isto bom para mim? Será esta pessoa melhor que a outra anterior e pior que a seguinte? Serei punida ou serei recompensada? Valerá a pena...
Provavelmente a figura lendária do Amor não me diz nada por receio da rejeição ou por medo de virar uma cópia das ideias de alguém.
Nunca nada disto me preocupou muito e os instantes de silêncio que passo a escrever, abrindo as comportas da alma, funcionam como uma limpeza da acomulação de tóxinas do passar dos dias e dos turbilhões das emoções, como se me suprimisse para auto manutenção.
Tálvés continue a sorrir ao instante mágico do pôr-do-sol que finalmente se completa deixando vir a noite que começa a arrefecer-me a pele.
Há um quase valor instantâneo adquirido, uma micro-felicidade quando mergulho os dedos na areia branca e sinto os grãos viajarem anos-luz ao meu encontro, sinto-me consciente dessa unidade e do seu poder.
Respiro fundo e longamente...
Continuarei provavelmente sem compreender porque as relações amorosas resultam ou não resultam, se servem para alguma coisa e para quê afinal existe a figura atormentada e veloz do Amor, tão frágil mas tão marcante; afinal ele raramente nos dá aquilo que achamos que temos o direito de receber!...
Tento elevar-me acima da minha ignorância e pensar que, como disse Cristian Jacq, " o orgulho é a coragem do viajante que nunca se confessa vencido diante do mistério".
Os obstáculos nunca serão vencidos totalmente se não formos capazes de nos vencer a nós próprios.
... levanto-me, arranjo o cabelo em desalinho, sacudo a areia das calças e dirijo-me a casa.
Estou sózinha e tenho um leve sorriso nos lábios... afinal foi apenas mais um entardecer.
( a citação de Cristian Jacq pode ser encontrada na obra " A viagem iniciática ou os trinta e três graus de sabedoria" na pág 33 da editora Pergaminho; a foto tirei da net num qualquer site que não me recordo agora)
terça-feira, julho 25, 2006
Pintura e poemas 1
segunda-feira, julho 24, 2006
Niveis de poluição on-line - Rede Ozono
2ª Edição do Lisboa Soundz Festival... eu fui!!

Num espaço à beira Tejo, em Lisboa, no dia 22 de julho, com um calor abrasador mas com alguma brisa fresca mais para o final da noite, valeu a pena ter esperado para ver The Strokes e She Wants Revenge, ao vivo.
She wants Revenge, com som marcadamente Joy Division e Depeche Mode, os tiques do vocalista Justin Warfield, o rock com influências electrónicas a puxar o corpo para a dança, libertou-nos a todos e fez-nos transpirar pela primeira vez naquela tarde no Terraplano de Santos.
Uma certa desilusão pairou sobre a actuação dos Dirty Pretty Things que, de uma forma ou de outra, não conseguiram agarrar o público, na minha opinião, claro, ao seu estilo punk/rock britanico. Várias quebras de ritmo resultaram num som cru e, sem apostarem na desejada interacção com o público português, mesmo quando chegados ao tema 'Bang Bang You're Dead', não conseguiram mais que uma posição expectante.
O grupo carioca Los Hermanos foi uma surpresa para mim, deu para curtir o som pop/rock proposto até porque trazem uma secção de instrumentos de sopro muito interessantes.
Não vi Isobel Campbell, a ex-vocalista dos Belle & Sebastian, nem Howe Gelb e o grupo canadiano de Gospel que o acompanhou, porque não me pareceu pertinente ir assistir.
The Strokes, chegaram, abriram a sua prestação a rasgar e em menos de 1 minuto já se viam cabeças saltitantes, pés no ar por causa do moch e o próprio Julian Casablancas, vocalista da banda, não se fez rogado, sensivelmente a meio do espectáculo, em se juntar aos seus fãs, descendo do palco e misturando-se com a multidão, sem deixar de dar os desafinanços habituais, e com os quais ninguém se importou minimamente.
Cantaram quase tudo o que nos apetecia ouvir até porque todos pareciam preferir as canções que integram "Is this it", o primeiro e mais elogiado álbum da discografiada da banda. Brindaram-nos igualmente com temas incluídos no seu mais recente trabalho, "First Impressions Of Earth".
Os cinco magníficos levaram-nos ao rubro com temas como "Someday", "Hard to explain", "Ask Me Anything" ou, entre outras, "Last nite" e comoveram com o tema "I've got nothing to say..."
Os Strokes não resistiram aos pedidos de encore, terminando o espectáculo em apoteose com "New York City Cops" e "Take it or leave it", nunca desiludindo os seus largos milhares de fãs delirantes.
