O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas –
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada –
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos
(mais um dos meus favoritos e a homenagem humilde ao grande Fernando Pessoa)
sexta-feira, agosto 18, 2006
... o que dizem na noite...

Conheceram-se nas auto-estradas e vias rápidas da net.
Falaram durantes muitos dias, on-line, trocaram contactos
Porém ele estableceu como regra que nunca falaria com ela ao telefone porque apenas desejava que fosse ela a falar de si, como num confessionário, aberto 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Ela utilizou essa prerrogativa várias vezes, em dias menos bons e em noites mal conciliadas, quando o sono não chegava e os desejos ardiam.
Ele apenas ouvia... ouvia-a!!... e no dia seguinte nunca falavam sobre o assunto do telefonema da noite anterior, mas ela entendia as mensagens subliminares nas palavras dele. Ele apreciava-a e apreciava as coisas que ela dizia e fazia.
Era algo muito excitante , às vezes preverso e um pouco cruel. Mas ele dominava-a.
Dominava-a de noite e de dia, dentro e fora dela.
Muitas vezes ela gritava com ele. Gritava que também o queria ouvir, eram súplicas, eram ordens gemidas, eram amuos. Odiava-o e desejava-o ardentemente.
Ela fazia amor sózinha deitada na sua cama com ele em linha, na completa escuridão, apenas pautada por alguns gemidos ofegantes dele.
Uma noite ele falou... falou com ela.
A voz saíu rouca e profunda e ele disse-lhe: Tens as pernas mais belas que já vi!
E ela, incrédula, quase assustada, perguntou-lhe: Como sabes isso, nunca me viste??...
Ele respondeu: A tua voz diz-me tudo... o que se vê e o que nunca ninguém viu... a tua voz possuí-me a alma como tu possuís sózinha o teu corpo...
A pele dela arrepiou-se com a sensação penetrante e corrosiva de pertencer a alguém sem esse alguém lhe pertencer a ela.
Aterrou-a e excitou-a... sentia-se invadida, violada a sua mais secreta intimidade, mas de boa vontade o permitia como jamias o havia feito.
Nunca estiveram juntos, nunca o mistério foi quebrado ou os laços consumados na realidade banalizada de um encontro pessoal, cara-a-cara.
Ele foi a voz da noite escura, ela foi a que o fazia de confidente, intocável, sempre que ela precisou...
... e enquanto precisou da sua magia...
Mandala


Estas fotos são de trabalhos feitos em areia colorida por monges budistas. Chamam-se Mandala e são meticulosamente executados durante meses, exigindo uma enorme dose de paciencia, motivação e planejamento.
Após a execução, os monges apagam e destroem estes maravilhosos Mandala para provar que nada na vida é permamente e tudo o que pensamos ser real e constante neste mundo não passa de maya, ou seja, ilusão.
#mais informação interessante e algo perturbadora pode ser encontrada em
www.indiagestao.blogspot.com
www.indiagestao.blogspot.com
Cesariny de novo...

voz numa pedra
Não adoro o passado
não sou três vezes mestre
não combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Isis mas disse-lhe eu que me chamava João
nenhuma nenhuma palavra está completa
nem mesmo em alemão que as tem tão grandes
assim também eu nunca te direi o que sei
a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento
Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada do menstruo
rosa viva diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura
onde «a poesia não mais ritmará a acção
porque caminhará adiante dela»
Os pregadores de morte vão acabar?
Os segadores do amor vão acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me então aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa não me olhas como se olha um bruxo
detentor do milagre da verdade
a machadada e o propósito de não sacrificar-se não construirão ao sol coisa nenhuma
nada está escrito afinal
Mário Cesariny
quarta-feira, agosto 16, 2006
Poema ...
poemaEm todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
Mário Cesariny
(é um dos meus poemas favoritos de um dos meus poetas adorados, a quem presto homenagem)
( a foto foi gentilmente cedida por um amigo )
DESAPONTAMENTOS…
O pessoal juntou-se novamente para mais uma saída só de gajas. É sempre divertido estar com elas se bem que não as vejo tantas vezes como desejava. O grupo é ruidoso, alegre, inteligente e bonito. Somos todas diferentes umas das outras na forma de estar e pensar, nas vidas profissionais que escolhemos, nas nossas opcções amorosas, mas como mulheres, sabemos muito bem que tudo tem um preço nesta vida pois algumas, apesar de belas, inteligentes e bem sucedidas, ao longo dos anos têm passado por desapontamentos vários que nos marcaram e, de alguma forma, fazem de nós aquilo que somos.
É sempre uma aventura quando estamos juntas, porque amamos a boa música, o teatro, os temas complicados, não escondemos os nossos sentimentos e, aparentemente, temos todas vidas absolutamente normais.
Desta vez quisemos experimentar juntas uma ida ao sushi e nunca imaginariamos que um encontro tão banal, se bem que divertido, pudesse ter sido tão revelador.
Estávamos todas em amena cavaqueira quando nos apercebemos que na mesa ao lado se encontravam dois casais a preparar uma sessão íntima de swing.
Não escondiam nada, nem como se tinham conhecido nem as intenções que tinham ao estarem juntos. Falavam de forma normal sobre o assunto e demos por nós a escutar com atenção e a comentar umas com as outras o tema.
Somos mulheres e quem já observou um grupo de mulheres a divertir-se e a conversar sabe o quanto podemos ser ruidosas e coloridas, porém desta feita uma de nós atirou uma pedrada ao charco e fez-nos parar e pensar nesta opcção sexual que marca muitas das relações dos tempos modernos.
Algumas comentavam o swing em tom de desaprovação porém S., uma das mais caladas do grupo, fez-nos revelações que não esperávamos, ao ter respondido já haver experimentado.
Olhámos umas para a outras e S. foi cravejada de perguntas da mais variada ordem.
Disse-nos, um pouco a medo, com algum rubor nas faces, os olhos escuros bonitos e inteligentes, ficaram, de repente, enssombrados com alguma tristeza.
- Foi traumatizante… - respondeu-nos S. – foi como escalar os Himalaias e encontrar um Macdonalds lá em cima. – ilustrou ela.
Era algo que não esperávamos ouvir, todas nós temos a ideia que é algo de excitante, um pouco clandestino, desviado do comportamento dito normal, mas excitante.
- Traumatizante? – pergunto eu – Mas porquê, queres contar o que se passou?
S. baixou os olhos, deixou-nos em suspense durante o que nos pereceu uma eternidade e suspirando respondeu.
- Ninguém me ligou patavina!… Era algo que fantasiava há algum tempo, queria muito experimentar, escolhi com algum critério as pessoas, demorei a tomar a decisão, mas foi um fiasco…
Ficámos atónitas! S. tinha o ar mais triste que vi em alguém nos dias da minha vida, parecia perdida, os lábios termiam ligeiramente, suspeitei que iria chorar e, com imenso carinho, cobri a mão dela com uma das minhas.
Levantou as pestanas, olhou-me um instante e retirou a mão.
- Calma aí linda, gracejei eu, não fiques nervosa, não te estou a tentar engatar…!
S. sorriu levemente, passou os olhos por todo o grupo suspenso das suas palavras e desabafou.
- Nunca tinha tocado numa mulher intimamente, pensei que iria ficar repugnada mas isso não aconteceu, o que me deixou triste foi ela não me ter correspondido. Tratei-a com a mesma doçura com que gosto de ser tratada, mas ela apenas queria estar de olhos fechados, parecia incomodada com tanta atenção. Era uma mulher vulgar, mas era isso que eu pretendia, mas parecia ter sido apanhada numa ratoeira, predispou-se a estar ali, nitídamente, em prol do companheiro.
