quinta-feira, novembro 30, 2006

4 da tarde...


São quase 4 horas da tarde e já deito a empresa pelos poros. Alguém "escandalosamente importante" virá aqui dentro de minutos e que terei de acessorar num trabalho completamente idiota, prevê-se portanto um final de tarde de seca.
...»
Vem aí o mês de Dezembro e a Fnac hoje estava impossível de aturar à hora do almoço. Parece que estamos em guerra e as pessoas abastecem-se selváticamente. Costumo lá andar de volta das novidades e do cantinho "indie", sempre que posso, e hoje comprei o novo dos neo-zelandeses The Veils e o "Poses" do Rufus Wainwright que andava a namorar há algum tempo. Desesperei para arranjar bilhetes para o Stuart Staples... debalde... não será desta. E disse adeus a um querido amigo que vai de mini-férias com a família.
...»
Dia absurdo que não chega ao fim; e o Natal à porta, sou fã, mas já me começa a faltar a paciência (ainda a procissão vai no adro), detesto consumismo. Este ano vai tudo corrido a livros, já avisei, tirando o meu sobrinho.
...»
Estou constipada e entupida como um verme e a melancolia de "Cigarettes and Chocolate Milk" invade-me, ocupa-me todos os neurónios.
...»
Um instante de alegria para abrir o novo livro ilustrado que chegou: a Farsa de Inês Pereira, esse mesmo, o de Gil Vicente; está mesmo engraçado.
...»
Apetece-me escrever, escrever e escrever mais ainda, mas não me apetece mexer uma palha... que enorme neura... é sempre assim em pré-feriados...
...»
Vou beber um chá...
...quem sabe se nas folhas do fundo da minha chávena se desenhará um anjo que me pegue na mão e me salve desta existência miserável...


...» a foto belissíma é de Joel Calheiros e foi tirada do site 1000 imagens

"Não somos criaturas de um só dia"


Na escuridão a lua vigia,
côncava.
Os teus olhos estão fechados -
todos viram algo,
mas ninguém a mesma coisa.
O que o rosto esconde
a noite descobre
a porta está aberta.
Os teus olhos estão fechados -
o teu rosto está perto do meu.
Uma força ergue-se uma e outra vez
no momento em que nascemos
- e não somos criaturas de um só dia.
Os nossos cérebros não foram construídos
para manobrar asas
mas para fabricar linguagens
e navegar de outra maneira:
pensar é tentar ver
de um modo novo, com claridade polar
- o que significa também
perceber as limitações.
Os teus olhos estão fechados -
o teu corpo é um assalto
ao brilho-açafrão.
O sono tombou
a pedra Roseta do teu cérebro;
mostra uma escrita
que ainda não decifrámos...
O nosso lugar é o tempo
e lemos,
como se tentássemos lembrar
o que ainda não nos aconteceu.
O que não fazemos
não é perdoado.
Uma das mãos agarra com força,
a outra protege,
uma terceira abençoa.

Os teus olhos estão fechados -
a alma é atraída
pelo espaço infinito
construídos pelas pausas da música.
Tenho o teu grito
na minha boca.




Pia Tafdrup in "Ponto de focagem do Oceano"
(Dinamarca)

A foto é da autoria de Luís Lobo Henriques e chama-se "Pastor de Nuvens", retirada do site 1000 imagens

terça-feira, novembro 28, 2006

às vezes é só a poesia o que nos resta...


Carlos Drummond de Andrade


O mundo é grande
O mundo é grande e cabe

nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.



Eugénio de Andrade

Lettera amorosa


Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca

segunda-feira, novembro 27, 2006

Mário Cesariny ...


... ou como a morte nos rouba os talentos mas nunca as memórias.


"Queria de ti um país de ondas e de bruma, queria de ti o mar duma rosa de espuma."

quinta-feira, novembro 23, 2006

Agressões físicas


Hoje de manhã a caminho do trabalho fui vítima de uma louca que me agrediu. Isso mesmo, bateu-me.
Em pleno autocarro cheio de gente, o azar bateu-me à porta sob a forma de alguém que não gosta de apertos nos transportes nem dos costumeiros empurrões para entrar.
Fui à esquadra de polícia da Pç do Comércio apresentar queixa e deparei com um enorme profissionalismo de um dos agentes que me atendeu e do apoio que me deu. Ponto deveras positivo; para me acalmar acabámos por falar um pouco de livros quando revelei o meu local de trabalho. Já lhe mandei um porque a sua simpatia foi enternecedora.
Detesto, por princípio, tecer considerandos de tipo alarmistas ou castastróficos quanto à sociedade em que vivemos, nem que seja pelo facto de viver nela e ser sujeita aos seus "agentes poluentes" mas também por acabar por contribuir, mesmo que de forma inconsciente, para essa poluição comportamental. Igualmente porque as pessoas más são muitas mas as boas também existem; hoje convivi com as duas faces da moeda, infelizmente da pior maneira.
Porém não consigo deixar de pensar que as pessoas estão a enveredar por caminhos assustadores sem se deterem para pensar em soluções pacíficas e da via do diálogo. Parte-se para uma agressão física na primeira hipótese sem equacionar prós e contras de outra solução.
Vi-me assim obrigada a contribuir, desta feita, rasgando o véu de silêncio que todos adoptam, quase sem excepcção, com o intuito de ensinar os que agridem verbal e fisicamente os outros a não ficarem impunes.
A raiva e o ódio são sentimentos passíveis de ser dominados e geridos, explodidos nos locais próprios, ginásios por exemplo com uma boa suadela, não podem ser canalizados como dejectos e despejados nos demais, apenas porque é frustrante andar de transportes públicos em hora de ponta.
Ocorreu-me agora mesmo o arrepiante pensamento: se esta cena se tivesse passado noutro país onde as armas se vendem como rebuçados eu estaria morta, provavelmente, ou se as oito pessoas que tentaram apartar aquela mulher tresloucada dos meus cabelos, não a tivessem conseguido segurar, talves estivesse agora nas ugências de um hospital e não aqui, a escrever-vos esta história, sossegada na minha secretária.