Em termos organizativos o Lisboa Soundz não se compara ao já muito bem extruturado Super Bock Super Rock, pois havia muito pouco por onde escolher se quisessemos matar alguma fomeca. Claro está que a cerveja não faltou, abençoados!
No compto geral foi positivo e para o ano espera-se nova edição, revista e aumentada, até porque, finalmente!, a oferta de espectáculos de verão na capital e arredores, parece já revestir-se de muita qualidade para todos os gostos e tendencias musicais.
Ouvi dizer que o rock morreu!! Porém não me parece boa ideia declarar o óbito desse estilo musical sem primeiro ouvir bem os Strokes!
O Rock está bem vivo e recomenda-se!!
sexta-feira, julho 21, 2006
O princípio da incerteza de Heisenberg

Werner Karl Heisenberg (5 de Dezembro de 1901, Würzburg, Alemanha - 1 de Fevereiro de 1976, Munique, Alemanha) foi um famoso físico alemão, laureado com o Prêmio Nobel de Física e um dos fundadores da Mecânica Quântica.
O seu princípio da incerteza, de forma resumida, prova que não existe algo como a tolerância zero.
Básicamente não existe a certeza de coisa alguma a 100%, ou seja, os acidentes acontecem e os imponderáveis são uma certeza da vida.
O que o "princípio da incerteza" de Werner Heisenberg realmente significa depende de a quem fazemos a pergunta teremos sempre respostas diversas, tendo descoberto este facto angustiante ao tentar lidar com as desafiadoras teorias da luz.
Concluiu que o próprio acto da observação, inevitável e irremediavelmente, distorce pelo menos uma das características do objecto que é observado.
Significa então que tudo aquilo que é observado por nós, em cada par de olhos existe uma observação diferente, cada cérebro recolhe e analisa de forma diferente e emite um parecer diferente.
Somos todos diferentes entre si, quer por razões culturais, sociais ou psicológicas.
Demasiados factores intervêm na nossa maneira de ver os factos da vida, opinamos de forma sempre diferente do vizinho do lado.
Por isso, não obstante sermos seres de "ideias fixas" este princípio da mecânica quântica ensina-nos que nos devemos manter flexíveis e permeáveis a novos factos, nunca supondo termos o controlo total de tudo o que nos acontece.
Até porque existem factores que podem perturbar o nosso julgamento e damos por nós, muitas vezes, a revisionar os nossos pensamentos e certezas.
Até a própria criação do universo, feito de uma singularidade cósmica, nos pode fazer pensar que tudo ou uma boa parte do que nos acontece é obra do acaso.
Vivemos, provavelmente, na ilusão que controlamos as nossas vidas ao promenor mas quantas vezes são exactamente os pequenos promenores que alteram o curso de vidas altamente planeadas.
... foi apenas um tema ligeirinho que gostaria de lançar para comentarem, agora que vamos para um merecido fim de semana...
quarta-feira, julho 19, 2006
Liberdade de expressão e pedofilia
O livre arbítrio ou a liberdade de expressão não elimina o facto da pedófilia ser um crime.Mais que um crime é um elemento devastador quando atravessa a vida de uma criança.
Os pedófilos não escolhem apenas corpos "maduros" o suficiente para serem "colhidos", escolhem crianças de dias ou de meses.
Estas não podem decidir por elas próprias se querem sexo consentido ou não com um adulto.
Sabemos igualmente que muitos destes homens e mulheres são profundamente disfuncionais na sua sexualidade pois nem lhes é exequível relacionarem-se entre si, por apenas considerarem sexualmente excitante apoderarem-se da inocência das suas vítimas.
Igualmente desprezível é a pornografia ou prostituição infantis.
Claro que o que hoje é considerado pedófilia a nível de sexo entre adultos e adolescentes, não há assim tantos séculos, era socialmente aprovado e encorajado.
Contudo acho perigosa, muito perigosa, esta total desculpabilização, esta permissibilidade, estas linhas cada vez mais ténues entre o que é certo ou errado.
Não estou a falar do moralmente aceitável em sociedade, mas desta permissibilidade legal quase total que permite albergar no mesmo espaço criminosos e pessoas de bem.
Claro que tudo isto gera polémica, vende jornais e revistas, suscita debates apaixonados.
Mais uma vez o dinheiro impera, se há produto é porque há mercado.
Destesto pensar que esta é mais uma manobra estúpida de meia dúzia de bacocos burgeses que se fartaram de ver televisão ou de bater umas punhetas e chegam-se à frente apenas para atirar mais uma poia de merda na cara do mundo inteiro.