Disse-nos que foram jantar, conversaram bastante, S. não se sentiu especialmente atraída pelas pessoas do grupo, apenas o amigo que a acompanhou lhe dizia algo de especial.
É sempre uma aventura quando estamos juntas, porque amamos a boa música, o teatro, os temas complicados, não escondemos os nossos sentimentos e, aparentemente, temos todas vidas absolutamente normais.
Desta vez quisemos experimentar juntas uma ida ao sushi e nunca imaginariamos que um encontro tão banal, se bem que divertido, pudesse ter sido tão revelador.
Estávamos todas em amena cavaqueira quando nos apercebemos que na mesa ao lado se encontravam dois casais a preparar uma sessão íntima de swing.
Não escondiam nada, nem como se tinham conhecido nem as intenções que tinham ao estarem juntos. Falavam de forma normal sobre o assunto e demos por nós a escutar com atenção e a comentar umas com as outras o tema.
Somos mulheres e quem já observou um grupo de mulheres a divertir-se e a conversar sabe o quanto podemos ser ruidosas e coloridas, porém desta feita uma de nós atirou uma pedrada ao charco e fez-nos parar e pensar nesta opcção sexual que marca muitas das relações dos tempos modernos.
Algumas comentavam o swing em tom de desaprovação porém S., uma das mais caladas do grupo, fez-nos revelações que não esperávamos, ao ter respondido já haver experimentado.
Olhámos umas para a outras e S. foi cravejada de perguntas da mais variada ordem.
Disse-nos, um pouco a medo, com algum rubor nas faces, os olhos escuros bonitos e inteligentes, ficaram, de repente, enssombrados com alguma tristeza.
- Foi traumatizante… - respondeu-nos S. – foi como escalar os Himalaias e encontrar um Macdonalds lá em cima. – ilustrou ela.
Era algo que não esperávamos ouvir, todas nós temos a ideia que é algo de excitante, um pouco clandestino, desviado do comportamento dito normal, mas excitante.
- Traumatizante? – pergunto eu – Mas porquê, queres contar o que se passou?
S. baixou os olhos, deixou-nos em suspense durante o que nos pereceu uma eternidade e suspirando respondeu.
- Ninguém me ligou patavina!… Era algo que fantasiava há algum tempo, queria muito experimentar, escolhi com algum critério as pessoas, demorei a tomar a decisão, mas foi um fiasco…
Ficámos atónitas! S. tinha o ar mais triste que vi em alguém nos dias da minha vida, parecia perdida, os lábios termiam ligeiramente, suspeitei que iria chorar e, com imenso carinho, cobri a mão dela com uma das minhas.
Levantou as pestanas, olhou-me um instante e retirou a mão.
- Calma aí linda, gracejei eu, não fiques nervosa, não te estou a tentar engatar…!
S. sorriu levemente, passou os olhos por todo o grupo suspenso das suas palavras e desabafou.
- Nunca tinha tocado numa mulher intimamente, pensei que iria ficar repugnada mas isso não aconteceu, o que me deixou triste foi ela não me ter correspondido. Tratei-a com a mesma doçura com que gosto de ser tratada, mas ela apenas queria estar de olhos fechados, parecia incomodada com tanta atenção. Era uma mulher vulgar, mas era isso que eu pretendia, mas parecia ter sido apanhada numa ratoeira, predispou-se a estar ali, nitídamente, em prol do companheiro.
Disse-nos que foram jantar, conversaram bastante, S. não se sentiu especialmente atraída pelas pessoas do grupo, apenas o amigo que a acompanhou lhe dizia algo de especial.
Foram para casa de um deles e as coisas percipitaram-se, não correram bem, as diferenças de todos vieram ao de cima contribuido para a falta de homogeneidade dos objectivos de cada um. Nunca nenhum deles tinha feito aquilo mas todos queriam, aparentemente, fazê-lo. Não obstante, o objectivo experimentalista, desbravador de S. tinha ficado frustrado.
- Foi uma treta pegada! – afirmou ela – tinha a esperança que pudesse ser algo belo, partilhado, secreto, misterioso… Mas não passou de uma queca assistida, e ainda por cima aborrecida! Parecia que estávamos todos na mesa do cirurgião, adormecidos e prontos para alguém estranho ter acesso às nossas entranhas mais íntimas.
Reclinei-me para trás na cadeira e observei S. com atenção enquanto esta falava. Não é uma mulher bonita mas é extremamente interessante, tem uns gestos amplos e às vezes lentos como se estivesse a dançar, é elegante com uma pitada de sofisticação sem ser arrogante. Sempre me pareceu uma mulher segura, algo solitária e calada, mas exuberante quando está bem disposta. As mãos têm um ar suave e as unhas são compridas e sem verniz. Gosta de vestir de preto, algo que sempe me atrai nas pessoas, parece convencional mas não é, tem um sorriso bonito, é extremamente simpática e inteligente, uma mistura bem balançada entre a mulher obrigada a endurecer para sobreviver e um interior doçe e meigo. Não se cuida em demasia mas sabe estar de bem com o seu corpo, é activa e sabe o que quer.
Conforme S. ia descrevendo a falta de prazer que teve durante a experiencia que viveu, pensei com os meus botões, onde andam os homens e as mulheres interessantes e de boa índole deste mundo, o que lhes passa pela cabeça, e porque S. é tão solitária.
Fiz-lhe essa mesma pergunta, estava ela a meio de uma frase. Parou e olhou-me de lábios entreabertos, as narinas aspirando com alguma ansiedade o ar da sala. Acendeu um cigarro algo trémula, a voz saiu rouca quando falou.
- Não te sei responder… Desejei esta experiencia para testar os meus limites, o meu poder de sedução "in extremis", se quiseres… - os olhos brilharam, uma lágrima assomou, e logo foi engolida… S. não chora, não se permite a isso, jamais em público.
- E conseguiste chegar a alguma conclusão? – atirei-lhe eu. O grupo entretanto já discutia outra coisa qualquer, acho que era sobre as maluquices poeirentas da ida ao Festival Sudoeste deste ano, tinham-nos deixado sós, no meio do barulho. As minhas amigas são muito efervescentes.
- Não… Óbviamente sinto-me pior e melhor… - e ao meu ar espantado com a resposta S. desenvolveu o raciocínio – o sexo às vezes é uma merda, sabias?!…Decididamente muito não quer dizer melhor, partilhado não significa mais que solitário – deu uma risada baixa – às vezes é mesmo pior...
- Voltavas a repetir?, perguntei.
- Não sei, acho que provavelmente tentarei fazê-lo, talvés de outra forma, mas não tão cedo! Esta foi mesmo para esquecer.
A conta chegou à mesa e com ela o burburinho das divisões dos dinheiros e a decisão de onde iríamos tomar um copo a seguir.
S. juntou-se a elas naquela algarviada de passáros fêmeas, o seu íntimo fechou-se para dar lugar à personagem diária que ela veste desde sempre.
Não voltámos a falar sobre o assunto, o grupo ainda gracejou com ela umas quantas vezes, dizendo-lhe:
- Foi uma treta pegada! – afirmou ela – tinha a esperança que pudesse ser algo belo, partilhado, secreto, misterioso… Mas não passou de uma queca assistida, e ainda por cima aborrecida! Parecia que estávamos todos na mesa do cirurgião, adormecidos e prontos para alguém estranho ter acesso às nossas entranhas mais íntimas.
Reclinei-me para trás na cadeira e observei S. com atenção enquanto esta falava. Não é uma mulher bonita mas é extremamente interessante, tem uns gestos amplos e às vezes lentos como se estivesse a dançar, é elegante com uma pitada de sofisticação sem ser arrogante. Sempre me pareceu uma mulher segura, algo solitária e calada, mas exuberante quando está bem disposta. As mãos têm um ar suave e as unhas são compridas e sem verniz. Gosta de vestir de preto, algo que sempe me atrai nas pessoas, parece convencional mas não é, tem um sorriso bonito, é extremamente simpática e inteligente, uma mistura bem balançada entre a mulher obrigada a endurecer para sobreviver e um interior doçe e meigo. Não se cuida em demasia mas sabe estar de bem com o seu corpo, é activa e sabe o que quer.
