
quarta-feira, novembro 15, 2006
Pieces of the people we love

segunda-feira, novembro 13, 2006
Quintas feiras, dias só de gajas...

quinta-feira, novembro 09, 2006
O propósito das coisas

Porque razão criei o meu blog?
quarta-feira, novembro 01, 2006
Dia das bruxas, dos bruxos e outras frustrações...

Desculpem-me mas é que não há pachorra para certas coisinhas!!
segunda-feira, outubro 30, 2006
Esta Areia Fina

Não sei
se o que chamam amor é este apaziguamento.
Não sei se comias fogo. Tuas abelhas
voam agora em círculos traquilos.
Mães serenam seus filhos no ventre,
não sei se o que enfim chamam
amor é esta areia fina.
Agora estamos um dentro do outro,
fazemos longas visitas deslumbradas
porque “o nosso prazer lembra um rio vagaroso
no meio de juncos ao cair da tarde”
As palavras tornam-se esquivas. Com o silêncio
falaríamos melhor de tudo isto.
Não sei se o que chamam amor
é a cama desfeita o sol fugindo,
uma vontade louca de beber
a grandes goles a noite entorpecente.
Com o silêncio, o silêncio sem nome:
morremos a meio do filme
simples, calada, delicadamente.
Eras tu, amor? – Era eu, era eu!
Um barco junto à margem. E cegonhas.
Fernando Assis Pacheco
domingo, outubro 29, 2006
Que lábios já beijei, esqueci quando

Que lábios já beijei, esqueci quando
e porquê, e que braços sobre a minha
cabeça até ser dia; a chuva alinha
os fantasmas que rufam, suspirando,
no espelho, respostas esperando,
e no meu peito uma dor calma aninha
rapazes que não lembro e a mim sózinha
à meia-noite já não me vêm chorando.
No inverno a solitária árvore assim
nem sabe que aves foram uma a uma,
sob os ramos mais mudos: nem sei quais
amores vindos, idos, eu resuma,
só sei que o verão cantou em mim
breve momento e em mim não canta mais.
Edna St. Vicent Millay
sábado, outubro 28, 2006
O aborto de Deus

terça-feira, outubro 24, 2006
O efémero

O que fazer da realidade e dos dias concretos que nos envolvem? Que dizer dela e da finalidade dos nossos dias finitos, tantas vezes inadequadamente aproveitados?
P A Z
A pintura é de Paula Rego e chama-se " the blue fairy whispers to pinocchio"
segunda-feira, outubro 23, 2006
Acende uma vela!!

http://www.lightamillioncandles.com/
Vai a este site e acende uma vela, apenas isso. Dá a tua contribuição e luta desta forma contra o flagelo incompreensível mas real da pedofilia.
ESPALHA A MENSAGEM!
domingo, outubro 22, 2006
Denunciar impõe-se!

Em 40 anos de vida, de muitas aventuras e peripécias, nunca tal me tinha acontecido! Ver o meu tempo, a minha paciência e integridade, serem ocupadas por alguém desconhecido, contra a minha vontade e sem que para tal tenha contribuído, provocado ou desejado, é algo que julgava impossível de acontecer.
Damos o nosso corpo ou não a quem queremos, não precisamos de rastejar atrás de ninguém, por muito fascinante que essa pessoa seja, porque existem milhões de outras por aí. A net permite-nos contactos rápidos e só vai conhecer gente quem quer, ninguém obriga ninguém a nada: É O TOTAL COMUNISMO NOS CONHECIMENTOS, O GRUPO, O CONJUNTO PREVALECE, EM DETRIMENTO DO INDIVÍDUO.
Isto significa ao mesmo tempo que temos o total direito de dizer NÃO ao que nos apetece ou ao que NÃO QUEREMOS! E sem mais explicações!
Assim sendo, AOS ASSEDIADORES DESTE MUNDO, se vos digo que NÃO, tenho o direito de fazê-lo e de escolher se vou com este ou com aquele, SEM SER POR VÓS CONSIDERADA PUTA OU VACA, pois é devido à grosseria de muitos de vós homens, - resalvo que não todos!! - que as mulheres se afastam quando até parecem já estar no papo!
Este atrasado mental, lobotomizado e alienado , trazido até mim por 3 dias ( até ver...), através de um abuso de confiança de alguém que me conheceu ou conhece, e que usou da violência verbal, de ameaças à minha integridade física e moral - na figura do sei quem és e onde moras! -
Este comportamento de predador cobarde, acobertado atrás de outro homem, e escondido por um número de telefone móvel sem possibilidade de identificação, faz parte do imaginário de horrores de quem está sossegado no seu canto, a jantar com os amigos, ou em casa de pijama a ver televisão, imaginário que apenas temos acesso quando sabemos de uma ou outra história, como esta que agora denuncio e divulgo.
sábado, outubro 21, 2006
Singularidades