A VIOLÊNCIA JAMAIS DEVERIA SER ENCARADA COMO UMA SOLUÇÃO... POR MUITO QUE NOS APETEÇA E A POSSAMOS CONSIDERA-LA JUSTA NAQUELA OCASIÃO.

Pensem nisso...

A todos...

Suponho que seja correcto da minha parte esclarecer os meus muito simpáticos leitores àcerda do post e comentários de ontem. Então cá vamos:
1 - Não estou aborrecida com ninguém
2 - Podem colocar os comentários que acharem por bem, isto incluí piadas ou anedotas
3 - Agradeço que continuem a fazê-lo
Ponto de honra: respeito por mim, pelo blog e pelo conteúdo do post, para não ter de apagar comentários o que me desagradaria por princípio de liberdade de expressão, mas também me desagradam opiniões que visem apenas ridicularizar ou afrontar quem escreve. Os blogs são locais públicos mas não são WCs ou sarjetas para serem despejados sub-produtos originários de humores dispépticos ou de frustrações de vária índole.
Nota : seja lá por que razão for este blog não é lido nem comentado por mulheres, o que me desgosta mas não será por aí que a burra vai às couves, por isso gosto de trazer assuntos polémicos e que façam, pretensão a minha provavelmente, as pessoas pensarem em temas sobre os quais não se debruçem vulgarmente. Pelo facto de não contar com visões ou versões femininas extra a própria, isso faz com que estejam vocês homens em maioria. Por se tratar de um facto, chamo a vossa atenção para o princípio democrático da equidade e da decência: uma multidão contra um indivíduo apenas, não nos faz sentir nem humanos nem bons. Por isso o respeito é FUNDAMENTAL.

Temas como o que aqui ontem foi exposto, foi escrito de forma a não melindrar ninguém, escarnecer ou fazer sentir algum tipo de inferioridade ou superioridade. Se aos homens não agrada o que as mulheres inteligentes, saudáveis e independentes falam na vossa ausência, creiam que nós aguentamos comentários de mau gosto, assédios, improbérios, más formações, em suma, violações de integridade física e moral há centenas de anos e tentamos sempre, falo por mim e pelas mulheres que tenho a honra de conhecer, sabemos o que dói por isso NUNCA VAMOS POR AÍ.

Tudo o restante que não refiro conto com a vossa inteligência para deduzirem.

quarta-feira, novembro 22, 2006

O pénis como documento


Mais um dia para as amigas. Foi ontem. Dia de bola para os comuns mortais e para nós mais um encontro de conversa animada e animante.
Desta feita fomos apenas três do grupo que se juntaram nas galerias do Chiado para dar umas valentes gargalhadas ao som dos golooooo!!! sempre que a equipa portuguesa em campo ia, aqui e ali, marcando.
Sejamos nós de que clube formos é, no mínimo, patriótico defender quem quer que seja que vista as cores portuguesas e esteja em campo a dar uma abada aos congéneres estrangeiros.
E por falar em marcar golos...
Bem, não nos reunimos em prol da actividade desportiva mais amada em Portugal ou no mundo, reunimo-nos para disfrutar da companhia umas das outras. Simplesmente.
A conversa ora decorria em inglês (uma de nós é proveniente da Hungria e ainda não domina o nosso idioma), ora em português, o que é sempre engraçado para nós e até para quem assiste, o que inevitavelmente acontece quando um grupo de raparigas se diverte sem machos por perto.
Falamos sempre imenso. Sobre livros, viagens, os nossos trabalhos, sobre o Natal que se aproxima e, claro, sobre "eles"... para variar.
O tema divergiu para um certo "materialismo picante" e eu vou ser comedida pois o meu blog não é "desses". Falávamos de pénis, sim é verdade, á hora do jantar deu-nos para comentários sobre estas "guloseimas".
Como são, a cor da pele, a textura, o calor, o comprimento e grossura. Concluímos então que alguns dos membros viris são tão grandes como hastes, estendendo-se orgulhosamente para a frente, outros são mais pequenos e envergonhados, outros ainda cor-de-rosa e macios como pequenos leitõezinhos, com veias pouco cheias. Mas há-os também de pele escura, mesmo que o homem não seja de raça negra, repletos de grossas veias que lembram a cordoalha dos navios. As curvas e desvios dos pénis também estiveram em análise, alguns parecendo autoestradas sinuosas e outros estreitos caminhos direitos.
O membro masculino pode ser orlado por uma profusa manta de pêlos ou apenas um tufo tímido e ornamentado por grandes ou discretos "enfeites". Existem ainda alguns cheios de força anímica, largos como cilindros, outros de fraca constituição.
Contudo, postas todas estas particularidades e até superficialidades de interesse feminino, chegámos à brilhante conclusão que tamanho não é documento. Apenas a grossura conta realmente e não aquilo que se chama vulgarmente "uma coisa grande". Um tamanho médio mas grosso q.b. basta-nos a todas.
Claro que a perícia do dono desse sortudo pénis é importante, ou de qualquer outro, mas isso são outros quinhentos, pode ser que um destes dias aborde esse tema, quando estiver, quiçá, mais inspirada.
Apenas não resisto a tecer um ou dois comentários sobre a perícia: é que alguns parecem estar confortavelmente "ao volante" de um robusto transatlântico quase em modo de auto-gestão, outros dão a ideia de viajarem à boleia na galáxia do sexo, numa nave cujos constantes avisos luminosos indicam que o suporte básico se encontra em "malfunction" quase permanente, ou ainda outros ostentam o seu material reprodutivo, sempre que podem, orgulhosos do que a natureza lhes deu, não obstante desconhecerem mais ou menos tudo aquilo que a experiencia de um "vintage" não necessita de alarvar.