Conforme S. ia descrevendo a falta de prazer que teve durante a experiencia que viveu, pensei com os meus botões, onde andam os homens e as mulheres interessantes e de boa índole deste mundo, o que lhes passa pela cabeça, e porque S. é tão solitária.
Fiz-lhe essa mesma pergunta, estava ela a meio de uma frase. Parou e olhou-me de lábios entreabertos, as narinas aspirando com alguma ansiedade o ar da sala. Acendeu um cigarro algo trémula, a voz saiu rouca quando falou.
- Não te sei responder… Desejei esta experiencia para testar os meus limites, o meu poder de sedução "in extremis", se quiseres… - os olhos brilharam, uma lágrima assomou, e logo foi engolida… S. não chora, não se permite a isso, jamais em público.
- E conseguiste chegar a alguma conclusão? – atirei-lhe eu. O grupo entretanto já discutia outra coisa qualquer, acho que era sobre as maluquices poeirentas da ida ao Festival Sudoeste deste ano, tinham-nos deixado sós, no meio do barulho. As minhas amigas são muito efervescentes.
- Não… Óbviamente sinto-me pior e melhor… - e ao meu ar espantado com a resposta S. desenvolveu o raciocínio – o sexo às vezes é uma merda, sabias?!…Decididamente muito não quer dizer melhor, partilhado não significa mais que solitário – deu uma risada baixa – às vezes é mesmo pior...
- Voltavas a repetir?, perguntei.
- Não sei, acho que provavelmente tentarei fazê-lo, talvés de outra forma, mas não tão cedo! Esta foi mesmo para esquecer.
A conta chegou à mesa e com ela o burburinho das divisões dos dinheiros e a decisão de onde iríamos tomar um copo a seguir.
S. juntou-se a elas naquela algarviada de passáros fêmeas, o seu íntimo fechou-se para dar lugar à personagem diária que ela veste desde sempre.
Não voltámos a falar sobre o assunto, o grupo ainda gracejou com ela umas quantas vezes, dizendo-lhe:
- És uma gaja demasiado boa para andares para aí a ser maltratada… ela sorriu e não respondeu.
Quando fiquei sózinha, já de madrugada, depois delas me terem levado a casa, não consegui deixar de reflectir na experiencia que S. tinha partilhado connosco.
Dei comigo a pensar que pessoas como S. e muitas mais, entram numa odisseia em busca de revisitar lugares comuns, como seja o sexo, e a desejarem colori-los de outras formas, concluíndo que nem sempre vale a pena deixarmos de ver apenas a preto e branco.
Pensei na insensibilidade das pessoas quem não repararam nela, nas suas potencialidades e no muito que tem para dar sem negar o que precisa receber.
Desapontamentos todos temos, de uma forma ou de outra, ao longo dos nossos caminhos, porém escalar a cordilheira dos Himalaias e descobrir a porra de um MacDonalds lá em cima, quando esperávamos sentir uma epifania, uma revelação, é realmente algo difícil de engolir.
A S. dediquei o meu último pensamento do dia, já exausta e cheia de sono, imaginando-a a chorar sózinha e quieta na sua cama, ou provavelmente já adormecida embalada pelas suas certezas, desejando ardentemente que ela não desistisse das suas escaladas.
Coragem Amiga!!
segunda-feira, agosto 14, 2006
CAIXA DE PANDORA

Ela tinha conhecido alguém há uns meses atrás, uma pessoa algo convencional à superfície, uma pessoa simpática, afável, amiga, alegre, activa.
Estiveram juntos e foram infelizes juntos, afinal o amor é mesmo um lugar estranho.
Depois, ao serem simplesmente amigos, os gostos de ambos, pouco convencionais, desinibidos e experimentalistas, ousados, vieram ao de cima.
Têm sido companheiros de viagem, dos altos e baixos de ambos, de alguma clandestinidade, de uma vida dupla, escondida dos demais, segredada apenas ao ouvido um do outro.
Agora são algo felizes, gostam um do outro. Fazem coisas juntos, descobrem fronteiras, objectos, gostos e sabores, revelam mais sobre eles próprios e anseiam pelos prazeres sensuais que a vida tem escondida.
Mostram um ao outro os brinquedos que compram e lhes dão prazer usar nas outras pessoas, e que elas usem neles, antecipam excitados a próxima descoberta.
Às vezes ela pensa que a amizade que os une é um lugar obscuro, atrente, excitante, húmido, proibido, mas nem um nem outro quer desviar-se desse lugar quente um milímetro.
A morte de alguma coisa é sempre o nascimento de outra e em tom de brincadeira ela diz-lhe que lhe abriu a caixa de pandora e fez dele um anjo caído.
Se calhar foi ao contrário, mas não é isso que está em causa, o que importa são as viagens ao outro lado da lua, aos aromas secretos, às fantasias totais, às experiencias com seres humanos… e porque não fazê-las?… - pergunta ela sorridente e pensativa.
Passar a língua pelos dedos da fantasia, sentir o vermelho gritante além do espectro visual, é como estar à beira do abismo de olhos fechados e sentir-lhe a brisa e o cheiro a mar, e não ter medo de abrir as asas.
Em confidencia ela diz-me : sabes é como se alguém se tivesse sentado na mesma faixa de areia que eu, alguém fala a mesma linguagem que eu, vibra apenas, não ama, alguém sente a paixão da descoberta…
E eu fiquei a pensar: a ausencia de companhia não determina que estejamos sós, apenas estamos acompanhados de quem escolhemos, alguém acedeu a fazer um determinado caminho connosco, dá-nos a mão e leva-nos lá…
…pena não encontrar mais pessoas assim.
Reencarnação e karma

Fiz hoje um daqueles testes que alguém envia pela net e o tema era o das vidas passadas e as dificuldades no amor devido ao Karma e as repercursões na actual reencarnação.
Dizia então o resultado do questionário que noutras vidas, supostamente eu teria sofrido experiencias amorosas intensas e violentas…
Afirmava o mencionado relatório que as minhas vidas passadas teriam sido marcadas pela perda de entes queridos numa guerra ou teria tido um casamento manchado pela violencia o que influenciaria agora a minha visão descrente no amor e nos relacionamentos, uma vez que permaneceria em mim, até aos dias de hoje, a noção de que tudo muda num segundo, por vezes, de forma devastadora.
Prosseguia, este teste, dizendo que tenho dificuldade em confiar nos meus amores de forma profunda e que, não obstante desejar algum tipo de "ligação duradoura", essa ideia de ficar dependente de alguém me apavora e faz sentir desconfortável, a ponto de submeter as "minhas ligações amorosas" a profundos e reiterados testes por forma a perceber se o seu amor seria efémero ou de carácter mais permanente.
Concluia o teste que tanta desconfiança poderá minar qualquer relacionamento actual pois não obstante ser uma pessoa alegre e relaxada exteriormente, por dentro as feridas psíquicas causariam um grau enorme de ansiedade o que poderia fazer terminar sucessivamente e de forma abrupta os amores da actualidade.
Bem, estes testes levam-me a pensar que são efectivamente feitos de forma inteligente e prespicaz, contudo a sua veracidade e acuídade pode ser posta em causa.
A teoria da reencarnação e do Karma, no meu ponto de vista, já teve mais adeptos outrora que aqueles que possui hoje.
Não se trata apenas de avaliar o nosso sistema de crenças, religiosas ou outras, trata-se antes de avaliar o que é de bom senso.