Se isto é ou não uma manobra de diversão, como o foi a chegada a deputada da famosa "Cicholina", não me interessa!
Sou contra e manifestei o meu desagrado, acho isto perigoso.
Esta gente não está sózinha, e vêm dar voz a muitos mais, é isso que me incomoda verdadeiramente.
O que me incomoda também é a visibilidade que estas coisas têm e chegam rápidamente às nossas mentes, enquanto que campanhas e mais campanhas de sensibilização e alerta, no sentido contrário, ao que é proposto por este "grupo terrorista ideólogico", quase nos passam ao lado e raramente ganham adeptos.
Se ainda não o fizeram vejam o filme "Hard Candy"a abordagem a esta temática é aquela que muitas das pessoas gostaria de ter perante um pedófilo ou qualquer outro criminoso absurdamente grave.
Até porque se detemos o direito de livre arbítrio e liberdade de expressão porque cargas de àgua não teremos também o de tomar a justiça por nossas próprias mãos ?
Holanda autoriza partido pedófilo

Fui, hoje, surpreendida pela notícia publicada em vários jornais que infroma que a Holanda permitiu que o partido político PNVD fosse criado.
Um tribunal de Haia acabou por chumbar um requerimento que proíbia a criação do partido, cujas iniciais traduzem Amor Fraternal, Liberdade e Diversidade, por este não ter cometido nenhum crime.
Esta proibição, caso fosse aprovada, seria contrária ao regime democrático vigente naquele país a qual violaria os direitos à liberdade de expressão dos seus cidadãos.
O PNVD conta com apenas três membros assumidamente pedófilos que defendem a legalização de relações sexuais entre adultos e crianças com mais de 12 anos.
De notar que a idade mínima legal de consentimento de relações sexuais de crianças e de adultos varia conforme os países, na Holanda e na maioria dos países da União Europeia é de 16 anos. No Canadá, por exemplo, é legar a partir dos 14 anos.
A justiça holandesa traquiliza-nos a todos informando que esta associação partidária, provavelmente, não irá somar os 60 mil votos necessários para eleger um deputado a ter assento no Parlamento...
O programa político do PNVD, além da questão das idades já mencionada, defende que a televisão possa exibir pornografia a qualquer hora, que os jovens de 16 anos já possam exercer a prostituição, que a nudez seja livre e que a instituição do casamento seja abolida.
Estamos perante uma liberal Holanda chocada com estes acontecimentos até porque o recém-nascido partido promove , por exemplo, a proibição de escolas religiosas, a criminalização da morte de animais, mesmo que para a alimentação, e a abolição do Senado.
Ou seja, não se podem matar animais para comer mas podem comer-se criancinhas ao pequeno almoço, ao almoço ou ao jantar!
Marthijn Uittenbogaard, líder do partido, e passo a citar, diz :
"Acreditamos que a Holanda está pronta para o nosso partido.E, se conseguirmos ir para a frente, queremos mostrar ao resto da Europa que é importante defender a liberdade. Neste momento não há nenhum partido verdadeiramente liberal. E faz muita falta." , citei.
Não se contenham, comentem...
terça-feira, julho 18, 2006
As insónias dão-me para isto...
Era bom ter dormido esta noite...Noites negras passadas a escutar músicas impróprias para consumo de corações algo incompletos... Procurem esta estranha música, oiçam e delirem.
Mais um tema cadenciado excelente para fazer mover corpos, sublimando desejos inconfessáveis...
Existem outros... este é bom, até porque à noite está demasiado calor e só apetece...hummmm...
"In My Arms" - RUFUS WAINWRIGHT
You gave me all your love in one day
You gave it all and almost faded away
I'm going to take this sad and unread issue
In my arms tonight
Looking at hospitals victorian
Feeling as helpless as the elephant man
Wish you were here
To chain you up without shame
In my arms tonight
So if you should feel a bit out of place
This vision not unlike a shooting star
I have embraced
…
I ain't a soft and saccharine wannabe
Still I pray to god this song will end happily
So I offer you a place to rest and forget yourself
In my arms tonight
yourself
In my arms tonight
a place to rest and forget yourself
In my arms tonight
… maldito calor vai-te embora e deixa-me dormir...!... as a falling (k)night...
segunda-feira, julho 17, 2006
2º Salão Erótico de Lisboa - e o depois...

Disse que ia e fui! Foi hilariante como eu estava à espera, mais ordeiro do que estava à espera e pior do que estava à espera.