... nem adianta explicar, pois não?...

quarta-feira, novembro 15, 2006

Pieces of the people we love


A frase não é minha é do grupo pop "The Rapture" ( http://www.piecesofthepeoplewelove.com/ ) e escolhi-a por uma razão de semântica da palavra "pieces" e que imprime um sentido diferente às outras palavras todas .
Isto porque a ideia seria escrever sobre os pedaços, bocados, peças, particularidades das pessoas que amamos: os nossos amigos, familiares, namorados/as, e por aí fora. A palavra em inglês aos meus olhos e ouvidos soa com a intenção absolutamente certa relativamente ao que quero dar a entender neste post.
As pessoas que amamos e as suas coisas particulares, a sua voz, a sua maneira de estar, de andar, o gargalhar ou apenas o sorriso, o cabelo, as mãos, os olhos e olhares ou ainda de forma mais abstracta, os seus pensamentos, ideias, opiniões, colocações perante a vida, os seus ideais, as suas esperanças, as suas vivencias, as quais fazem delas, de cada uma e de todas elas, um universo particular.
Tenho amado algumas pessoas em toda a minha vida, umas quantas de forma intensa, poucas felizmente, mas gosto de todas as que me têm tocado de perto, algumas de forma menos positiva, não obstante revelam-se sempre com alguma utilidade de carácter estruturante.
Algumas características das pessoas são, no meu caso particular, decisivas para as entender. Desde logo a voz, algo que nos vem de dentro do corpo, que é sempre diferente e que me cativa ou repele de forma quase inexplicável. Depois a forma como a pessoa se expressa, independentemente de concordar com as suas ideias ou não, a maneira como a voz se enrrola nos pensamentos, ou como as palavras são ditas, a intenção nelas colocada, o "corpo" que a voz tem, o timbre, marcam a pessoa como uma impressão digital.
A seguir a profundidade do olhar, a maneira como a cor dos olhos preenche o globo ocular, a limpidez, a colocação destes orgãos no rosto da pessoa, a comunicação de caracterologia quase lombrosiana entre a parte superior e inferior do rosto, revela um pouco o carácter e a estabilidade da personalidade do indivíduo. Nada tem a ver com beleza física, apenas com uma noção "privatizada" de equilíbrio.
Não posso esquecer a textura da pele e as mãos, não propriamente se são bonitas ou vulgares, mas a forma como elas bailam à volta da pessoa. É para mim como os enfeites na àrvore de natal; a àrvore sempre existirá contudo os enfeites dão-lhe um encanto todo especial. O ballet das mãos, a postura dos dedos, a forma como completam todo um cenário de orquestração musical com o resto do corpo distingue as pessoas de forma indelével.
Por último a forma de andar que nada tem a ver com um caminhar de passerelle, antes um cunho pessoal que, no meu entender, posiciona a pessoa no espaço que o rodeia e perante os demais. O andar de alguém sugere a sua energia e a noção que tem do seu campo gravitacional.
Todos estes meus gostos podem indicar que dou demasiada importância à aparência das pessoas. Nada mais se afasta da realidade. Por isso escolhi a palavra "pieces" porque, com estas noções, é minha ideia olhar os outros como peças de um puzzle, mas também destrinçar-lhes os bocados da alma que assim expostas dão-me pistas do seu ser, do seu estar.
Por estas e outras razões todos, ou quase todos, os meus amigos e amigas, são cheias/os de singularidades que não encontro em mais lugar nenhum. Digo lugar porque todos nós somos um lugar, somos um país de nós mesmos, sede da nação das nossas almas, estamos e assim ficamos não onde nos colocaram mas para onde decidimos ir, porque para lá caminhamos, sempre em movimento.
Como ilustração digo que os olhos azuis da minha amiga Sofia revelam a alma que a habita, o leve babolear do meu amigo Pedro denunciam a atitude pacífica em tudo e para com todos, a posição das covinhas no rosto do meu amigo Rui espelam a sua inteligencia e sagacidade, o porte altivo da minha irmã E., a sua atitude de rainha subjugando o mundo com o seu frio encanto, o olhar de cachorrinho abandonado do meu amigo Marco revelam a sua imensa carência de afecto, a gargalhada contagiante da minha grande amiga Marta, denuncia a sua força de vontade, o leve arquear das costas de um outro meu amigo revelam alguma subjugação ao mundo que o rodeia e à vontade dos demais, e tantos outros mas não me alongo que a lista seria interminável.
Eu e este cabelo rebelde, entidade própria que devia pagar impostos e ter BI, revelam por demais a minha repugnância às circunstâncias algo inextricáveis da vida e a minha conexão aos princípios da liberdade, o meu andar um pouco felino dá uma noção do meu carácter observador e analítico.
Digam-me, estimadissímos leitores e comentadores deste blog, o que os move e motiva nas pessoas que conhecem, o que lhes salta à vista, não sob aquele princípio da treta dos primeiros 3 minutos, porque ninguém é definível em 3 minutos, mas aquelas pequenas/grandes "pieces of the people you love".

segunda-feira, novembro 13, 2006

Quintas feiras, dias só de gajas...