Tudo o que o teste me indica pode ser aplicado a milhões de pessoas neste planeta, pois se precorrermos a nossa história universal, o que não têm faltado são conflitos bélicos e a susceptibilidade de, qualquer um de nós, ter perdido, noutra vida, alguém numa guerra é mais que muita, isto acreditando na teoria da reencarnação e da transmigração das almas.
Ainda seguindo este raciocínio, ou seja colocando-me do lado da reencarnação, sempre assistimos a amores violentos e trágicos ao longo dos tempos, logo isso não seria motivo para eu ser um caso único a sofrer de amores com estas características.
Agora se não formos adeptos ou crentes na reencarnação, podemos avaliar este teste como mais uma treta que circula na net.
Se não vejamos: desconfianças nos nossos amores e paixões temos sempre, sejam grandes ou pequenas, dependendo do contexto e das pessoas envolvidas, e a testes já nos submetemos e submetemos os outros, pelo menos uma vez na vida, por forma a avaliar o quanto nos amam e se é efémero ou não esse sentir.
Tudo depende das nossas vivencias actuais, das nossas escolhas e dos padrões dos nossos relacionamentos na nossa própria história individual contemporânea, passada e presente.
Se é a única que temos ou se vivemos vezes sem conta até "acertarmos contas com o destino", isso sinceramente não sei.
Porém, na minha opinião, estes testes são um enorme logro porque não distinguem um caso do outro e qualquer pessoa que tenha nascido no mesmo ano, local e hora que eu e fosse do mesmo sexo, levaria sempre com a "chapa 5".
Penso igualmente que a charlatanice electrónica é mais que muita e só espíritos demasiado crentes e confiantes se ligam a estas matérias, como por exemplo a das "correntes", que não se devem quebrar sob a pena de nunca mais termos um minuto de sossego ou sorte nas nossas vidas. Estas correntes que me chegam por e-mail todos os dias só tenho um procedimento: apago-as e nem as leio.
Para concluir, o karma, segundo teorias menos alarmistas, não é nada mais nada menos que a sucessão de acontecimentos passados e presentes que, obedecendo ao princípio de Heinsenberg, se influenciam uns aos outros formando uma cadeia infinita que tudo toca, marca e transforma, e não um resgate infinito de culpas ancestrais e difíceis de provar.
Isto significa que temos todos uma enorme responsabilidade em tudo o que fazemos, dizemos e decidimos, de bom ou de mau, porque as consequencias dos nossos actos ecoam no espaço e no tempo, de forma eterna, sem poderem ser alterados, mas podendo ser emendados dentro do nosso livre arbítrio e sempre que podermos escolher entre um comportamento e outro.
Deve ter sido por causa destas certezas pessoais que hoje não dei um soco na cara da pessoa que me importunou, empurrou, berrou e xingou logo de manhãzinha, sem razão aparente.
… essa pessoa sim estava e ficou com muito mau karma… claro que senti uma raivazinha de criar bicho mas, como normalmente faço nestas ocasiões, afasto-me do meu próprio cérebro e instintos, não vão eles criar um caso de má vizinhança.
( a foto é de Douglas Filiak Designer da Fox TV americana)
sexta-feira, agosto 11, 2006
TWEETY vs JAMES BOND

Vamos agora ao TWEETY.
É um sacana de um canário amarelo que ninguém consegue deixar de gostar, mesmo que não se queira, porque não faz mal a uma mosca.
Ele pressegue impiedosamente a próxima malandriçe com o mesmo zelo com que devora alpista e sementes de girasol.
É jovem, não tão jovem como já foi um dia, mas que se lixe, o mercado está cheio de penas soltas ao vento, ansiosas por ouvir uma da suas piadas ditas naquela vozinha disléxica que todos conhecemos.
O Tweety não se veste, consome roupa, o Tweety não sai, vai curtir, o Tweety não tem namorada, tem amigas coloridas.
Nunca lhe aflorou sequer à mente assumir a pesada pena de se associar a uma canária para toda a vida, cruzes credo, lagarto, lagarto. Se o fez, por precalço do destino, então o destino é para se ir levando, pois não sofre de problemas de consciencia "what so ever", e se a canária tem a testa mais enfeitada que a Rua do Ouro no Natal, é sinal que ele não está morto.
Este simpático "herói" gosta de futebol mas muda de clube conforme aquele que está mais em voga, pois porque cargas de àgua há-de andar metido em discusões e polémicas, se pode todos os anos fazer uma farra no Marquês sempre que o campeonato termina.
Tweety tem nas novas tecnologias a sua maior fonte de alegria, é adepto dos chats da Net e, ocasionalmente, tira as sua penas farfalhudas em frente à WebCam se a gaja for mesmo de jeito, ou se for atrevidota e o elogiar q.b.. Claro que depois no dia seguinte troca impressões vastas e algo empolgadas com os outros Tweety, os quais se deslocam em bando, vestem mais ou menos de igual e possuem todos o mesmo vocabulário de chorrilho de palavrões e parvoíces de bradar aos céus.
O Tweety nunca sairá de casa dos pais, ou se tem casa própria, a mãe ou a tia vão lá com frequencia dar uma geral, deixar umas caixinhas de sopa de feijão e massa com carne, porque o menino não sabe fazer nada, coitadinho, lavam e passam a ferro e desencardem a parede junto ao computador, queixando-se que estas construções hoje em dia são uma porcaria porque o branco da parede está todo manchado.
O Tweety quando vê tv, vê o MTV, o zapping é a sua religião, não gosta de cinema se não for comédia adolescente, nunca abre um livro se este não tiver figuras em todas as páginas e aborrece-se facilmente quando tem seja lá o que for para fazer.
Agora existe uma raça nova de Tweeties. Os que passaram a casa dos 30 e ainda não acreditaram, alimentam horrorizados a esperança que quando prefizerem 40 anos o mundo já acabou.
Adoram mulheres mas têm um medo delas que se pelam, nunca as entenderam, e acham que também não é coisa que se faça nos dias de hoje.
Não percebem muito bem onde estão nem para onde vão mas também não entendem porque as pessoas se preocupam com estas coisas.
Não se consideram nem maus nem bons, mas acham a vida gira especialmente quando estão a curtir uma partidinha de snoocker com os amigos.
Acham imensa graça ao canal 2 da RTP no dia em que passa bola de manhã há noite e mudam para os anúncios da TVI quando está a dar alguma coisa que não seja bola.
Esta espécie de Tweety , mais entradote, dá concelhos à outra estirpe de Tweetys mais novos, especialmente "como comer uma gaja em 72 horas e pô-la a andar em 10 minutos, caso não nos dê o ka gente ker".
O seu slogan é " um macho não chora, não se compromete e diz sempre não no começo das frases".
Suspeita-se que os Tweetys considerem o James Bond "um kota fixe que anda sempre com umas cenas baris e umas gajas bué da boas, mas tá já passado de todo" – comentário recolhido em reportagem clandestina dito à boca pequena.
Não se sabe se os Tweeties serão o futuro ou se estão em vias de extinção, aguarda-se o decorrer do milénio para análise psico-sociológica mais apurada.
JAMES BOND vs TWEETY
Toda a gente conheçe estas duas personagens, de acordo?São ambos sacaninhas e levam sempre a sua àvante.
Começemos pelo JAMES BOND:
É um fulano bem parecido, algo metrosexual, sempre com uma boazona de um lado, uma peça de artilharia do outro e um martini, muito seco, no meio.
O James Bond espelha um tipo de homem que nunca está aqui nem ali, revolta-se com as maldades deste mundo, considera um enorme aborrecimento, raiando o blazé, estar ao serviço de sua magestade, mas é porreiro ter ordem para matar.
É um homem decidido, apressado, nunca considera ninguém sequer equiparado a ele, quando muito as pessoas dão-lhe jeito e toleram-se por isso.