De notar a presença de muitos casalinhos homo e heterosexuais disfrutando da experiencia juntos, se bem que o tão apregoado stand de "swing" fosse uma completa chachada. Aliás nada começa a horas em parte alguma deste país...
O público masculino, bacoco e de meia idade, na sua maioria, ia sendo refrescado pela presença das camadas mais jovens com um espírito de quase ida a concerto. Os comentários aconteciam antes e depois de cada espectáculo, raramente durante.
Apenas excepcionalmente houve trocas de palavras ou de olhares entre os participantes nas "bancadas" e quando aconteceram foram para comentar as propriedades das máquinas de filmar ou fotografar de uns e de outros ou para lançar algum sorriso mais malicioso mas nunca demasiado intencional.
Os shows de strip masculinos foram uma vergonha, os espectáculos lésbicos tinham a incompreensível participação de elementos masculinos do público. Não vi nada que pudesse sugerir a existência de algo ligado a fetiches ou a actividades S & M ou Bondage onde se pudesse participar ou trocar impressões, além do que estava exposto como numa sex shop vulgar ( filmes e adereços e muito poucos), exceptuando a exibição muito discreta da publicação do 1º número de uma revista àcerca do tema, absurdamente cara.
As lutas de lama não tinham lama, o palco estava a mais de meio metro acima das cabeças dos mais altos, sei lá eu o que se passou ali realmente, mas o que se viu deu para divertir um pouco.
As stripers tinham cara de pouco amigos quando pousavam para as fotos apesar da "meiguice" toda dos nossos rapazes, exceptuando uma que se deixou lamber, chupar e acariciar pelos participantes que queriam levar uma recordação, desculpem não fixei o nome...
De notar o enorme profissionalismo das pessoas dos stands de venda de objectos e filmes, solícitos, simpáticos, informados, nada daquele tipo de pessoas estranhas e pouco comunicativas que costumam atender-nos em algumas das sex shops da capital.
O ponto alto da noite de sábado aconteceu aquando da subida ao palco de Sónia Baby (na imagem), a espanhola acrobata do sexo. Despiu-se, escreveu e desenhou com um marcador introduzido na vagina e, climax dos climax para todos nós que assistimos, tirou 23 metros de uma corrente com pérolas previamente introduzidas na já mencionada parte da sua anatomia.
Se não tivesse visto não acreditava, se tivesse recebido um filme por e-mail, não acreditava. Toda a audiencia que ali se encontrava estava a ver e não estava a acreditar.
Quando o espectáculo daquela perfomer terminou todos suspirámos de alívio e afastámo-nos à pressa do palco, não fosse ela se lembrar de tirar mais alguma coisa dos seus recônditos locais anatómicos.
Os elementos do público que participaram em alguns dos espectáculos estavam, óbviamente e préviamente combinados e eram sempre os mesmos exceptuado uma ou duas ocasiões apenas. Ah e nada de sexo ao vivo, não da forma como toda a gente esperava, claro!
Também não imagino onde se esconderam os cabeleireiros íntimos! Devem ser mesmo muiiiitooo íntimos.
Porém a nota que quero aqui registar é que, nenhuma mas nenhuma mesmo, daquelas mulheres fez alguma coisa que me parecesse fora do comum a nível de exibição sexual de per si.
Todas tinham celulite, todas tinhas recorrido a implantes mamários ou a arranjos estéticos físicos e todas estavam profusamente maquilhadas e penteadas por forma a fazer sobressair o melhor delas, como qualquer uma de nós faz ou gostaria de fazer eventualmente.
Isto significa que aquelas supostas deusas do sexo são mulheres, bonitas algumas outras é melhor esquecer, perfeitamente comuns, inclusivé no público havia mulheres mais bonitas fisicamente. Os stripers masculinos então nem vou comentar... até o meu acompanhante estava melhor ; ))!
Concerteza são muito desinibidas, pudera! mas não demonstraram que fossem assim tão especiais a ponto de nos vir ensinar nada de novo.
Nota 20 abaixo de zero para o animador do palco principal que mais parecia um animador de circo ou de feira de província!... o que era aquilo, por favor?! só faltou gritar, meninos e meninas, mais uma corrida mais uma viagem...!
Parece que para o ano há mais, não percam, como experiencia vale a pena, nem que seja, como foi o meu caso, para formar uma opinião extritamente pessoal que agora divido convosco.