Nietzsche
- Janta comigo – dizia tão sómente a sms no telemóvel dela.
Parecia um convite simples, singelo, algures entre o mero desejo e a urgência de companhia.
O programa proposto era jantar, assistir a um filme e dormir, se quisesse, em casa dele.
Conheciam-se há pouco tempo, falaram algumas vezes na net, tomaram um café apenas. A conversa gerada nesse encontro foi inteligente, intimista, directa, algo profunda para uma primeira vez entre duas pessoas estranhas e de idades tão distintas.
Ela demorou a aceitar um segundo encontro não por desconfiança ou por ter desgostado dele, mas apenas por antecipar algum tédio subjacente, ou por lhe cheirar a sangue de feridas recentes.
O sangue fresco das feridas dos outros começava a causar-lhe alguma repugnância ou seria apenas por já não lhe apetecer ser mais amiga de ninguém de uma forma singular, algo parecido com um self-service de um prato só.
Foi ter com ele, a conversa desenrolou-se amena como da primeira vez, as ideias eram compreendidas por ambos sem explicações desnecessárias.
O filme correu por alguns minutos e a aproximação dos dois corpos na semi-escuridão da sala abafada, provocada por ele de forma subtil mas persistente, não foi negado por ela, não correspondeu nem fugiu, deixou-se ficar.
Alguma doçura da parte dele, porém, motivou-a . Não foi ali para ter sexo; talvez tenha sido ingenuidade da parte dela, talvez se sentisse curiosa ou apenas aborrecida naquele final de semana.
Jogaram-se as palavras, atiradas como confidências, dividiram anseios e preocupações sobre a vida, sobrevoou-se o passado... é tabú tocar no futuro.
Beijaram-se e tocaram-se horas a fio, ávida ou lentamente. Ela, mais velha ou mais experiente, apreciou ter nas mãos um corpo masculino ainda habitado por aqueles pequenos complexos ou medos próprios de quando somos mais jovens e nos vemos perante algo que nos desafia.
O cabelo dele era macio, a pele quente, o cheiro dele emanava ainda alguma pureza, difícil de encontrar em homens mais velhos, os gestos doces, excitados mas sem artifícios.
Ajudou-o a descobrir, calmamente, recantos no seu corpo que haviam sido negligenciados até então. Arrancou-lhe sensações, arrepios, risos nervosos.
Ele perguntou-lhe se ela era feliz e abraçou-a fortemente ao escutar a resposta... afinal eram dois naúfragos.
Os momentos vividos naquela noite pareciam querer congelar o tempo; certas horas são mais perfeitas que outras é natural que as queiramos registar nas nossas mentes, mesmo que a realidade posterior se encarregue de desmentir, implacávelmente, essa perfeição.
Quando o sexo estava eminente a sua mente já não estava ali, o corpo ia disfrutando de alguma da intimidade gerada, mas ela sentia-se desligada dele, como se sentia de todos os outros.
O sexo e a sedução, o erotismo e o mistério, deixaram de estar interligados, caíndo compartimentados como se tivessem sido dispostos em alumínio alveolar. Não caminhavam mais de mãos dadas.
Maquinalmente ajudou-o na tarefa de colocar o preservativo, brincando com algum do nervosismo da ocasião. Ela desceu à terra por momentos, apenas o suficiente para lhe mostrar que este momento também pode ser diferente e divertido.
Sentiu a penetração e assistiu ao orgasmo dele como quem assiste a um facto consumado que já pouco lhe diz, como quem admite, enfadada, que certas coisas são quase sempre todas iguais.
Ou reflecte apenas que o amor aprende-se e ensina-se com o tempo, ou simplesmente reaprende-se no corpo do outro. Mas não há tempo os desejos vão ser aniquilados no despertar da manhã seguinte; os príncipes de uma noite só tendem a ser os sapos do raiar da aurora, é um facto da vida e não podemos querer ensinar tudo a alguém.
Claro que ela pode interromper este interminável ciclo já que sexo com alguém não passa de uma forma de estar consigo mesma mas em stereo.
São precisos 2 para dançar, é verdade, mas terá deixado de se interessar por este baile inconsequente dos corpos, em mais uma valsa, em mais um tango de uma só partitura?
Conjugar os verbos no singular ou existir em estado de singularidades terá atingido um ponto de total aborrecimento na vida dela, em que dançar sózinha não se distingue do fazê-lo acompanhada?
Ou ter-se-à aborrecido de dançar mal e com maus executantes ou simplesmente negligentes?
Terá perdido em algum atalho deste processo a capacidade de ouvir a bela música dos corpos e apenas se apercebe dos autismos?
Ou deixou simplesmente de acreditar nos delicados acordes produzidos pela sintonia das almas quando as bocas se procuram, em puro acto de desejo?Provavelmente ela apenas pensa que é já demasiado tarde para continuar a fazer coisas inúteis com a sua vida.
quinta-feira, outubro 19, 2006
Procura