Às quintas feiras quem quiser saber de mim estou na cafetaria do El Corte Inglês a tomar chá ou chocolate quente (branco, para mim) com as minhas amigas.
Todas solteiras, bonitas e agradáveis, independentes e com um sentido de humor àcido q.b.
Desta feita a conversa, para não fugir às linhas orientadoras gerais foi... homens...
Três de nós não ligam nenhuma aos homens reservando-lhe um espaço meramente coloquial. Bem, provavelmente dizer que não lhes ligamos nenhuma é figura de estilo, apenas lhes reservamos hipotéticamente o mesmo lugar que nos reservam a nós, mas com mais piada.
Contudo uma de nós vive intensamente as suas relações amorosas, apaixona-se com facilidade e anda sempre a sofrer de males de amor, hilariantes por sinal.
Porém, esta quinta feira revestiu-se de uma particularidade diferente: tinhamos audiencia!
Os empregados da referida cafetaria, aos poucos, e fingindo fazer alguma coisa apenas para eles muito importante e absorvente, foram-se abeirando da nossa mesa, bebendo em golfadas as conversas que fomos obrigadas a manter em tom mais velado, mas as gargalhadas eram sinal que algo inegávelmente interessante era ali falado.
O sexo e as manias dos nossos parceiros, mais ou menos longínquos, eram dissecadas ao promenor e as similaridades são muitas. Chegámos, assim, à conclusão que, hoje em dia, existem 3 tipos fundamentais de homens:
- os que não estão nem aí para "gaijas"; os que querem "gaijas" mas não se dão ao trabalho e os que não vêm outra coisa que não sejam "gaijas".
Se calhar não fomos inventar nada e eles sempre estiveram aí mas é interessante abordar as particularidades de cada um:
1º - os que não estão nem aí para "gaijas" são aqueles que dizem que querem apenas fazer amizades, tratam-nos como um dos rapazes, contam anedotas de fazer corar as rameiras e riem alto, mesmo das sequinhas, olham para todas as outras gajas como se fossem a Madona a tirar a roupa, mas são incapazes de nos dizer que aquela saia nos fica bem e nunca têm coragem de abordar nenhuma rapariga sem ser no meio da matilha; são os mestres do "bitaite", mas quase sem ideias originais.
2º - os que querem "gaijas" mas não se dão ao trabalho (os meus favoritos ;)), são aqueles que nos secam com conversas matreiras no msn ou por mail a descrever em pormenor as manobras de amantes que nos levarão à lua e planetas adjacentes, mas no dia em que passamos ao "ataque", porque a passividade não demove esta gente, é certo e sabido que têm sempre mais que fazer, ou porque vão à bola com os amigos, ou porque têm receio de "não se conterem"????...mesmo que os convidemos para um simples cafézinho em local público, arejado e profusamente iluminado, ou já tinham coisas combinadas, independentemente das ocasiões. Posto isto desaparecem sem deixar rasto o que não aborrece ninguém; gosto de os apelidar de "garganta funda", pois à mesma nunca se lhe vê o fundo;
3º - por fim os que não vêm outra coisa que não sejam "gaijas", são os mais comuns e uma raça em constante mutação, muito versáteis, vão acumulando experiencias atrás de experiencias mas o "modus operandi" nunca varia muito de espécime para espécime, são por vezes muito divertidos e simpáticos mas regem-se pela máxima do lobo: têm uma boca maior para nos comerem a todas, uns olhos enorme para não perderem pitada e umas orelhas descomunais mas cheias de pelo para não nos ouvirem. Porém estes estão a passar pelas vicissitudes de uma excessiva oferta não conseguindo distinguir a qualidade no meio da quantidade, e vivem uma espécie de síndrome do aquecimento global, todas lhes dão calores, mas muitos acontecem deles fora de época e por vezes graças a elementos poluentes.
Conforme a conversa foi progredindo, o elemento audiência foi-se acercando mas era notório pelos rostos deles que ficavam, ora divertidos ora semi-aborrecidos, com aquele vago semblante que quer dizer: "estas gajas têm sempre a mania que são muito espertas...!"
E se calhar até têm razão, nós temos sempre a mania que somos espertas mas lá nos vamos safando ou vamo-nos safando deles, conforme as situações.

quinta-feira, novembro 09, 2006

O propósito das coisas




Hoje gostaria de lançar um desafio a todos quantos o quiserem aceitar, quer comentem o conteúdo do meu espaço habitualmente, quer passem por aqui apenas como leitores.
O desafio consiste em comentar tão simplesmente esta frase:

Porque razão criei o meu blog?

Gostaria como dado adicional que indicassem se conseguiram os vossos objectivos.
Agradeço desde já a vossa participação e também todos os comentários, sem excepcção, que já escreveram nesta Divina Comédia.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Dia das bruxas, dos bruxos e outras frustrações...


Alguém meu amigo disse-me há uns dias atrás que devo ter sido vista por uma bruxa, um bruxo ou ando a ser alvo de frustrações alheias de vária ordem.
Bem, quem me lê sabe que sou pragmática o suficiente para aceitar certas coisas com uma postura mais ou menos liberal mas quem me conheçe pessoalmente sabe que não sou de levar desaforos para casa.
Há uns dias atrás recebi a visita ao MEU estimado blog de alguém que, ao ler um dos meus posts, teceu um comentário aceitável em parte e deplorável no todo.
Isto significa que fez reparos aceitáveis a erros ortográficos e alguns outros deplorando o meu estilo de escrita, recomendando que o post em questão fosse publicado na revista "Maria", que confesso não sou leitora assídua.
Não fossem os mails que, de quando em vez me chegam, desconhecia de todo o teor da publicação em causa. E o que conheço não me agrada.
Nada disto teria a mínima inportância se o leitor a que me refiro não tivesse voltado à carga respondendo ao comentário do seu comentário, ainda com mais azedume e espírito de pseudo-intelectualidade e de crítica literária, descabida em todos os aspectos, penso eu, no contexto da blogosfera que, como todos sabem, é um espaço PESSOAL e de desabafos mais ou menos bem escritos.
Partindo da premissa que não se me ajusta o papel de vítima, sou demasiado "bera" para que o perfil me acente de feição, confesso que criaturas desta natureza me mexem com a parte intestinal do meu organismo.
Se não estamos num "local" de vencedores de prémios literários, não obstante a blogosfera ser habitada por pintores, escritores, políticos, músicos e jornalistas, também aqui se alojam pessoas sem pretenções literárias, como é o meu caso e de muitos.
Erros ortográficos todos damos, pode ser deplorável, é-o sem dúvida, mas penso não ser das piores, então porque cargas de àgua se alguem não gosta do que escrevo, perde tempo a cá voltar para deixar lições de moral que não são pedidas nem desejáveis?
Emitir uma opinião sobre algo que lemos deseja-se, óbviamente, mas daí a ter a pretensão de tecer em alinhavos algo sobre a pessoa que escreve e a sua personalidade, não me parece nada saudável.
Já comentei posts referindo algo que não me agradava no post em si, nunca em relação à pessoa, a menos que a conheça pessoalmente e bem.
Por isso hão-de vocês dizer-me porque cargas de àgua alguém perde minutos da sua atenção a ler algo por aqui, ainda por cima publico sempre coisas extensas, para depois ter a ousadia de achar que me pode submeter aos seus maus fígados?
Não se percebe!!!!
O espaço da blogosfera é democrático quanto baste para que, se não nos agradar um tema passarmos ao seguinte, podemos deixar um comentário, porém tenham paciência mas agressividades incoerentes não são para aqui chamadas. Ainda por cima de alguém que não tem blog, é anónimo, logo coloca-se numa posição de outsider por forma a não permitir que se analise o que escreve e como é o seu espaço.