Olha as mulheres de cima a baixo, apenas parando nos hemísférios mamal e rabal, e, de vez em quando, se ela for muito má, tão má que as bruxas e os vilões fogem dela, pode comentar-lhe o vestido e o cabelo, não vá a fulada estar com o período nesse dia e dar-lhe uma valente carga de porrada.
Este nosso "herói" não é nenhum dos meus adorados da Marvel, mas ele gostava de pertencer ao clube, contudo aborrece-o andar por aí a salvar pessoas indefesas.
O carro em que acede viajar tem de ser o melhor, cheio de gadjets, senão "he’s to sexy for his car". Tem sempre os trapinhos no lugar, o cabelo arrumado e nunca se compromete. Suspeita-se que existe uma Mrs James Bond, internada num hospicío, porque as mulheres são um cabo dos trabalhos e só servem enquanto forem detentoras de um título temporário.
Mr James Bond não nutre sentimentos por coisa alguma, até porque os martinis em excesso lhe toldam a razão em cada final de tarde.
Está em fase de expansão do seu património mas odeia discutir o vil metal, isso é coisa de pobre, o que tem é seu e se está manchado dos fluídos corporais das suas vítimas, tento melhor.
Cheira o seu baú de memórias, repleto de cabeleiras loiras, ruivas, platinadas e morenas, àvidamente quando, de forma fugaz, admite que levou uma tampa e anseia por esse desafio, o de dobrar a tampa que se atreveu a bater-lhe com a porta na cara.
O seu perfil, já com alguma pregas da idade, revela que um dia destes ou larga os martinis, ou substitui a peça de artelharia por Viagra, sob pena das boazona preferirem o personagem que se segue.
Na realidade é um solitário patético que tem medo da mãe e inveja do irmão mais novo formado em Engenharia de Sistemas.
Gosta de se intitular auto-didacta e almeja escrever um dia as suas "Memoirs", que vai anotando em guardanapos de papel as quais guarda religiosamente dentro da caixa de sapatos da primeira comunhão.
Inveja a juventude e inconsequência do Tweety, mas considera-o um gajo falido e tosco.
O James Bond espelha um tipo de homem que nunca está aqui nem ali, revolta-se com as maldades deste mundo, considera um enorme aborrecimento, raiando o blazé, estar ao serviço de sua magestade, mas é porreiro ter ordem para matar.
É um homem decidido, apressado, nunca considera ninguém sequer equiparado a ele, quando muito as pessoas dão-lhe jeito e toleram-se por isso.
Olha as mulheres de cima a baixo, apenas parando nos hemísférios mamal e rabal, e, de vez em quando, se ela for muito má, tão má que as bruxas e os vilões fogem dela, pode comentar-lhe o vestido e o cabelo, não vá a fulada estar com o período nesse dia e dar-lhe uma valente carga de porrada.
Este nosso "herói" não é nenhum dos meus adorados da Marvel, mas ele gostava de pertencer ao clube, contudo aborrece-o andar por aí a salvar pessoas indefesas.
O carro em que acede viajar tem de ser o melhor, cheio de gadjets, senão "he’s to sexy for his car". Tem sempre os trapinhos no lugar, o cabelo arrumado e nunca se compromete. Suspeita-se que existe uma Mrs James Bond, internada num hospicío, porque as mulheres são um cabo dos trabalhos e só servem enquanto forem detentoras de um título temporário.
Mr James Bond não nutre sentimentos por coisa alguma, até porque os martinis em excesso lhe toldam a razão em cada final de tarde.
Está em fase de expansão do seu património mas odeia discutir o vil metal, isso é coisa de pobre, o que tem é seu e se está manchado dos fluídos corporais das suas vítimas, tento melhor.
Cheira o seu baú de memórias, repleto de cabeleiras loiras, ruivas, platinadas e morenas, àvidamente quando, de forma fugaz, admite que levou uma tampa e anseia por esse desafio, o de dobrar a tampa que se atreveu a bater-lhe com a porta na cara.
O seu perfil, já com alguma pregas da idade, revela que um dia destes ou larga os martinis, ou substitui a peça de artelharia por Viagra, sob pena das boazona preferirem o personagem que se segue.
Na realidade é um solitário patético que tem medo da mãe e inveja do irmão mais novo formado em Engenharia de Sistemas.
Gosta de se intitular auto-didacta e almeja escrever um dia as suas "Memoirs", que vai anotando em guardanapos de papel as quais guarda religiosamente dentro da caixa de sapatos da primeira comunhão.
Inveja a juventude e inconsequência do Tweety, mas considera-o um gajo falido e tosco.
quinta-feira, agosto 10, 2006
Para cima de trezentas visitas...
O número 3 tem um significado mágico para mim.
A todos o que passaram por aqui e amavelmente perderam algum do seu tempo a ler e comentar as minhas ideias mirabolantes, o meu muito sincero obrigada!
Xi coração apertado a todos e a todas, sinceramente adoro-vos! (tststststs ah, não sabiam que eu era uma xaroposa sentimentalona pois não?... aguentem-se!!)
Music to set me on the right mood...
Falei no post anterior sobre os estados de alma que nos proporciona a música e comentou-se o estado de alma para o "momento certo", uma espécie de "sound track" para aquelas ocasiões especiais.Aqui está o meu, passo a passo, ou um dos sound tracks possíveis...
Preliminares fase 1: Guns'n'Roses - Dont you cry ; Brian Macffaden - Almoust here; Zero 7- uma qualquer ; Lloyd Cole and the Commotions - Are you ready to be heart broken?
Preliminares fase 2 , a descoberta: Cardigans - My favorite Game; Gnarls Barkley - Crazy; Semisonic - Secret smile; Rufus Wainwright - In My Arms.
Perliminares fase 3, o tira, tira : The Strokes - We only live once; Outkast - Hey Ya; Perfect Circle - Love Song (se ele aguentar a pedalada...)
A hora H, o tira teimas : Serge Gainsbourg/Jane Birkin - Je t'aime moi non plus; Portishead - Roads/Glory Box; Albinoni - Adagio; Franz Ferdinand - Darts of plesure.
O miminho do final : Pink Floyd - Confortably numb; Clã - Problema de expressão.
O Adeus : Franz Ferdinand - Walk Away; Lenny Kravitz - Fly Away
... mas dias há, ou noites, que apenas o som dos respirares e os bateres dos corações, o som da pele a ser tocada ao de leve e depois com mais força, o som escaldantes dos beijos, das dentadas, dos corpos que se abraçam, as coisas meigas que se dizem, os palavrões, os pedidos, as exigências, os comandos, as submissões, são companhia sonora mais que suficiente, não concordam?...
quarta-feira, agosto 09, 2006
Às vezes é o que basta...

... ouvir uma música, não obstante não ser a minha favorita, para me por mais bem disposta. Esta é uma delas que dedico aos sorrisos que me dirigem os amigos e conhecidos e EU a mim mesma!
Nobody knows it but you've got a secret smile
And you use it only for me
So use it and prove it
Remove this whirling sadness I'm losing,
I'm bluesing
But you can save me from madness
Nobody knows it but you've got a secret smile
And you use it only for me
So save me
I'm waiting
I'm needing, hear me pleading
And soothe me, improve me
I'm grieving,
I'm barely believing now, now
When you are flying around and around the world
And I'm lying alonely
I know there's something sacred and free reserved
And received by me only
Semisonic - Secret Smile
Calor, calor, calor...

Alguém me explica porque cargas de vento está tanto calor!?...
É impossível dormir, assim!
Se estou a falar ao telemóvel com os amigos, o aparelho fica encharcado!
Tenho a pele encarquilhada de tantos banhos, a banheira já não me pode nem ver, tal é a frequencia de visitas!