A foto que ilustra este post foi gentilmente cedida pelo meu amigo de longa data e acompanhante nestas e noutras maluqueiras, podem visitar o seu fotoblog dando um saltinho ao endereço ruipfg.buzznet.com.
quinta-feira, julho 13, 2006
2º Salão Erótico de Lisboa - o antes...
Como certamente sabem, começa hoje a 2ª edição do Salão Erótico de Lisboa. O ano passado a coisa passou-me ao lado, mas este ano tenciono ir ver, até mesmo para conseguir formar uma opinião pessoal sobre o tema.Segundo a Agência Lusa a "grande novidade (...) do evento é a criação de uma "área lúdica", onde os visitantes poderão, por exemplo, participar de shows eróticos, tirar fotos na cama ou beber doses de bebidas directamente da boca de actores e actrizes da indústria de cinema pornográfico", citei.
Também parece que a grande atracção serão as sessões de sexo ao vivo com a participação directa de elementos do público. Nem sei se comente...
O "swing" e a sua preferencia entre os casais portugueses hoje em dia, também de acordo com a análise dos organizadores do evento, terá um enorme destaque.
Nada do que leio ou oiço da boca das pessoas me suscita qualquer comentário digno de registo, pelo menos para já.
Sómente penso que transformar a indústria da pornografia e toda a parafrenália que a cerca, desde as pessoas envolvidas ao material exposto, numa manifestação cultural de carácter quase intelectual, um enorme exagero.
Contudo, sem falsos moralismos, considero a iniciativa interessante sob o ponto de vista lúdico, porém duvido que o mesmo vá realmente proporcionar a tão desejada mudança de mentalidades na sociedade portuguesa ou sequer servir para alertar o cidadão comum para a urgente necessidade de encarrar a sexualidade sob um ponto de vista saudável e responsável.
De notar, por exemplo, que, não obstante a enorme divulgação que o sexo, nos tempos modernos, tem vindo a ter, não se assiste a uma efectiva melhoria da vida sexual de todos nós.
São vários os estudos sociológicos que apontam para o facto de, homens e mulheres, quer cultural quer psicológicamente, estarem cada vez mais "distantes" uns dos outros.
Desta forma, não obstante concordar em absoluto com estas iniciativas, acredito que a casa continua a ser construída pelo telhado.
Como podemos, nós mulheres, ter melhor sexo se tantos homens continuam a desconhecer, no todo ou na parte, a fisiologia feminina? Já nem teço considerandos sobre a parte psicológica, senão tinhamos pano para várias doses de mangas. Mas também que dizer de algumas mulheres que continuam a considerar o sexo como algo de segunda categoria nas suas vidas?
É curioso notar que, na edição do ano passado, as compras feitas pelas mulheres que visitaram os stands foram essencialmente vibradores, lubrificantes e lingerie erótica... não sei exactamente o que isto significa mas será que nos estamos a divertir mais sózinhas?
Será que necessitamos cada vez mais de fazer despertar os instintos de leão dos nossos companheiros, ocasionais ou regulares, recorrendo a objectos que constam de filmes pornográficos?
Ou será apenas que decidimos usar de toda a nossa imaginação, de forma assistida ( e porque não?...), para ensinar qualquer coisinha a esta malta masculina e aprendermos a disfrutar do nosso corpo e do deles/delas na sua plenitude?
Seja lá o que realmente for, uma feira erótica/pornográfica serve para exibir/divulgar a indústria do sexo, porque, segundo consta, movimenta mais dinheiro que a indústria da droga ou do comércio de armas ilegais. O dinheiro! ah vil metal!, esse sim é o móbil deste certame, não a mudança de mentalidades, não sejamos ingénuos.
Porque se fosse, o preço dos ingressos, seria acessível à mais baixa da nossa camada social para todos puderem ter a oportinudade de ir ver e tirar da cabeça velhissímos tabus.
Posso, a título ilustrativo, contar-vos uma história de um homem que, após visitar todos os dias do evento do ano passado, concluiu e ficou convencido dessa conclusão, que as mulheres com peso a mais, vulgarmente chamadas de gordas, não deveriam praticar sexo!! Palavras para quê? mais um artista português no seu melhor... ainda bem que não são todos iguais.
Contudo apenas análises futuras e após a realização de várias edições deste salão, se poderá tomar o pulso à libertação das fantasias sexuais dos portugueses/portuguesas médios.
Mesmo assim reservo as minhas dúvidas. Irei ver de espírito absolutamente escancarado e com uma enorme dose de bom humor, tanto mais não seja porque será como uma visita aos espaços mais recônditos e intimos da mente humana.