Desculpem-me mas é que não há pachorra para certas coisinhas!!

segunda-feira, outubro 30, 2006

Esta Areia Fina


Não sei
se o que chamam amor é este apaziguamento.
Não sei se comias fogo. Tuas abelhas
voam agora em círculos traquilos.
Mães serenam seus filhos no ventre,
não sei se o que enfim chamam
amor é esta areia fina.

Agora estamos um dentro do outro,
fazemos longas visitas deslumbradas
porque “o nosso prazer lembra um rio vagaroso
no meio de juncos ao cair da tarde”

As palavras tornam-se esquivas. Com o silêncio
falaríamos melhor de tudo isto.
Não sei se o que chamam amor
é a cama desfeita o sol fugindo,
uma vontade louca de beber
a grandes goles a noite entorpecente.

Com o silêncio, o silêncio sem nome:
morremos a meio do filme
simples, calada, delicadamente.
Eras tu, amor? – Era eu, era eu!

Um barco junto à margem. E cegonhas.


Fernando Assis Pacheco

domingo, outubro 29, 2006

Que lábios já beijei, esqueci quando


Que lábios já beijei, esqueci quando
e porquê, e que braços sobre a minha
cabeça até ser dia; a chuva alinha
os fantasmas que rufam, suspirando,
no espelho, respostas esperando,
e no meu peito uma dor calma aninha
rapazes que não lembro e a mim sózinha
à meia-noite já não me vêm chorando.
No inverno a solitária árvore assim
nem sabe que aves foram uma a uma,
sob os ramos mais mudos: nem sei quais
amores vindos, idos, eu resuma,
só sei que o verão cantou em mim
breve momento e em mim não canta mais.


Edna St. Vicent Millay

sábado, outubro 28, 2006

O aborto de Deus


As noites são cheias de profundos mistérios, são ora quentes ora frias, conforme nos dispomos a olhar as estrelas em estado de reflexão.
No passado apenas as estrelas e pouco mais iluminavam os passos dos homens e das mulheres que se dispunham a caminhar juntos.
Os passos de uns e outros entrecruzavam-se e, aqui e ali encaixavam-se mesmo.
Não digo que não o façam agora, mas as tentativas são mais vãs, ou mais imprecisas.
Assistimos à era do aborto de Deus, que não deixamos de ser todos, apesar de acreditarmos termos sido feitos à sua imagem e semelhança.
A religião e as crenças dos homens são discutíveis e discutidas pelos próprios, bem como os seus propósitos orientadores.
Contudo deparo-me com outras crenças, talvés igualmente cimentadas por esses mesmos homens, pela Humanidade, no seu todo.
Não só as pessoas se afastaram dos seus postulados religiosos, sejam quais forem, como são vistas vezes sem conta a negarem a imagem dos dogmas que os viram nascer.
Ajudar alguém desconhecido, alguém que pede nas ruas, desventuradamente, tão longe e tão próximo de nós todos, parece apenas provocar a repulsa ou a indiferença nos seus congéneres de raça.
Não acredito que quem trabalha e se esforça horas a fio nos seus empregos, deva ter de ser obrigado a sustentar a imensa urbe cheia de mendigos, mas acredito igualmente que não dói dar.
Seja sangue, seja comida, sejam algumas moedas que podemos ter na carteira ou nos bolsos, não digo a mais, mas dispensáveis.
Gosto de olhar os mendigos nos olhos, como olho todos os outros seres humanos, quer quando falo com eles quer quando falam comigo, porque estão lá e não apenas porque são o produto daquilo que a sociedade excreta. Mesmo que seja para lhes dizer não.
São muitas vezes o resultado atróz do nosso excesso de bem estar transformado em adormecida insensibilidade de quem tem, de quem compra, de quem entra numa loja e pode sair de lá com um saco cheio de algo tantas vezes inútil.
Os mendigos da nossa cidade vieram para ficar, estendem-nos a mão de manhã à noite, mas não nos dão os sulcos do caminho dos seus pés para experienciarmos a sua tragédia pessoal.
Da mesma forma não lhes podemos ensinar o caminho do quente dos lençóis lavados das nossas camas, porque essa é a nossa vivência, mas também já foi a deles, de muitos deles.
Por detrás dos olhos secos dos mendigos pendurados nas sete colinas de Lisboa, estão homens e estão mulheres, ainda crianças alguns deles, demasiados deles, e se governos e instituições não podem ou não querem fazer o que devem, compete-nos a nós, felizes comtemplados de cear na mesa opulenta dos tempos modernos, olhar por eles e para eles.
E dar, nem que seja apenas uma vez de longe a longe, ofertar um naco, ínfimo é certo, sem a pretenção de ser a salvação daquela alma, mas resgatá-lo, naquele preciso instante, em que as mãos se estendem em uníssono, um a dar o outro a receber, salvá-lo da imensa ignomínia do esquecimento, mesmo que por segundos.
As crenças tatuadas em forma de números, preços, cifrões, pode ser a crença dos dias que correm e não a da assitência aos menos afortunados, entre outras, porém o verdadeiro prazer que apenas se encontra no eterno da partilha, pois apenas o que é partilhado é eterno, será digno de pertencer à egrégora do colectivo universal.
Isto significa que os males de todos pertencem ao todo, essa é a verdadeira globalização e moramos todos numa aldeia cheia de sofredores e de penosas dores e não pensemos que vamos ter, em breve, a visita do Messias para jantar.
Na realidade estamos todos sentados num imenso banquete de mendigos.

terça-feira, outubro 24, 2006

O efémero





" Efémero é o humano. Efémero é estar exposto ao que os dias trazem." - António de Castro Caeiro in Píndaro, Odes Píticas