A televisão aborrece-me, não consigo concentrar-me nos livros, a música fica enfadonha mesmo que seja transmitida pela minha adorada Radar!
Não como nada de jeito, só me apetecem coisas frias e líquidos e mais líquidos gelados, dou por mim a balbucionar coisas imcompreensíveis… grrrrrrrr!
Assim é demais!
Chego a ter sonhos com paisagens de neve, vejo o pai Natal com camisas de manga de cava e calções (acreditem, é um pesadelo…).
Os frigoríficos, ares condicionados e ventoínhas passaram a ser os meus melhores companheiros.
Não consigo soltar o meu enorme e farto cabelo porque me faz um calor medonho, a roupa irrita-me e só me apetece chegar a casa e andar nua.
Admito que detesto a praia cheia de gente, evito os cafés porque estão apinhados, não consigo ficar quieta muito tempo numa sala de cinema, mesmo com o fresco do ar condicionado, porque imagino o calor lá fora ainda que saia já de noite.
Estou desesperada, alguém por favor, pode mandar vir o Outono o mais rápido possível??!!
terça-feira, agosto 08, 2006
Ter ou não ter, eis a questão... 40 anos

Fiz 40 anos em Maio e algumas pessoas amigas têm-me perguntado o que mudou na minha vida e o que é isso da ternura dos 40.
Claro está que esta questão é levantada não só por aqueles que se situam numa faixa etária inferior à minha mas igualmente perguntadores são os que por ela já passaram ou a atingiram recentemente.
Bem, eu tenho respondido que ainda não sei bem o que mudou, porque apenas cheguei aos 40 anos há pouco tempo mas provavelmente pouco ou nada mudou, de qualquer forma ainda não fiz nenhum balanço.
Porém uma coisa diferente tenho a certeza que sinto: perdi difinitivamente a pachorra para aturar as tretas dos outros, as cenas parvas, as coisas sem consequencia, a falta de vontade para serem e assumirem alguma diferença ou mesmo de se assumirem a si próprios doa a quem doer.
Acho que também, paradoxalmente, me sinto mais tolerante com quem realmente merece a minha tolerância, sinto-me una com os reais problemas das pessoas, às vezes mesmo de quem não conheço pessoalmente mas com quem vou mantendo algum tipo de vínculo de amizade.
Sinto-me também mais livre apesar da noção exacta de que o tempo realmente passa a correr. Experimento coisas novas, já não digo que não a nada só porque me parece estranho de início.
Consigo disfrutar de forma mais directa e com bastante deleite de várias gerações de pessoas, talvés porque me encontre num local de fronteira a olhar para os dois mundos e lamento as perdas de tempo de quem ainda acha que o tem em abundância e admiro quem o disfruta sem peneiras só porque as datas de aniversário se vão somando umas às outras inexorávelmente.
A ternura dos 40, muito sinceramente, penso eu que não existe ou é mais um dos mitos urbanos que alguém com ar mais que repassado inventou.
Ternura temos em qualquer idade, sempre senti ternura pelos meus amigos, família, colegas de trabalho, animais de estimação, objectos pessoais e outra quinquelharia afim que me acompanha ao longo dos anos.
Não me sinto mais terna por ter completado 4 décadas, sinto, isso sim, que a ternura é um estado de alma a não ser desperdiçado nos caixotes do lixo da existência.
Também não me apráz qualificar ou quantificar quem se aproxima de uma quarentona com evidente intenção de absorver um naco de experiencia que não lhe compete. Dou comigo a pensar que é o equivalente a usar uma esponja de banho no duche que não é nossa ou a ler uma carta ou diário que não nos pertence às escondidas. Até a noção da coisa me arrepia!
Contudo reconheço, porque também passei por essa fase, o fascínio dos mais novos pelas pessoas que são mais experientes mas ainda não podem ser catalogadas como velhas; é um manancial de vivencias que parece estar logo ali à mão. Mas cuidado se se pensa que quem experienciou a vida por mais alguns anos que outros abrirá assim mão do que aprendeu, só porque alguém está interessado em saber. Nada disso!!
Gosto e sempre gostei de dividir os meus conhecimentos com os outros apesar de saber que nada sei, mas sempre numa base de reciprocidade, de aprendizagem mútua, mas agora, do alto dos meus fresquinhos 40 anos, penso que nem toda a gente tem efectivamente algo a ensinar-me apesar de achar que posso aprender muito com quem realmente tem algo para me dizer.
Pode ser paradoxal esta minha opinião e susceptível de levantar alguma celeuma, mas não me importo. Aliás, acho que os 40 anos, se mudaram a minha visão do mundo em alguma coisa foi mesmo essa: já não me incomoda o que os outros pensam de mim!!
E que sensação de alívio e liberdade proporciona esse sentimento!! Chega a ser inebriante não ter nada mais a provar a alguém nem a mim mesma. Claro está que todos os dias revejo os meus limites, redimensiono a minha escala, questiono e volto a questionar as minhas opcções e pseudo certezas, mas nunca mais em prol de ninguém que não seja eu mesma, porque quero e sobretudo porque posso fazê-lo.
Não penso que homens e mulheres aos 40 anos possam ter chegado àquilo que realmente desejam na sua vida, se têm muito querem mais, se não têm nada, toca a lutar para conseguir mais e melhor, mas já sem sentimentos de culpa implacáveis, sem considerar ou medir o peso que a sociedade caústicamente pensa de nós e dos nossos actos e opcções.
Pois é, se calhar, para mim ter 40 anos não significa mudar muita coisa porque provávelmente sempre me senti igual a mim mesma, orgulhosa das minhas qualidades, hipercrítica com os meus defeitos. Já era assim aos 20, aos 30 e provávelmente serei assim aos 50, se lá chegar.
Quem já se sente assim, livre, de cabeça feita mas fresca, absorvendo àvidamente cada segundo do dia, tentando sempre auto-superar-se e escolher o melhor para si e tiver menos 20 anos que eu ou mais 20, então penso que estaremos do mesmo lado da barricada, optamos da mesma forma e escolhemos pelos mesmos meios.
Por estas e muitas outras razões ter 40 anos é muito bom, sabe bem estar vivo, lamenta-se o que se tem a lamentar, congratulamo-nos pelas coisas boas que alguém nos proporciona ou que vivemos solitáriamente mas o tempo dos arrependimentos já passou e isso é realmente uma sensação muito positiva, já não somos mais o que alguém nos destinou, não fazemos parte do imaginário de ninguém, temos o nosso próprio Universo em que cada pontinho luminoso conta, bem como cada região de escuridão, mas são coisas nossas, apenas nossas e mais ninguém tem nada a ver com isso!!
Claro está que esta questão é levantada não só por aqueles que se situam numa faixa etária inferior à minha mas igualmente perguntadores são os que por ela já passaram ou a atingiram recentemente.
Bem, eu tenho respondido que ainda não sei bem o que mudou, porque apenas cheguei aos 40 anos há pouco tempo mas provavelmente pouco ou nada mudou, de qualquer forma ainda não fiz nenhum balanço.
Porém uma coisa diferente tenho a certeza que sinto: perdi difinitivamente a pachorra para aturar as tretas dos outros, as cenas parvas, as coisas sem consequencia, a falta de vontade para serem e assumirem alguma diferença ou mesmo de se assumirem a si próprios doa a quem doer.
Acho que também, paradoxalmente, me sinto mais tolerante com quem realmente merece a minha tolerância, sinto-me una com os reais problemas das pessoas, às vezes mesmo de quem não conheço pessoalmente mas com quem vou mantendo algum tipo de vínculo de amizade.
Sinto-me também mais livre apesar da noção exacta de que o tempo realmente passa a correr. Experimento coisas novas, já não digo que não a nada só porque me parece estranho de início.