Na primeira edição, 35 mil pessoas visitaram o Salão Erótico, esperam-se agora 50 mil, é muita mente de primata a funcionar, mal posso esperar! ; ))
A minha mente também vai lá estar e, claro, o corpo acompanha-a, pois de certeza que as minhas sensações e de todos os outros visitantes serão absolutamente hilariantes de observar.
Quem vai, por favor, comente o que viu e sentiu, quem não for, comente também, será certamente interessante fazê-lo.
segunda-feira, julho 10, 2006
As Deusas e as Mulheres - Arquétipos I

As mulheres com as quais me identifico e cujo arquétipo evoco em mim, são as amantes do riso, de encanto irresistível, graciosas, sempre apaixonadas, sentem-se belas e atraentes.
São as Afrodite/Vénus, imortalizadas por Botticelli, a nascer emergindo do mar, acompanhada pelos deuses do vento esvoaçando à sua volta, no meio de pétalas de flores que caem.
Estas mulheres, normalmente rodeadas de presenças masculinas, são sempre uma força de renovação actuando, muitas vezes, de forma inesperada, qual pedrada no charco.
Os seus principais interesses são o prazer, o amor, a beleza, a sexualidade e a sensualidade.
Sendo por natureza exigentes, porque amam o prazer, sentem-se naturalmente impelidas a desenvolver cedo os seus traços criativos.
Infelizmente, estas mulheres, talvés mais que quaisquer outras, que cedo desenvolvem a sua sensualidade e sexualidade, têm a sua imagem profundamente degradadas pelas culturas judaico-cristãs, muçulmanas ou de características marcadamente patriarcais, sendo demasiadas vezes ostracizadas porque, de alguma forma, desobedecem aos padrões milenares vigentes de moralidade e, nos tempos bíblicos, eram apredrejadas e/ou sentenciadas à morte, prática ainda corrente nos dias de hoje em países islâmicos.
Enfrentam igualmente a desvalorização por parte das suas famílias, os núcleos sociais primordiais por execelencia, que as consideram frívolas e até, em casos extremos, perigosas, sofrendo pressões por parte do pai e da mãe (manifestações de "mentalidade de carrasco") para que desenvolvam uma mentalidade "controlada e convencional".
Contudo, as mulheres que cultivam o amor e a paixão nas suas personalidades, espalham magia à sua volta, especialmente quando amam e são correspondidas, pois fazem incidir uma luz dourada no objecto da sua afeição e, não vendo mais que beleza e perfeição, geram uma enorme aura de erotismo e magnetismo. Perante o reverso da medalha, ou seja, quando não correspondidas, são cruéis e insatisfeitas, sofrendo enormemente por não serem capazes de resistir à atracção que sentem pela pessoa amada.
Mulheres criativas por excelencia procuram sempre a fusão e união de corpos e ideias, interagindo para criar, em resultado final, algo de novo, porque criar é sensual, processo este que brota intenso e apaixonado. Criar é uma experiencia sensual como por exemplo a escrita, o papel personifica o amante, o corpo do outro, ou a pintura, a tela em branco, onde intensamente e de sentidos alerta, se cria, se transforma, até ao climax do resultado final. Após o processo terminado, ou a paixão vivida, passa-se ao seguinte, sem se deter, seguindo o quê ou quem as fascina, de preferencia de uma forma não convencional, sem o sentido de pecado.
Mulheres naturalmente carismáticas, electrizam tudo à sua volta e, mesmo sem corresponderem aos canônes de beleza convencional, atraem, podendo eventualmente nao ser objectivamente muito belas. Assustam muitos tipos de homens e são evitadas ostensivamente pelas "meninas bem comportadas".
Apesar de fascinantes, estas mulheres não se orientam para atingir elevados objectivos académicos ou de carreira, a menos que o assunto as fascine ou envolva interacção com outras pessoas, pois necessitam sempre de envolvimento emocional.
Apesar de tantas qualidades, não raro sofrem com as suas escolhas sentimentais pois atraem homens como elas, criativos, complexos, temperamentais, inconsequentes por não terem objectivos demarcados ou não serem ambiciosos, emocionalmenbte "aleijados", que se refutam a assumir compromissos, tanta vez sós e hostis, impacientes, frequentemente com sídroma de Peter Pan.
As Afrodites adoram crianças e são por elas adoradas pois mutuamente se olham sem se julgarem, a empatia é rápida porque estimulam nas crianças o desenvolvimento da sua verdadeira personalidade e criatividade, sublinhando a sua beleza interior e exterior, o seu talento natural, elogiando-as sempre.