O que fazer da realidade e dos dias concretos que nos envolvem? Que dizer dela e da finalidade dos nossos dias finitos, tantas vezes inadequadamente aproveitados?
Ah, a realidade... sim, essa coisa baça que nos rodeia. A verdade e a mentira, os desesperos, os claros e os escuros do escorrer dos dias e das horas.
As verdades tecidas entre os dedos, teorizadas, abstratizadas, impoderáveis, insustentáveis na leveza do ser.
As mentiras, designações pejadas de anticorpos, aprendemos algum dia a defender-nos delas, assimilando-as como tecido morto que atiramos fora como dejectos?
Sofremos com as verdades e somos derrubados pelas mentiras. Já Kant dizia "um mundo sem mentiras não podia ser habitado por seres humanos".
Se a chuva lava as pedras lisas das ruas que pisamos poderá a verdade pelar a nossa alma, despindo casca a casca, camada a camada, retirando o que não necessitamos para nos esconder?
Esconder-nos-ìamos mesmo assim? Ou seria de nossa escolha viver ainda na mentira se esse cobertor negro nos aquecer, nos confortar?
Vivemos fora e dentro nesta asfixia, neste paradoxo, estamos no zénite da verdade baloiçando no limiar de uma qualquer tosca mentira, porque nela aprendemos a viver, é a nossa casa.
Escolheríamos abandonar um lar absurdo e vil porque a verdade nos libertaria? Optaríamos pelo dia se a noite, demasiado escura, não nos ensinasse mais o caminho para os olhos dos outros?
Somos nós que mentimos ou são os outros a quem não contamos a verdade que nos levam a construir metáforas de qualidade duvidosa, alimentando assim este interminável carrocel de corações botos?
Não sou capaz de conclusões, demito-me de as considerar. Preplexa destes amplexos do efémero do ser, teço palavras, ideias, tanta vez sem cor. Coloco-as ao pesçoço, são colares desbotados, anelados de palavras, pendem como grãos que se esfarelam quando lhes toco.
Ao frio da vida evoco as imagens ternas e quentes das folhas altivas das acácias, lá longe, perdidas em qualquer mapa mal definido, coordenadas de uma bússola com defeito.
São as vozes dos antepassados, os seus valores que oiço como sons cósmicos, poeira de tudo o que somos feitos, luz de estrelas, ossos, pele e músculos, bocas, narizes e orelhas, as palavras são braços e das suas extremidades nascem mãos.
Olho as mãos e são a uma e outra vez as minhas, conheço-lhes as linhas, são sulcos de carne, estiveram na terra, escreveram linhas e círculos.
Afasto-me... de longe observo... na areia, como um bosquejo, está escrita uma só palavra:

P A Z


A pintura é de Paula Rego e chama-se " the blue fairy whispers to pinocchio"

segunda-feira, outubro 23, 2006

Acende uma vela!!


http://www.lightamillioncandles.com/

Vai a este site e acende uma vela, apenas isso. Dá a tua contribuição e luta desta forma contra o flagelo incompreensível mas real da pedofilia.

ESPALHA A MENSAGEM!

domingo, outubro 22, 2006

Denunciar impõe-se!


Esta história que vou dividir convosco, não só é absolutamente real como vai ser contada na primeira pessoa do singular.
Desde 6ª feira passada tenho vindo a ser sistemáticamente importunada por um sujeito, óbviamente desiquilibrado, que tem tentado, da única forma que tem acesso à minha pessoa, ou seja via telemóvel, levar-me a aceder a conhecê-lo.

Em 40 anos de vida, de muitas aventuras e peripécias, nunca tal me tinha acontecido!
Ver o meu tempo, a minha paciência e integridade, serem ocupadas por alguém desconhecido, contra a minha vontade e sem que para tal tenha contribuído, provocado ou desejado, é algo que julgava impossível de acontecer.

Acontece que, segundo este alucidado, "alguém" lhe forneceu o meu contacto sem o meu conhecimento ou aprovação, e como supostamente sou ou fui descrita como, E CITO, sózinha, carente e carinhosa, este "diabo da tansmânia do sexo", divorciado, chamado Jorge, com 35 anos e de Setúbal, teria descido à terra para acabar com os meus dias de miséria.


Como ainda me assiste o direito de usar o meu corpo e tudo o que me pertence da forma como me apetecer ou der na real gana, mandei este "enviado dos deuses" levar com ele as suas pútridas patas e intenções, sensibilizando-o a revelar quem lhe teria encomendado o "serviçinho".


Qualquer cobarde responderia pela negativa como ele o fez e logo colocou as garras sujas de fora quando lhe pedi para me deixar em paz e reforçei a ideia questionando qual teria sido a parte do "deixa-me em paz", que ele não teria entendido. Respondeu, claro, com o chorrilho habitual, misógeno, esquisofrénico, impotente e tipicamente masculino de improbérios ordinários em que puta foi um miminho. Como resposta só podia tê-lo mandado levar no sítio onde as costas mudam de nome!!


Felizmente, seja sexualmente seja em termos de amizade, sempre me entendi bastante bem com quase todos os elementos do sexo oposto com os quais me vou cruzando ao londo da vida, tanto mais não seja que ponho a andar quem não me respeita ou mente e raras vezes perdoo uma ofensa.


Alguns amantes são agora amigos, alguns amigos permaneceram sempre assim, outros foram ficando pelo caminho por diversas razões que se prenderam com a minha decisão ora de não os voltar a ver, ora eles não me voltarem a ver a mim - democracia acima de tudo, quando um não quer dois não discutem.
De qualquer das formas esses foram rápidamente esquecidos e obliterados, quase sempre sem mais nenhuma lembrança, boa ou má. Porém, perante esta situação, inédita na minha vida, fico a pensar quem poderá chegar à conclusão, enquanto calça uma meia e outra, diz de si para si:
- Hoje vou f... a vida àquela fulana!... Vou divertir-me às custas dela!

A vocês nunca vos aconteceu pensarem isso?... bem o natural será responderem que não, claro. Ninguém está, hoje em dia com tanta merda que nos acontece nos mais variados sectores da nossa vida, para ainda chegar à brilantissíma ideia que vai presseguir alguém, cobardemente, só porque foi rejeitado, ou esquecido, ou ignorado, ou eu sei lá mais o quê!!! Ressalve-se que respeito sempre as pessoas mas não sou a sopa dos pobres.
Os Homens e as Mulheres mudaram muito neste últimos 10, 15 anos, não sei se para melhor ou para pior, porém uma coisa é certa e difinitiva: SOMOS DONOS DO NOSSO CORPO!!