Consigo disfrutar de forma mais directa e com bastante deleite de várias gerações de pessoas, talvés porque me encontre num local de fronteira a olhar para os dois mundos e lamento as perdas de tempo de quem ainda acha que o tem em abundância e admiro quem o disfruta sem peneiras só porque as datas de aniversário se vão somando umas às outras inexorávelmente.
A ternura dos 40, muito sinceramente, penso eu que não existe ou é mais um dos mitos urbanos que alguém com ar mais que repassado inventou.
Ternura temos em qualquer idade, sempre senti ternura pelos meus amigos, família, colegas de trabalho, animais de estimação, objectos pessoais e outra quinquelharia afim que me acompanha ao longo dos anos.
Não me sinto mais terna por ter completado 4 décadas, sinto, isso sim, que a ternura é um estado de alma a não ser desperdiçado nos caixotes do lixo da existência.
Também não me apráz qualificar ou quantificar quem se aproxima de uma quarentona com evidente intenção de absorver um naco de experiencia que não lhe compete. Dou comigo a pensar que é o equivalente a usar uma esponja de banho no duche que não é nossa ou a ler uma carta ou diário que não nos pertence às escondidas. Até a noção da coisa me arrepia!
Contudo reconheço, porque também passei por essa fase, o fascínio dos mais novos pelas pessoas que são mais experientes mas ainda não podem ser catalogadas como velhas; é um manancial de vivencias que parece estar logo ali à mão. Mas cuidado se se pensa que quem experienciou a vida por mais alguns anos que outros abrirá assim mão do que aprendeu, só porque alguém está interessado em saber. Nada disso!!
Gosto e sempre gostei de dividir os meus conhecimentos com os outros apesar de saber que nada sei, mas sempre numa base de reciprocidade, de aprendizagem mútua, mas agora, do alto dos meus fresquinhos 40 anos, penso que nem toda a gente tem efectivamente algo a ensinar-me apesar de achar que posso aprender muito com quem realmente tem algo para me dizer.
Pode ser paradoxal esta minha opinião e susceptível de levantar alguma celeuma, mas não me importo. Aliás, acho que os 40 anos, se mudaram a minha visão do mundo em alguma coisa foi mesmo essa: já não me incomoda o que os outros pensam de mim!!
E que sensação de alívio e liberdade proporciona esse sentimento!! Chega a ser inebriante não ter nada mais a provar a alguém nem a mim mesma. Claro está que todos os dias revejo os meus limites, redimensiono a minha escala, questiono e volto a questionar as minhas opcções e pseudo certezas, mas nunca mais em prol de ninguém que não seja eu mesma, porque quero e sobretudo porque posso fazê-lo.
Não penso que homens e mulheres aos 40 anos possam ter chegado àquilo que realmente desejam na sua vida, se têm muito querem mais, se não têm nada, toca a lutar para conseguir mais e melhor, mas já sem sentimentos de culpa implacáveis, sem considerar ou medir o peso que a sociedade caústicamente pensa de nós e dos nossos actos e opcções.
Pois é, se calhar, para mim ter 40 anos não significa mudar muita coisa porque provávelmente sempre me senti igual a mim mesma, orgulhosa das minhas qualidades, hipercrítica com os meus defeitos. Já era assim aos 20, aos 30 e provávelmente serei assim aos 50, se lá chegar.
Quem já se sente assim, livre, de cabeça feita mas fresca, absorvendo àvidamente cada segundo do dia, tentando sempre auto-superar-se e escolher o melhor para si e tiver menos 20 anos que eu ou mais 20, então penso que estaremos do mesmo lado da barricada, optamos da mesma forma e escolhemos pelos mesmos meios.
Por estas e muitas outras razões ter 40 anos é muito bom, sabe bem estar vivo, lamenta-se o que se tem a lamentar, congratulamo-nos pelas coisas boas que alguém nos proporciona ou que vivemos solitáriamente mas o tempo dos arrependimentos já passou e isso é realmente uma sensação muito positiva, já não somos mais o que alguém nos destinou, não fazemos parte do imaginário de ninguém, temos o nosso próprio Universo em que cada pontinho luminoso conta, bem como cada região de escuridão, mas são coisas nossas, apenas nossas e mais ninguém tem nada a ver com isso!!
segunda-feira, agosto 07, 2006
O pecado

"Sin sin sin
Look where we've been
And where we are tonight
Hate the sin not the sinner
I'm just after a glimmer
Of love and life
Deep inside"
Robbie Williams - Sin
Em conversa com várias pessoas onde se dissertava sobre o tema diversas foram as definições deste sentimento que nos pressegue a todos, de uma forma ou de outra.
O que é afinal o pecado? Deve ou não praticar-se?
Sendo o pecado um dos actos desviantes humanos mais antigos, a par da cobiça e da ganância, também pecados, muito se comenta sobre ele surgindo, a cada passo, simpatizantes e detractores.
Alguns decidiram que o pecado é uma "cena vintage", ou seja, quanto mais antigo e primário melhor e se é para praticar então que seja daqueles bíblicos, especialmente os que tiverem a ver com a mulher/homem do próximo, de preferencia que nos proporcione memórias sumarentas e picantes.
Vamos primeiro dissecar o aspecto masculino da questão, sempre tão colorido e efervescente: os homens são a favor do pecado!
Não tem nem talvés, são pró mesmo, seja lá que pecado for eles pecam e gostam de o fazer.
O pecado, como espólio do universo masculino, faz parte de um imaginário colectivo deles que só muito raramente acedem em ventilar na sua íntegra, até porque alguns ainda são adeptos de que certos segredos não se expoem assim em praça pública.
Isto não significa que os homens sejam discretos a pecar, nada disso, ou que tenham falsos pruridos com a matéria a tratar, esqueçam.
Eles pecam e se puderem negam sempre que pecaram e quando admitem que o pecado ocorreu o elemento culpa é-lhes tão alheio que nem se discute.
Pecou-se está pecado! Siga para bingo.
Agora as mulheres, supostamente sempre analíticas e profundas, tecem idiossincrasias sem fim sobre o acto de pecar. Se vale a pena fazê-lo, o que se perde ou ganha ao efectivamente entrar numa senda de pecado, enfim…
As mulheres são menos pecadoras que os homens ou admitem-no muito menos, talvés se enganem ao explicar que precisam menos de pecar porque são mais maduras e constantes. Ou ainda são pelo "kiss and never tell"…
Seja lá como for o pecado mora já ali ao lado e a vontade de o cometer é sempre crescente.
Pode revestir a forma mais variada, desde o pecadilho de absorver mais um bocadinho de chocolate do que se deve, até ao galar ostensivamente o rabo do/a colega que passa todos os dias por nós, passando pelas clandestinas relações pessoais que mantemos com pessoas que não deveríamos manter, com o seu expoente máximo nas escapadinhas dos nossos compromissos (casamento, namoro, etc.) pelo qual todos já passámos ou gostaríamos de ter passado.
A questão é porém apenas uma: ou se peca ou não se peca, não se pode mais ou menos pecar.
Restam-nos então os desejos de pecar, analisar porque nos apetece sempre tanto ir por aí e nem sempre conseguir resistir estóicamente e dizer não às tentações.
E não resistimos porquê? Porque percar é bom, dá-nos um outro elã à vida de todos os dias, porque alguém nos trata melhor do que aquela pessoa que temos lá em casa ou porque simplesmente nos apetece reiterar-mo-nos da nossa capacidade de sedução.
Não pecamos porquê? Porque ou não surgiu ainda a oportunidade ou simplesmente não desejamos comer demais ou comer de tudo o que o cardápio nos oferece.
Se pecarmos como nos sentimos? Fracos? Sem critério? Ou tão sómente felizes e contentes de barriguinha cheia e com um brilhosinho nos olhos por vezes há muito perdido?