Nesta mulher, a criança irrequieta e curiosa, quantas vezes de mau génio, permanece intacta e sempre disposta a emergir.
sexta-feira, julho 07, 2006
A obra dramática de Gil Vicente

Resposta de um aluno de liceu a uma pergunta sobre a obra
dramática de Gil Vicente, transcrita no Público de 11.8.2004:
"Eu não tenho dúvidas que o Gil Vicente é muito importante,
a pesar de nunca ter ganhado o campionato de futebol.
É importante porque ás vezes ganha ao Benfica, otras ao
Sporting e otras ao Porto, tirando a eles o primeiro logar.
E também por isto é que a sua obra é dramática porque é um
drama para os benfiquistas, os sportinguistas e os portistas
quando ganha."
Esta não é minha mas tinha que dividir isto convosco, é de morrer a rir!
quinta-feira, julho 06, 2006
Odeio baguettes!...
Perdemos com os manhosos franceses neste mundial e há 32 anos que o cozido à portuguesa não vence a famigerada baguette francesa.
Como falar de futebol vai ser o lugar mais comum nestes próximos dias e deixando os comentários aos entendidos na matéria, resta-me fazer uma análise dos franciús, tão negra quanto possível, deitando-os tão abaixo como a moral do nosso povo está agora.
Chamem-lhe mau perder, dor de cotovelo, dor de corno ou dores em qualquer outra parte da anatomia humana ou animal, resta-me o patrótico gesto de os mandar encher de moscas.
Sabiam por acaso que os franceses são tão aberrantes e convencidos que, até a Comissão da União Europeia lhes ter estragado o arranjinho, os carros registados em França desde 1936 eram obrigados a usar faróis amarelos enquanto todos os outros faróis pela Europa fora eram incolores? Só para protegerem a sua indústria automóvel e para serem diferentes, vejam bem!
Sabem também que os franceses insistem na aberração de dizer soixante-dix (60) e quatre-vingt (80) quando os suíços vivem confortáveis com septante ou huitante ou mesmo octante?
Mary Morgan, que treinou os EUA nas Olímpiadas de Inverno de 1992 em Albertville, disse dos franceses: "eles são assim: muito artísticos, péssimos organizadores".
Diz-se também deles que são alegres, activos e vivos, de comportamento gracioso, mas bastante vaidosos.
Um artigo, já com alguns anos, sobre economia do "The Economist", referiu-se aos franceses como sendo "mal-educados, chauvinistas, gananciosos até", e, em estudos europeus são considerados, em geral , pelos outros europeus, como sendo convencidos, demasiado individualistas e curiosos e com a mania que têm sempre razão.
D. H. Lawrence comentava que os franceses "estão condenados a ser abstractos. Falar com eles é como tentar ter uma relação com a letra x da àlgebra".
O próprio Charles de Gaulle perguntava em desespero " como é que se pode esperar governar um país que tem duzentos e quarenta e seis tipos de queijo?"...
Não existem dúvidas quanto à agilidade de espirito dos franceses, em destaque dos parisienses, os quais dominam inegavelmente a actividade do país, até porque foi um francês que inventou o IVA e o conseguiu vender aos outros membros da União Europeia, para desgraça de todos nós.
Porém, ao considerarem-se cartesianos, os franceses são tão abstractos que se auto anulam, reparem por exemplo na forma como são apresentados certos documentos comerciais franceses: a numeração e apresentação dos parágrafos sobrepõem-se ao conteúdo, sendo, por isso, muito fracos quanto ao que toca ao senso comum.
De si próprios, como povo, dizia um francês, "damos demasiada importância às ideias e muito pouca à sua aplicabilidade", ou ainda outro "somos lógicos mas não para fazer coisas lógicas. É apenas para podermos explicar de uma forma aparentemente lógica as coisas ilógicas que fazemos".
Os franceses têm uma necessidade natural de exibicionismo e de provocação, veja-se pela moda e pelo design, e complicam apenas pelo prazer de complicar. Têm um desejo neurótico de serem diferentes e o francês vulgar nunca admite que está errado, é o chauvinismo visceral no seu estado mais puro.
Os franceses fartam-se de ridicularizar ambos os povos do Norte e ainda os que se localizam a sul dos Alpes, porém, ainda recentemente, um livro francês sobre a Europa, de qualidade excelente, sugeria que a Holanda fazia fronteira com a Dinamarca...!!!...
E de tão intelectuais e cultos que são, um estudo ainda recente revelava que, uma percentagem alarmante de inquiridos situava amesterdão algures entre Copenhaga e Moscovo...