Damos o nosso corpo ou não a quem queremos, não precisamos de rastejar atrás de ninguém, por muito fascinante que essa pessoa seja, porque existem milhões de outras por aí. A net permite-nos contactos rápidos e só vai conhecer gente quem quer, ninguém obriga ninguém a nada: É O TOTAL COMUNISMO NOS CONHECIMENTOS, O GRUPO, O CONJUNTO PREVALECE, EM DETRIMENTO DO INDIVÍDUO.


Isto significa ao mesmo tempo que temos o total direito de dizer NÃO ao que nos apetece ou ao que NÃO QUEREMOS! E sem mais explicações!


Assim sendo, AOS ASSEDIADORES DESTE MUNDO, se vos digo que NÃO, tenho o direito de fazê-lo e de escolher se vou com este ou com aquele, SEM SER POR VÓS CONSIDERADA PUTA OU VACA, pois é devido à grosseria de muitos de vós homens, - resalvo que não todos!! - que as mulheres se afastam quando até parecem já estar no papo!


Este atrasado mental, lobotomizado e alienado , trazido até mim por 3 dias ( até ver...), através de um abuso de confiança de alguém que me conheceu ou conhece, e que usou da violência verbal, de ameaças à minha integridade física e moral - na figura do sei quem és e onde moras! -
este infeliz que não tem a lucidez de ver que está também ele a ser manietado para perpetrar uma sinistra vingança, este tipo de homem espelha o vilão da noite dos tempos, aquele que pensamos já nem existir, porque nenhum homem está hoje para ser assim, nem precisa, são este tipo de pessoas que nos fazem reflectir e ver o que tão pouco evoluimos como raça, como espécie.


Este comportamento de predador cobarde, acobertado atrás de outro homem, e escondido por um número de telefone móvel sem possibilidade de identificação, faz parte do imaginário de horrores de quem está sossegado no seu canto, a jantar com os amigos, ou em casa de pijama a ver televisão, imaginário que apenas temos acesso quando sabemos de uma ou outra história, como esta que agora denuncio e divulgo.

sábado, outubro 21, 2006

Singularidades


“Só posso crer num deus que saiba dançar.”
Nietzsche



- Janta comigo – dizia tão sómente a sms no telemóvel dela.
Parecia um convite simples, singelo, algures entre o mero desejo e a urgência de companhia.
O programa proposto era jantar, assistir a um filme e dormir, se quisesse, em casa dele.
Conheciam-se há pouco tempo, falaram algumas vezes na net, tomaram um café apenas. A conversa gerada nesse encontro foi inteligente, intimista, directa, algo profunda para uma primeira vez entre duas pessoas estranhas e de idades tão distintas.
Ela demorou a aceitar um segundo encontro não por desconfiança ou por ter desgostado dele, mas apenas por antecipar algum tédio subjacente, ou por lhe cheirar a sangue de feridas recentes.
O sangue fresco das feridas dos outros começava a causar-lhe alguma repugnância ou seria apenas por já não lhe apetecer ser mais amiga de ninguém de uma forma singular, algo parecido com um self-service de um prato só.
Foi ter com ele, a conversa desenrolou-se amena como da primeira vez, as ideias eram compreendidas por ambos sem explicações desnecessárias.
O filme correu por alguns minutos e a aproximação dos dois corpos na semi-escuridão da sala abafada, provocada por ele de forma subtil mas persistente, não foi negado por ela, não correspondeu nem fugiu, deixou-se ficar.
Alguma doçura da parte dele, porém, motivou-a . Não foi ali para ter sexo; talvez tenha sido ingenuidade da parte dela, talvez se sentisse curiosa ou apenas aborrecida naquele final de semana.
Jogaram-se as palavras, atiradas como confidências, dividiram anseios e preocupações sobre a vida, sobrevoou-se o passado... é tabú tocar no futuro.
Beijaram-se e tocaram-se horas a fio, ávida ou lentamente. Ela, mais velha ou mais experiente, apreciou ter nas mãos um corpo masculino ainda habitado por aqueles pequenos complexos ou medos próprios de quando somos mais jovens e nos vemos perante algo que nos desafia.
O cabelo dele era macio, a pele quente, o cheiro dele emanava ainda alguma pureza, difícil de encontrar em homens mais velhos, os gestos doces, excitados mas sem artifícios.
Ajudou-o a descobrir, calmamente, recantos no seu corpo que haviam sido negligenciados até então. Arrancou-lhe sensações, arrepios, risos nervosos.
Ele perguntou-lhe se ela era feliz e abraçou-a fortemente ao escutar a resposta... afinal eram dois naúfragos.
Os momentos vividos naquela noite pareciam querer congelar o tempo; certas horas são mais perfeitas que outras é natural que as queiramos registar nas nossas mentes, mesmo que a realidade posterior se encarregue de desmentir, implacávelmente, essa perfeição.
Quando o sexo estava eminente a sua mente já não estava ali, o corpo ia disfrutando de alguma da intimidade gerada, mas ela sentia-se desligada dele, como se sentia de todos os outros.
O sexo e a sedução, o erotismo e o mistério, deixaram de estar interligados, caíndo compartimentados como se tivessem sido dispostos em alumínio alveolar. Não caminhavam mais de mãos dadas.
Maquinalmente ajudou-o na tarefa de colocar o preservativo, brincando com algum do nervosismo da ocasião. Ela desceu à terra por momentos, apenas o suficiente para lhe mostrar que este momento também pode ser diferente e divertido.
Sentiu a penetração e assistiu ao orgasmo dele como quem assiste a um facto consumado que já pouco lhe diz, como quem admite, enfadada, que certas coisas são quase sempre todas iguais.
Ou reflecte apenas que o amor aprende-se e ensina-se com o tempo, ou simplesmente reaprende-se no corpo do outro. Mas não há tempo os desejos vão ser aniquilados no despertar da manhã seguinte; os príncipes de uma noite só tendem a ser os sapos do raiar da aurora, é um facto da vida e não podemos querer ensinar tudo a alguém.
Claro que ela pode interromper este interminável ciclo já que sexo com alguém não passa de uma forma de estar consigo mesma mas em stereo.
São precisos 2 para dançar, é verdade, mas terá deixado de se interessar por este baile inconsequente dos corpos, em mais uma valsa, em mais um tango de uma só partitura?
Conjugar os verbos no singular ou existir em estado de singularidades terá atingido um ponto de total aborrecimento na vida dela, em que dançar sózinha não se distingue do fazê-lo acompanhada?
Ou ter-se-à aborrecido de dançar mal e com maus executantes ou simplesmente negligentes?
Terá perdido em algum atalho deste processo a capacidade de ouvir a bela música dos corpos e apenas se apercebe dos autismos?
Ou deixou simplesmente de acreditar nos delicados acordes produzidos pela sintonia das almas quando as bocas se procuram, em puro acto de desejo?Provavelmente ela apenas pensa que é já demasiado tarde para continuar a fazer coisas inúteis com a sua vida.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Procura