Se não pecarmos qual o sentimento que prevalece? Sentimo-nos cobardes e com a percepcção de que se todos lá fora o fazem porque não o fazemos nós? Ou ficamos de paz com a nossa consciencia porque fomos fortes e soubemos resistir?
Eu, pessoalmente, peco muito mais do que deveria, já fui mais pecadora, mas confesso que para vestir o hábito de monja ou de celibatária ainda me falta pecar mais um pouco.
Claro que não estou a falar de pecados capitais, apenas pecados menores, mais mundanos.
Mas o que dizem de nós os nossos pecados? Poderão eles definir o nosso carácter e a nossa personalidade? Somos melhores se não formos pecadores ou ao pecarmos descobrimos o verdadeiro caminho da virtude?
Não sou adepta dos confessionários mas lá que eles estão repletos de histórias mirabolantes estão. Por isso lanço-vos este desafio, pecadores e não pecadores, digam-me lá que ninguém nos ouve:
Não sou adepta dos confessionários mas lá que eles estão repletos de histórias mirabolantes estão. Por isso lanço-vos este desafio, pecadores e não pecadores, digam-me lá que ninguém nos ouve:
- São ou não adeptos do pecado? Se pecam como e porquê o fazem, se não pecam digam-me como conseguem resistir a essa reptiliana e ancestral tentação e desvendem os vossos segredos que vos permitem manter essa inabalável integridade…
Férias... de sonho...

O que poderiam ter sido as minhas férias de sonho...?
Definitivamente em Nova York!!
De nariz no ar e máquina fotográfica em punho admirando e invadindo os maravilhosos edifícios de Manhattan, tão diversos e todos belissímos.
De salientar o edificio Chrysler, magnífico exemplo de Art Déco, a imponente Times Square com os seus arranha-céus e as luzes flamejantes dos anúncios, o verdejante Central Park, O Grand Central Terminal, O Empire State Bilding, as colunas magestosas do Tribunal, o Museu Metropolitano de Arte, o Edifício da Bolsa, o incrível Flatiron, as maravilhosas igrejas e catedrais, a Biblioteca Pública, a Broadway... e muito mais.
É uma capital barulhenta, histérica, obssessivo-compulsiva até ao limite mas é a minha cidade favorita e seriam as minhas férias de sonho.
Um sonho várias vezes programado mas ainda não realizado, é uma paixão antiga, alimentada fervorosamente, um amor quase impossível mas não menos acarinhado por o ser.
De salientar o edificio Chrysler, magnífico exemplo de Art Déco, a imponente Times Square com os seus arranha-céus e as luzes flamejantes dos anúncios, o verdejante Central Park, O Grand Central Terminal, O Empire State Bilding, as colunas magestosas do Tribunal, o Museu Metropolitano de Arte, o Edifício da Bolsa, o incrível Flatiron, as maravilhosas igrejas e catedrais, a Biblioteca Pública, a Broadway... e muito mais.
É uma capital barulhenta, histérica, obssessivo-compulsiva até ao limite mas é a minha cidade favorita e seriam as minhas férias de sonho.
Um sonho várias vezes programado mas ainda não realizado, é uma paixão antiga, alimentada fervorosamente, um amor quase impossível mas não menos acarinhado por o ser.
Um dia, no futuro, amanhecerá comigo em Nova York, sózinha por ser uma paixão tão pessoal, jamais a conseguiria realmente viver com alguém.
segunda-feira, julho 31, 2006
Férias!!!

Vou para as minhas micro férias hoje e o tempo não passa mais...
Escolhi como companhia de férias este ano o novo livro de Susie Orbach " A impossibilidade de Sexo" da editora Estrela Polar.
Esta autora, psicanalista de profissão, tem uma abordagem do paciente de uma forma assaz curiosa. Não sendo própriamente inovadora, Susie Orbach, defende que a interacção emocional entre o paciente e o psicanalista é fundamental para uma boa terapia; nada daquela ideia que nos habituámos a ter destes profissionais, desligados, expectantes e sem se envolverem emocionalmente com os problemas de quem os procura.
Escreveu outras obras extremamente interessantes de destacar " O que querem as mulheres" e livros ligados à problemática das desordens alimentares sob o prisma psico-terapêutico.
O seu relatório de 2004 " A verdade da Beleza", em colaboracão com outra terapeuta Nancy Etcoff, da Universidade de Harvard, deu origem a uma das mais belas campanhas de publicidade que já tivemos oportunidade de ver: a "Campanha pela Beleza Real" da Dove, onde apareciam imagens de mulheres comuns de todos os tipos e tamanhos, algumas delas com cabelos brancos e cicatrizes.
Posso dizer-vos que este último livro desta autora/psicoterapeuta, com 370 páginas, é de tal forma empolgante que devorei já metade no fim de semana e trata de casos imaginários, mas muito reais baseados na prática clínica com o seus pacientes ao longo de 20 anos de actividade. São dissecados males tão comuns como a depressão, a solidão, o apetite compulsivo, os desejos sexuais insaciáveis e o medo da intimidade, revelando com muita franqueza o efeito que os pacientes têm sobre a terapeuta desvendando, de alguma forma, a maneira como a nossa mente funciona.
Boas férias!!!!
sexta-feira, julho 28, 2006
Fumar...

«Active Evil is better than Passive Good» - William Blake
Sou fumadora, muitas vezes compulsiva... é o meu maior defeito, segundo uns, o meu maior pecado quanto a mim.
Sou desportista, não tanto quanto devia, não bebo alcool, sou vegetariana, activista em prol de causas nobres, manifesto-me ruidosamente contra a injustiça, e tento ser benevolente para os menos favorecidos. Por estas razões fumar é um enorme contrasenso.
Tenho uma fixação oral que se manifesta desta forma e de outras também.
Assumo que gosto de chupar no cigarro, absorvendo a nicotina, vendo o fumo a subir lentamente, e não formulo na minha mente nenhuma imagem romântica ou audaciosa de estilo de vida acima da média, pseudo-intelectual ou outras impingidas pela publicidade. Apenas gozo o prazer, sem falsas culpas.
Porém admito que é um vício social, uma muleta psicológica, um escape, what ever...
O cigarro é meu companheiro na escrita, como agora, arde como ardem as emoções, sempre perto de mim. Já tentei deixar, claro, sou uma pessoa consciente mas o hábito faz este monge reincidir sempre.
Concordo com todas as medidas anti-tabagistas que acho algo hipócritas mas respeito sempre quem não fuma, regateio ocasionalmente, mas respeito.
Deploro e critico uma mulher grávida que fuma, e quem fuma ao redor dela, nunca penso sequer em fumar se estiverem crianças ou doentes por perto, e se alguém se sente incomodado com o meu cigarro em qualquer circunstância, desculpo-me e apago o vício onde posso.
Mas eu fumo...
Faço-o a escrever, a ler, deitada na cama, antes e depois do sexo, a beber café, depois de comer, quando estou nervosa e quando estou relaxada, depois de sair do yôga, quando os colegas já foram embora, escondida, clandestina.
Acho sensual uma boca em volta de um cigarro, sugando o objecto, devagar ou sofregamente, gosto da névoa que se forma à volta das pessoas, como que a reproduzir o meu fenómeno atmosférico favorito: o nevoeiro.
A névoa do cigarro, para mim, para ser realmente perfeita, deveria produzir trovoada com raios, 2º fenómeno atmoférico que mais aprecio.
É um assunto polémico o do cigarro, estou certa disso, mas altamente pecadora confesso, não consigo passar sem ele, como me custa igualmente passar sem sexo.
Não tem nada a ver? É provavel... mas são duas adicções que não me transtorna nada admitir.
Fumadores? Não fumadores? Manifestem-se, opinem.
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