São igualmente os atrasados crónicos da Europa no que toca a chegar a horas às reuniões que fazem a pretexto de tudo e nada, como se pode ver pela entrada tardia e egocêntrica no jogo de ontem, aquando do início da 2ª parte.
Como Napoleão provou, os franceses têm um enorme potencial para o bem e ocasionalmente para o mal, vendo-se demasiadas vezes desmoralizados pela História, pela política ou mesmo pelo próprio azar.
Porém esta não foi a vez deles de morder o pó às mãos desta raça Lusa... Fomo bons, fomes melhores, honestos, limpos, graciosos mas não tivemos a mesma pitada de sorte e inteligencia que nos fez chegar tão longe.
Contudo a vingança é um prato que se come frio e devagar... chegará a nossa vez também, e, certamente aí a vitória valerá por todas as derrotas.
VIVA A RAÇA LUSITANA!
segunda-feira, junho 26, 2006
Uns e os Outros, uma crónica...
Da fraqueza da luz que alumiava a pequena casa de banho do quarto da velha casa, começei por verificar, comprimindo os meus olhos de míope, que uma nova borbulha tinha-se mudado para a ponta do meu nariz. Pensei, se a espremo vou ficar ainda pior, se a deixo lá ficar os outros vão notar. Depressa me decidi, um café quente em qualquer canto da baixa iria ajudar-me em mais uma decisão transcendente da minha vida.
Saio animada e com aquela sensação de herói que todos experimentamos ao sair de uma sala de cinema, depois de assistir a mais uma aventura pré-fabricada com sei lá que nome.
Lá fora cheira a avenidas quentes e havia comentários sobre a chuva que parecia não ter caído, olho para a calçada e confirmo que, ninguém diria, daquela chuva só o chão sabia.
Andam muitos outros a pisar as escassas gotas da calçada fazendo-me imaginar quantos arco-irís jaziam debaixo de tantos apressados pares de pés.
Perdida em pensamentos nem noto que agora mesmo uma dessas gotas se desfez, viajou suicída de uma àrvore, de encontro ao meu nariz, refrescando a maldita borbulha.
Tomar café na Baixa deixou-me ainda mais pensativa, é uma das contra-indicações desta bebida, e na minha mente desfilam, qual rosário de marfim, todos os rostos da manhã falando ao mesmo tempo... bocas e mais bocas ora de sorrisos ora de esgares... detenho-me a pensar que nem sempre os consigo distinguir uns dos outros.
Embarco por alguns minutos na dissecação da fórmula shakesperiana "to be or not to be", mas a minha ignorância permanece a mesma, se uns me dizem que pareço uma rosa em ninho branco, outros... bem, esses são os fala barato da sociedade, os lobos com pele de cordeiro, as moscas que me incomodam ao almoço...
Nunca gostei de vestir a pele de vítima mas, por vezes, apetecia-me ser mosca nos almoços dos outros, porque sempre achei fascinante pensar que faria eu com tantas lentes, qual video wall. Deixaria de ser míope, entendendo as coisas por completo, ou guardaria únicamente uma imagem de tudo o que visse?
Pensando melhor, gostaria mesmo era de ser como uma varanda, bastante saída para fora, de estilo colonial, destacada do edifício para poder estar lá, desperta, em cada nova manhã para poder ver tudo antes dos outros acordarem.
Mas a minha alma apenas tem forças para regressar ao confessionário de um espelho manchado pelo tempo.
A luz fraca que ele reflete uma e outra vez parecia querer comunicar com algo em mim como um código morse, talvés se piscar os olhos repetidamente pudessemos conversar.
Os olhos, contudo, fogem-me para aquela inestética borbulha como ruído de estática, quais zumbidos que as linhas telefónicas albergam com a convicção de mães.
Mesmo que me apeteça hoje comunicar, o desejo de permanecer muda só interfere nesta sociedade tão pseudo organizada, tão cheia de conversas da treta.
O espelho e as suas manchas brilhantes como chuva fora de horas, caíndo na calçada quente da avenida e nas varandas de casas de praia, onde podemos ser tão de quartzo como os grão de areia, os olhos de múltiplos sóis das moscas que lutam para garantir uma imagem, mas não passam de arco-íris abortados, perdidos nas fendas da calçada, e eu sem me conseguir decidir...
Serão escasas tantas metáforas, tantas fórmulas nesta superfície lisa, quando de manhã, uma mulher acorda com uma borbulha incómoda na ponta do nariz.
Valha-me ao menos os sorrisos francos de uns, afinal é apenas mais um dia de verão...