"Houve uma altura na minha vida em que fiz amor com muitos homens, conta Laureen. Isto acontece a muitas mulheres nalgumas fases. Mas como tu és homem, quero dizer-te claramente uma coisa. Não penses que para uma mulher seja fácil e leve mudar de homem, mudar de cama. Pelo contrário, confesso-te um segredo que as mulheres guardam escondido. Fazê-lo com frequência pode ser infinitamente duro. Excepto raras ocasiões fora do contexto, como, por exemplo, pode acontecer durante as férias ou com um homem que te fascina, costuma ser fatigante e por vezes até dramático. Porque - falo por mim, mas podes ter a certeza de que é a mesma coisa para muitas outras mulheres que não o dizem - ao ir com um homem recém-conhecido, no fundo estás sempre à procura de um amor intenso, estável, verdadeiro. Por mais que o teu cérebro tenha renunciado a isso, o teu corpo procura-o e gozas imenso, até à vertigem, até chorar, se pelo menos naquele instante gostas dele, sentes amor por ele. Depois, o que vem a seguir pode ser completamente diferente, cheio de erros, se calhar porque tu não foste capaz de fazer os gestos certos, dizer as palavras apropriadas, mas sobretudo porque o outro é um desconhecido e continua a ser um desconhecido mesmo quando beija com avidez o teu corpo e tu beijas o dele.
Se calhar é um erro começar pela cama. Mas hoje é assim que se faz. Hoje começa-se pela cama, mas, depois do encontro, quanto a mim - e não apenas a mim - não tem acabado. Para um jovem macho inseminador se calhar acabou.. Mas para mim, para nós... depois há as desilusões, os desacordos porque estás perante um sujeito inconsistente ou banal, ou parvo, ou ordinário, ou incapaz de ter diálogo ou intimidade. Um sujeito que te fala de carros, futebol ou dinheiro, ou um sujeito que, pelo contrário, é interessante mas continua a dizer-te como um idiota: mas eu quero ser livre. Enfim, é qualquer coisa que requer muita força para não se resignar, para não se render à tristeza, para não se deixar dominar pela ideia de que não há ninguém bom para ti. Quantas vezes, quantas vezes, acredita, fui para a cama com alguém, tantas mulheres foram para a cama com alguém apenas porque tinham a secreta esperança de que se abrisse uma porta para um grande amor capaz de durar."

In Sexo e Amor de Francesco Alberoni, Editora Bertrand 2006 (pág.91/92)

terça-feira, outubro 17, 2006

Prémio Nobel da Medicina 2006 / Desligar o cromossoma do amor / Francesco Alberoni


Craig C. Mello, luso descendente, foi galardoado com o Prémio Nobel da Medicina, juntamente com o seu colega Andrew Fire pela "descoberta do mecanismo fundamental para o controlo dos fluxos de informações genéticas".
A propósito deste prémio de extrema importância, na revista do DN de 6ª feira passada, tive oportunidade de apreciar um dos artigos mais interessantes escritos nos últimos tempos sobre o amor vs a sua ausência.
Parece nada ter a ver um assunto com outro mas depois de ler atentamente o artigo percebi onde o autor queria chegar.
Pedro Cunha e Silva assina o artigo e escreve-o a propósito das comemorações dos 650 anos da morte de Inês de Castro, assissinada devido aos seus inconvenientes "excessos" amorosos, comemorações essas que se iniciaram em 2005 e que agora terminam.
Esta bela história de amor é um mito intemporal mas igualmente contemporâneo e progressivo e
Inês de Castro não terá morrido de amor nem por amor, como tantas vezes se crê, mas por causa do amor.
Num exercício de cruzamento dos dados históricos deste amor proibido, com as modernas teorias genéticas, o autor do artigo especula se as mesmas não poderão ter já identificado o cromossoma do amor.
Afirma, a dada altura, que se aceitarmos que existe tal cromossoma, todas as nossas células terão uma capacidade nuclear para amar.
A descoberta ciêntifica que terá sido agora distinguida com o prémio nobel da medicina, demonstrou que existe um processo associado à actividade de uma molécula, o RNA de Interferência, que é responsável pela inibição/destruição do mensageiro quando a mensagem do RNAm, ou mensageiro, não é conveniente.
Isto significa que nem todas as células estarão disponíveis para amar, ficando assim inibidas quando tal não interessa.
Inês de Castro, ao amar D Pedro, rejeitou activar no seu material genético a molécula da interferência, entregando-se desta forma a todos os excessos da paixão, permitindo que o seu potencial celular amasse em uníssono.
Esta dissertação de Cunha e Silva fez-me pensar que, nos dias que correm, devemos ter todos ou quase todos, o nosso RNAi ligado ao máximo, em quadrifonia, em ondas de radar ultra-potente, pois assiste-se a uma total inexistência do amor celular e nuclear, em que a todas as nossas células fosse permitido amar e entregar-se aos voos da paixão e do amor.
Parece que já não nos permitimos viver amores em que o objecto da nossa paixão seja totalmente personalizado e único e não despersonalizado, inodoro, asséptico e banalizado como o que assistimos nos dias que correm.
Também sobre esta questão vale a pena ler algumas das obras de Francesco Alberoni, senão todas, que desde 1979 vem revolucionando esta temática com os seus livros e a sua abordagem aberta.
Estou a ler o último, ainda inédito no nosso país, e certamente voltarei a estes assuntos em breve.