Se calhar é um erro começar pela cama. Mas hoje é assim que se faz. Hoje começa-se pela cama, mas, depois do encontro, quanto a mim - e não apenas a mim - não tem acabado. Para um jovem macho inseminador se calhar acabou.. Mas para mim, para nós... depois há as desilusões, os desacordos porque estás perante um sujeito inconsistente ou banal, ou parvo, ou ordinário, ou incapaz de ter diálogo ou intimidade. Um sujeito que te fala de carros, futebol ou dinheiro, ou um sujeito que, pelo contrário, é interessante mas continua a dizer-te como um idiota: mas eu quero ser livre. Enfim, é qualquer coisa que requer muita força para não se resignar, para não se render à tristeza, para não se deixar dominar pela ideia de que não há ninguém bom para ti. Quantas vezes, quantas vezes, acredita, fui para a cama com alguém, tantas mulheres foram para a cama com alguém apenas porque tinham a secreta esperança de que se abrisse uma porta para um grande amor capaz de durar."
terça-feira, outubro 17, 2006
Prémio Nobel da Medicina 2006 / Desligar o cromossoma do amor / Francesco Alberoni

domingo, outubro 15, 2006
domingo, outubro 08, 2006
O pior:
O filme a nível visual e estético é belo, apostando forte num look retro, a fotografia "a sépia" é maravilhosa, recriando o cenário próprio dos finais da década de 40. Prevêm-se óscares para estes senhores: Dante Ferretti, designer de produção e Vilmos Zsigmond, fotografia.
Porém as representações são imensos tratados de puro tédio. Pela primeira vez detestei ver na tela actrizes de excelência com Hilary Swank e Scarlett Johansson, parecendo encolhidas dentro dos espartilhos de papeis desempenhados sem imaginação ou emoção. Nem Mia Kirshner, a dália negra, originalmente chamada de azul, se safa.
Atendendo à enorme fama que este crime teve em 1947 e seu também subsequente famoso livro de James Ellroy, grande mestre de policiais "noire", que serviu de inspiração a De Palma, esperava-se um filme portentoso, como foram Scarface, Os Intocáveis e LA Confidential, de Brian de Palma.
Contudo, e apesar da carga dramática e de intriga do livro, de notar que a mãe de Ellroy teria sido brutalmente assassinada e igualmente o autor do crime nunca foi descoberto, e do exorcismo que este faz do seu drama pessoal no livro, De Palma pareceu ter receio de deixar voar as estrelas do seu elenco, pois o material de representação seria mais que suficiente para os óscares ficarem todos já aqui e não se falava mais no assunto até final da temporada. Apenas Aaron Eckhart pareceu ter alguma noção do que é um detective obcecado por um caso insolúvel, resultando daí uma personagem com maior credibilidade.
Terrores nocturnos

quinta-feira, outubro 05, 2006
Histórias de bravura e companheirismo
O novo filme de Oliver Stone conta duas das milhares de histórias de enorme coragem na intersecção entre o bem e o mal, durante um acontecimento dramático da nossa História Universal colectiva comtemporânea.
Em vez de escaranfunchar na ferida aberta do 11 de Setembro, Stone prefere uma abordagem de esperança e bravura face a acontecimentos absolutamente esmagadores que marcaram aquele dia.
Oliver Stone aproveita para fazer, em torno do seu novo trabalho, uma saudável campanha anti-Bush, pois nunca devemos confundir a América, os americanos e os seus presidentes autistas e adeptos de campanhas virais, belicistas e invasoras.
Aliás desde o trauma americano contraído aquando da derrota no sudoeste asiático com epicentro no Vietnam, que a opinião pública americana se manifesta contra campanhas de ingerência bélica noutros estados.
Um filme que me surpreendeu pela sua sobriedade e não exploração do material de horror a que todos fomos expostos durante centenas de horas de emissão ad nausea aquando do dia em questão e ainda recentemente, aquando das comemorações da passagem do 5º aniversário daquela data.
Nunca deveremos esquecer este dia, até porque tudo aponta para o escândalo que virá a público, mais cedo ou mais tarde, pois a Mossad, serviços secretos israelitas, tinham conhecimento dos planos de ataque ao WTC/EUA, e absteram-se de informar a sua congénere americana e um país seu aliado ferrenho.
Vejam pois o filme, apercebam-se do que foi um país em estado de guerra, uma cidade em alerta máximo, primorosamente reproduzido neste filme.
Ah e levem muitos lenços para limpar as lágrimas nem que sejam as do vizinho sentado ao lado... eu levei com uma que parecia que estava num funeral de família.
